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Relatório de Grupo
" ...E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito
Que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito
Caráter, bondade, alegria e amor..."
Milton Nascimento
Alice, Arthur, André, Caetano, Cecília, Eduardo, João, Leonardo, Manuela, Maria Manuela, Miguel, Nina F., Nina M., Pedro, Pedro Henrique, Ravi e Sibylla deixaram, pela primeira vez, seus espaços familiares e se encontraram na Sá Pereira para formar um grupo alegre, curioso, falante e bem disposto. Nesse novo ambiente, nossos pequenos se apropriaram de uma rotina, superaram desafios e aprenderam, pouco a pouco, a conviver em harmonia.
Iniciávamos as manhãs com rodas de músicas, cenários convidativos e brincadeiras para que as crianças se encontrassem. A chegada na escola foi uma conquista diária e o processo de adaptação foi favorecido pela parceria entre os responsáveis e os professores. Todos estavam envolvidos para impulsionar nossos meninos e meninas a vir para a escola de forma tranquila e agradável.
Aos poucos, as crianças perceberam que algumas atividades se repetiam em nossa prática, como organizar o itinerário de cada manhã com os cartões das salas do rodízio. Assim, nos surpreendemos quando o João convidou: "Vamos fazer o planejamento?" E um grupo correu para sentar na rodinha. Tarefas habituais como esta foram fundamentais para que se familiarizassem com as propostas e circulassem com mais autonomia pela casa.
Foram, também, incentivadas a se expressar, sempre respeitado o ritmo e as preferências de cada um. Atitudes como saber ouvir e esperar foram exercitadas. Dessa forma, nossos queridos eram despertados para a noção de pertencimento ao grupo, sentindo-se valorizados e felizes por compartilhar suas histórias.
Motivados pela descoberta dos novos amigos, nos organizamos para eleger um nome para a turma e surgiram algumas sugestões. Uma votação, que envolveu as crianças nessa escolha tão significativa, escolheu "Turma da Vassoura".
"Varre, varre, varre vassourinha
Pelas ruas da Bahia..."
Moraes Moreira
E pelas ruas da nossa cidade também. Pelo telão do salão, para além da escola, apreciaram pontos turísticos do Rio de Janeiro e os trabalhadores que cuidam dos espaços públicos, os garis. Nossos pequenos, em meio a brincadeiras, exploraram o nome da turma e se aproximaram do projeto institucional da escola "As cidades – das aldeias às megalópoles".
O interesse em conhecer outros lugares aumentou quando receberam a visita do gari Dermeval, que apresentou suas ferramentas de trabalho e falou sobre a importância de se manter as praças e os parques limpos, para que todos possam brincar e se aproveitar deles. Dermeval ganhou sorrisos da criançada, que experimentou empurrar seu carrinho e varrer com suas vassouras.
Inspiradas pelo trabalho dos garis, as atividades de artes foram permeadas pela sensibilização e exploração de diferentes utensílios de limpeza, que foram adaptados para que realizássemos algumas pinturas. As crianças observaram as características e possibilidades do manuseio desses objetos. Uma das propostas foi o caminhar carimbando uma grande folha de papel com seus pezinhos com tinta, até o encontro de vassourinhas, mergulhadas em guache, para continuar, com elas, a pintura. Esse contato descontraído com a tinta proporcionou novas sensações, revelando sorrisos e alegria com as descobertas.
Aproveitamos a oportunidade para falar do lixo que podemos reutilizar, como os potinhos de iogurte, as tampinhas de garrafa, caixas e caixinhas, transformando o que seria descartado em brinquedos. Nessas ocasiões, lançamos as primeiras noções matemáticas selecionando e agrupando caixas de diferentes formatos, brincando com a contagem oral e dividindo o material entre as crianças. Depois, com a nossa ajuda, confeccionaram algumas vassourinhas e pás, brinquedos que os colocaram em ação.
Nos passeios, a turma visitou dois espaços pouco explorados de nossa Cidade: a Praça Paris e o Parque do Martelo. As crianças se entusiasmaram ao encontrar muitos garis que cuidavam dos jardins e da manutenção desses lugares. Aproveitamos para observar o seu trabalho, despertando o senso de cuidado e responsabilidade com o espaço público. Também cataram folhinhas do chão e se divertiram correndo e criando muitas brincadeiras.
Aproximamo-nos do final desse projeto com uma pesquisa realizada pelas crianças, com os seus pais, em que registraram, por meio de fotografias e desenhos, o lugar que mais gostam de passear na cidade. As crianças foram convidadas a contar seus sentimentos e a relatar suas vivências ao compartilhar seus trabalhos com os amigos. Exercitaram a linguagem, articulando cada vez melhor os fonemas, conquistando uma fala mais clara e coerente.
Chegamos à Copa do Mundo na Pereirinha. Nossos meninos e meninas vestiram a camisa e ampliaram suas amizades, misturados às crianças das outras turmas, manifestando diferentes emoções.
Despedimo-nos desse primeiro semestre cantando as cirandas que animam os festejos juninos, embalando as manhãs com muitas brincadeiras que envolvem a turma num clima alegre e descontraído de festa.
Expressão Corporal
Roberta
Ressabiados, nossos pequenos chegaram ao salão agarrados aos pais. Aos poucos, foram seduzidos por inúmeros materiais e se permitiram brincar, ainda que timidamente. Após o período de adaptação, começamos o trabalho específico da disciplina. Com ajuda de lenços coloridos, "ensaboamos" cada parte do nosso corpo, nomeando-as e favorecendo a noção do esquema corporal. Também exploramos diferentes maneiras de situá-lo no espaço: os dois pés para cima, mão no ombro, uma mão para cima e outra para baixo e outras tantas possibilidades. As aquisições motoras eram percebidas, aula após aula, assim como a capacidade de organização e concentração do grupo. Passamos a iniciar as aulas sentados em roda, alongando e trabalhando o corpo. Os materiais, que no inicio eram indispensáveis para que a aula acontecesse, passaram a fazer figuração. A autonomia conquistada permitia que o trabalho utilizasse nossa própria matéria prima: o corpo.
Ao nos aproximarmos do projeto da turma, brincamos com o nome que as crianças escolheram: Turma da Vassoura. Assistimos ao vídeo "Brooms", da Cia Stomp e, munidos de vassourinhas, as crianças experimentaram dançar imitando a Cia. Entre piruetas e gargalhadas, nossos pequenos deram um show! Aproveitamos para limpar a nossa sala trabalhando a qualidade do movimento: primeiro, varremos o Salão de uma maneira bem suave, com movimentos lentos; depois, de uma maneira moderada; por último, bem rápido. Os conceitos de força e andamento foram explorados durante esses trabalhos.
Exploramos os planos alto, médio e baixo. Improvisamos sobre diferentes estímulos sonoros, ora utilizando objetos facilitadores (panos, fitas, lanternas), ora apenas com o corpo.
Estamos, agora, nos preparando para a nossa Festa Junina. Temos pulado muita fogueira, batendo os pés e as mãos!
É com todas essas conquistas, desembaraço motor, liberdade e espontaneidade que fechamos esse primeiro semestre, fazendo grandes planos para o retorno.
Música
Jean
Iniciamos o ano em meio à algazarra do carnaval. Aproveitando a alegria que invade nossa cidade, tratamos de espantar a desconfiança e o chororô natural desse delicado momento de adaptação com as nossas tradicionais marchinhas de carnaval. Afinal de contas quem não chora não mama. "Mamãe eu quero / Mamãe eu quero mamar / Dá a chupeta / Dá a chupeta pro nenem não chorar". Podemos notar que, além de nossa cidade ser maravilhosa e cheia de encantos mil, dava para sentir na pele todo o calor dessa chegada. "Allah la ô / Mas que calor!".
Se o assunto é Cidade, nada como começar o ano envolvidos com a festa popular de maior identidade do carioca, o carnaval. O desejo de ocupar as ruas tocando e cantando mostra um incrível espírito de cidadania e alegria que é compartilhado, naturalmente, pelas crianças. Mesmo sem o nosso bloco este ano, fizemos da nossa chegada um verdadeiro carnaval. "Cidade Maravilhosa / Cheia de encantos mil / Cidade Maravilhosa coração do meu Brasil! Mas a coisa pegou fogo, mesmo, com a batucada da garotada com tambores e chocalhos. "Allah la ô / Mas que calor! Antes da escolha do nome da turma, contamos a história musical recolhida pela Bia Bedran, "Tatecalanque - a história do menino que não tinha nome".
Limpando o terreno, a Turma da Vassoura disse a que veio. Ao som de "Vassourinhas Elétricas", de Moraes Moreira, exploramos o som de varrer, friccionando no chão algumas vassourinhas que apareceram no salão, que viraram cavalinhos, espadas e tudo que coube na imaginação. Descobrimos que o cabo da vassoura também faz um som mais duro quando percutido. Depois, assistimos no Youtube um contrabaixo feito de cabo de vassoura, bacia e arame. http://www.youtube.com/watch?v=eKRIC0PGrtU. Realmente o, maior som. Com nossos tambores e chocalhos acompanhamos o frevo. "Varre varre vassourinhas / Varrendo um dia as ruas da Bahia / Abram alas e caminhos pra depois passar o Trio de Armandinho, Dodô e Osmar".
Brincamos muito com o cancioneiro popular infantil e brincadeiras de roda. Entra na Roda Tindolerê (D.P. Bahia). E quando a roda ficava bacana, atirávamos "O pau no gato" e, como bons cariocas, saíamos rebolando com o "Sambalelê". Sambalelê tá doente / Tá com a cabeça quebrada / Sambalelê precisava / É de umas boas palmadas / Samba, samba, Sambalelê/ Pisa na barra da saia Lará. Se quem não gosta de samba é ruim da cabeça ou doente do pé, coitado do sapo que tá sempre com o maior chulé. Mas pior era o bafo do Jacaré. "Mão, mão, mão / Pé, pé, pé / Ninguém tem a boca grande como tem o Jacaré". Inspiradas, as crianças se arriscavam mais na cantoria, hora memorizando parte das letras, cantarolando as melodias, ou simplesmente acompanhando com gestos e muita dança. Parte desse trabalho pôde ser apreciado na Festa Pedagógica. O reconhecimento de melodias na flauta doce e reprodução de algumas células rítmicas nos tambores mostra uma turma bem interessada nas aulas e atenta aos estímulos do seu ambiente sonoro. Na Copa da Pererinha, nossos pequeninos, quando não estavam jogando, defendendo as cores da camisa, estavam gritando, a plenos pulmões, os gritos das torcidas que elaboramos juntos. Uma festa! Fechamos o semestre nos aprontando para a Festa Junina, explorando um repertório de canções folclóricas.
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