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Relatório de Grupo
Vencemos muitos desafios e, juntos, pudemos criar outros tantos! Foi um semestre movimentado e intenso para nós e para essas vinte crianças tão queridas em seus jeitos e particularidades. Descobertas, novidades, muito envolvimento e curiosidade permearam nossos dias e nossos projetos. A Turma da Bicicleta é um grupo que se apaixona por tudo que produz, estuda, brinca, além de pelas amizades e pela escola, unido e contente com sua rotina, onde encontram espaço para crescer, trocar e se expressar.
Durante o período de adaptação, tentamos proporcionar às crianças um ambiente acolhedor, afetuoso, alegre e sincero. Iniciando o dia com nossas rodas de conversa, planejamos as manhãs com as crianças, conversando sobre o rodízio das salas e atividades que faremos, dando espaço para que contribuam com suas sugestões. Através das fichas dos nomes e das palavras estáveis, relacionadas à nossa rotina, experimentamos a escrita e formulamos hipóteses sobre a quantidade de letras e seus desenhos.
Pensando na função dos números e sua utilidade em nosso cotidiano, proporcionamos situações onde puderam colocar em prática seus conhecimentos matemáticos, confrontá-los com os dos amigos e elaborar novas hipóteses. Jogos, anotações no calendário, utilização da contagem oral nas brincadeiras e em outras vivências possibilitaram novas aprendizagens.
Nosso propósito é que as crianças aprendam de forma integrada e prazerosa, por isso é que os projetos são tão importantes para o nosso trabalho, pois é por meio de um tema que está instigando as crianças que podemos trazer uma série de atividades relacionadas às diferentes áreas do conhecimento.
Iniciamos o ano traçando o caminho para as pesquisas do semestre. A gravura da alemã Uta Geub, inspirada na fábula "Os músicos de Bremen", dos irmãos Grimm, nos proporcionou momentos de muita conversa e suscitou o desejo de saber mais sobre a história dos quatro animais. Escutaram o conto com atenção e viram, no telão do salão, imagens da cidade de Bremen, na Alemanha. Ficaram tão fascinadas com as fotografias que chegaram perguntar se aquela cidade era de verdade. Observamos sua arquitetura e a estátua feita em homenagem à história. Aproveitamos para escolher um nome para a nossa turma, através de uma lista que fizemos sobre o que existe em uma cidade. Depois de sugerirem diversos nomes, escolheram bicicleta. Ganhamos da Vanessa e da Paula o livro-imagem "Na garupa do meu tio", de David Merveille, que conta as peripécias do Sr. Hulot, personagem de Jacques Tatit, por Paris. Inspirados na história e no nome da turma, fizemos um passeio à Lagoa. No Parque dos Patins, a Turma da Bicicleta se refrescou tomando os deliciosos picolés que o Pedro trouxe para dividir com o grupo. Felizes por estarem passeando juntas, as crianças se esbaldaram pedalando e apostando corrida nas bicicletas e velocípedes que levaram. Esse dia, com certeza, vai ficar na memória de cada um. Afinal, quem nunca havia andado de bicicleta pôde experimentar, e quem precisou de ajuda para pedalar pôde contar com os amigos.
Em meio às nossas pesquisas, esse grupo empreendedor e interessado quis conhecer, um pouco mais, sobre a bruxa que fica pendurada em uma enorme teia de aranha na sala de artes. A criançada, muito curiosa descobriu que a misteriosa personagem foi feita pela Turma da Paisagem. Então, resolvemos nos corresponder com ela para conseguir mais informações. Nas cartas que trocamos, ficamos sabendo que a bruxa se chamava Onilda e que estava passando uma temporada em Paris, que conhecemos durante a leitura do livro "Na garupa do meu tio". Para aprender mais sobre a cidade, convidamos o Sthéphane, pai da Sophia, que é francês, para nos fazer uma visita.
"Esta semana, Sthéphane veio aqui, na escola, mostrar as fotos da viagem que fez à Paris com a Sophia e a mãe dela. Nós vimos fotos da torre Eiffel, da Sophia pequena e aprendemos a cantar uma música em francês que se chama "Frère Jacques". Nós gostamos muito da visita dele".
Texto Coletivo
Continuando nossos estudos sobre um dos personagens da história "Os Músicos de Bremen", recebemos a visita de Nietzsche, o gato de estimação do Theo. Ele e sua mãe nos contaram sobre os hábitos e as características do bichano que, de tão mansinho, saiu de sua casinha para que as crianças lhe fizessem carinho.
"Gosto de andar pelos telhados, Miando pro Luar, Miau, Miau...".
Percebemos que o interesse maior das crianças era pelos bichos, o que fez nossas atenções se voltarem para o segundo animal da fábula, o cachorro. Um dos assuntos da roda de conversa foi o fato de fazerem cocô nas calçadas. Para verificar, demos uma volta no quarteirão da escola e constatamos que existem pessoas que saem com seus cachorros levando saquinhos e outras que acham que os canteiros servem de "banheiro" para seus animais. Durante o passeio, também procuramos observar os desenhos, tamanhos e cores das calçadas. Presenciamos a poda de algumas árvores na pracinha do Largo dos Leões e verificamos que o lugar estava sendo bem cuidado.
Depois do passeio pelo quarteirão, a Turma da Bicicleta recebeu a visita do gari Dermeval, que veio conversar sobre seu trabalho e mostrar o material que utiliza para limpar as calçadas e desentupir os bueiros. Também recebemos a visita do Renato, pai da Nina, que trouxe Urso, seu cachorro, e nos contou sobre seus hábitos fazendo grande sucesso com a criançada. Nesses dois encontros, ouvindo os comentários das crianças, percebemos o quanto estiveram comprometidas com a campanha por um quarteirão mais limpo.
Acreditamos que, com todo esse envolvimento e mobilização do grupo em torno da limpeza das calçadas do nosso quarteirão, contemplamos um dos objetivos gerais do nosso projeto institucional que é o de despertar nas crianças a consciência cidadã de pertencimento e de comprometimento com a cidade em que vivem, fazendo com que se percebam como atores sociais capazes de intervir no espaço geográfico, na história e nas relações.
Depois de tantas visitas e passeios significativos, muitas questões foram surgindo e a curiosidade das crianças crescia conforme nossas pesquisas avançavam.
"Como são as ruas da cidade e as ruas do campo?"
"Dá para criar os bichos que vivem no campo aqui na cidade?"
"Na cidade existem mais prédios ou casas? E no campo?"
Para ilustrar nossos estudos sobre as diferenças e semelhanças entre as zonas rurais e urbanas, fomos conhecer a Escola Nacional de Horticultura, uma enorme área verde em plena Avenida Brasil. Chegando lá, Paulo, o simpático guia, nos levou para lanchar embaixo das árvores, ao lado de uma grande horta. Ouvimos as explicações sobre a colheita das verduras, fomos ao curral, levando folhas de nabo para as vacas, e vimos cavalos e ovelhas. A troca de informações sobre a fauna e a flora do lugar foi muito rica. O tempo todo procuramos ficar atentas às questões que as crianças traziam sobre os diferentes aspectos da cidade e dos animais. Ouvir suas idéias e opiniões nos permitiu um fluxo de relações e devoluções. À medida que iam sendo questionadas, refletiam e reformulavam suas hipóteses, se apropriando desses conhecimentos. Para a Festa Pedagógica, escolhemos um lugar público da cidade, a pracinha do Largo dos Leões, que com certeza nunca mais foi a mesma depois da nossa roda de brincadeiras e cantorias e da exposição com os trabalhos de artes visuais feitos pelas crianças.
A fábula "A galinha dos ovos de ouro", de Esopo, nos ajudou a conhecer as diversas espécies de galinhas, sua alimentação e os tamanhos dos ovos existentes. Para finalizar, quebramos ovos de galinha e de codorna, vimos como eram por dentro e os saboreamos mexidos e cozidos. "Todo ovo que eu choco, Me toco, de novo, Todo ovo é a clara, É a cara do vovô..."
Quem também abriu seu baú de histórias foi a D. Edite, avó da Natália, que veio nos contar sobre a sua infância na fazenda em Laranjal, MG. Ela mostrou fotos da família, das árvores frutíferas e do apiário. Nos ensinou as músicas que cantava com os seus irmãos, contou sobre as brincadeiras que inventava para passar o tempo e sobre o hábito de dormir bem cedinho, "junto com as galinhas". E para comemorar esse encontro, nossa querida visita fez, com a turma, um delicioso bolo de laranja.
Para finalizar nosso projeto, recebemos a visita da Raquel, mãe do Davi, que é arquiteta urbanista e veio fazer com as crianças uma maquete da cidade. Nos mostrou fotos e desenhos de pracinhas, plantações, edifícios, fazendas e destacou alguns elementos que fazem parte ou não do "diálogo" entre o campo e a cidade. Dessa forma, o grupo encerrou suas pesquisas sobre o tema.
E foi assim o nosso semestre. O papel é pequeno para escrever tudo que vivenciamos, construímos e aprendemos durante esse tempo. Aqui está um recorte de como foram as nossas manhãs. Agradecemos aos pais pela parceria durante o processo. Boas férias e até a volta!
Expressão Corporal
Roberta
Um único e solitário balão foi quem nos apresentou. Lançado ao alto, cada vez que alguém o tocava tinha que dizer seu nome. Aos poucos, os nomes viraram música e a busca pelo balão uma dança! Ao final da brincadeira, já sabíamos os nomes de todos os amigos. Exaustos de tanto dançar, nos restou alongar e relaxar o corpo. Continuamos nossa busca por novas aquisições motoras explorando os materiais em sala: bambolê, ponte, túnel, pula pula, colchonete, lenços, tecidos. Nomeamos as partes do nosso corpo e brincamos de posicioná-lo no espaço; dançamos ao som de diferentes ritmos, favorecendo o desenvolvimento psicomotor.
Ao nos aproximarmos do projeto da turma, exploramos o nome escolhido pelas crianças: Turma da Bicicleta. Trabalhamos a música Bicicleta, do Toquinho, pedalamos com diferentes partes do corpo, pesquisamos a diferença do pedalar na subida, na descida e no plano; brincamos com um grande caracol que imitava a corrente da bicicleta; imitamos as suas rodas com cambalhotas e, por fim, em pequenos grupos, as crianças criaram, com o corpo, diferentes bicicletas. Com muita criatividade e extremamente disponíveis para qualquer proposta, essa turma aproveitou todos os momentos em sala adquirindo, em cada exercício, mais autonomia.
Após as Festas Pedagógicas, assistimos a um trecho de "Maracanã", de Deborah Colker. A Copa estava chegando e era preciso vivenciá-la. Listamos os movimentos dos jogadores de futebol e os transformamos em uma pequena célula coreográfica. Chutamos a gol, defendemos grandes jogadas e nos divertimos no pouco tempo que tivemos. Da Copa fomos direto para a Festa de João. Temos pulado muita fogueira, batendo os pés e as mãos.
Terminamos o semestre orgulhosos das conquistas dessa turma e fazendo grandes planos para o retorno.
Música
Jean
Se o assunto é Cidade, nada como começar o ano envolvidos com a festa popular de maior identidade do carioca, o carnaval. O desejo de ocupar as ruas tocando e cantando mostra um incrível espírito de cidadania e alegria que é compartilhado, naturalmente, pelas crianças. Mesmo sem o nosso bloco este ano, fizemos da nossa chegada um verdadeiro carnaval. "Cidade Maravilhosa / Cheia de encantos mil / Cidade Maravilhosa coração do meu Brasil! Mas a coisa pegou fogo, mesmo, com a batucada da garotada com tambores e chocalhos. "Allah la ô / Mas que calor! Antes da escolha do nome da turma, contamos a história musical recolhida pela Bia Bedran, "Tatecalanque - a história do menino que não tinha nome".
A Turma da Bicicleta rodou macia nesse primeiro semestre. Soletramos, com Toquinho, apreciando no Youtube várias versões em animação da música B-i-c-i-c-l-e-t-a. E se na curva da estrada fez um furo no pneu, consertávamos com Michelin, o brinquedo cantado que virou "hit" na turma. O desafio da canção era suprimir determinadas palavras chave substituindo-as por gestos, mas a graça estava justamente quando errávamos. Deitados de barriga para cima, pedalávamos pesadamente na subida para depois descer o morro velozmente. "De bicicleta vou andando / Morro acima, morro abaixo / Tem montanha, ai que duro…/ Pra descer é mais depressa". No nosso passeio acabamos por conhecer alguns bichos que vinham de uma cidade distante, Bremem, na Alemanha, que queriam ser músicos e tinham em mente chegar à cidade ideal. Batendo três palmas e três vezes o pé no chão, acompanhávamos a canção dos Saltimbancos, adaptação de Chico Buarque para o conto dos Irmãos Grimm. "Au, au, au / Iaió / Miau, miau, miau / Cocorocó / O animal é tão bacana / Mas também não é nenhum banana." Na música do jumento, trabalhamos com tambores um acompanhamento bem marcado para descobrir que o jumento dá um duro danado e leva fama de preguiçoso.
Se o cachorrinho não parava de latir lá no fundo do quintal, o jeito era chamar a carrocinha. "A carrocinha pegou / Três cachorros de uma vez / Tralalá que gente é essa? / Tralalá que gente má". Mas a bicharada, ao chegar na cidade, descobriu que em algumas praças existem os coretos, e que numa apresentação o gato fez uma bagunça danada entrando na tuba do Serafim. "Pom, pom, pom, Miau! / Pom-pom, pom, pom, Miau!". "A mesma praça / O mesmo banco / As mesmas flores / O mesmo jardim / Tudo é igual / Mas estou triste / Porque não tenho você perto de mim."
Lugar de brincadeiras de roda e brinquedos cantados, a praça nos fez lembrar e dançar um bocado: "Atirei o pau no gato", "Linda Rosa Juvenil" e "Entra na Roda Tindolerê". Tivemos oportunidade de prestar atenção nos diferentes ambientes sonoros da cidade. Apresentamos, com um computador, um extenso banco de sons urbanos para sonoplastia. A atividade consistia em descobrir a qual meio de transporte, som da natureza ou ambiente urbano cada som se relacionava, desenhando o resultado. Na Copa da Pererinha, nossos pequeninos, quando não estavam jogando, defendendo as cores das camisas, estavam gritando, a plenos pulmões os gritos das torcidas que elaboramos juntos. Uma festa! Fechamos o semestre nos aprontando para a Festa Junina, explorando um repertório de canções folclóricas.
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