Relatório de Grupo
A chegada das crianças foi marcada por muita alegria, abraços e beijos. A grande maioria das crianças já se conhecia. Os alunos novos e os vindos de outro turno foram bem acolhidos e logo se integraram ao grupo.

Foi uma adaptação super rápida. Fundamental destacar o vínculo já estabelecido entres os pais e os profissionais da escola. Essa boa relação facilitou muito a maneira segura com que os pais deixavam seu filhos para este novo ano.

É um grupo muito alegre, brincalhão, ativo e, principalmente, falante. Como têm assunto esses pequenos! São crianças amorosas que buscam a harmonia. Quando surge algum conflito, costumam se mobilizar para ajudar a resolver.

Nosso maior desafio é a busca da quietude e postura adequada aos diferentes momentos da nossa rotina. É uma turma que ainda precisa de ajuda para se organizar, se acalmar e escutar. As crianças se dispersam facilmente e, com frequência, os momentos de organização ou reorganização para uma tarefa acabam se tornando momentos de muito agito e brincadeira.

Uma turma que foi se fortalecendo e se constituindo como um grupo, pelo trabalho diário de compreensão e respeito às regras e limites e do aprendizado de ações tão importantes como as de ouvir, ceder e aceitar o outro. Com nossa mediação constante e disponibilidade, vislumbramos um grupo que vem conseguindo se organizar, conquistando um bom nível de produção coletiva e individual. Crianças que vêm descobrindo afinidades e que puderam, ao longo do semestre, inaugurar parcerias e amizades.

Os caminhos de um projeto são singulares, e é importantíssimo que estejamos atentos às demandas e desejos dos alunos.

Com pequenos já tão crescidos e muitos veteranos de Sá Pereira, a escolha do nome da turma foi surgindo a todo tempo. É um momento importante para criar a identidade do grupo e o sentimento de pertencimento. Nosso caminho foi recheado com muita história, música, brincadeiras e, principalmente, com muita escuta aos conhecimentos prévios dos pequenos acerca do tema.

Com algumas votações, ganhou Turma da Pracinha! Essa escolha foi um presente, pois as praças são locais públicos que as crianças frequentam no seu dia-a-dia e espaços de lazer e prazer.

Inauguramos nossa escolha com um passeio a pé até o Largo dos Leões. Nos emocionamos com a limpeza do espaço feito pelas crianças. Com luvinhas, vassouras e pás fizeram um verdadeiro mutirão: "Somos os garis", disse o Gui. Presenciamos atitudes de um segurando a pá para o outro varrendo o lixo... Foi incrível a cooperação! Não estavam somente limpando a praça, estavam fazendo isso juntos!

Outro passeio muito significativo foi o que fizemos à Praça Paris, com muitos atrativos que pudemos explorar. Vimos, lá, a possibilidade de pesquisas de temas atraentes e próximos do universo delas (felinos, limpeza, preservação, brincadeiras adequadas ao espaço, árvores, além das estações do ano, novidade para a maioria.

As estátuas dos felinos encantaram tanto as crianças que logo partimos para nossas pesquisas.

Recebemos a visita do gato da Lia e fizemos um passeio ao "Pet Shop" da Cobal. As crianças se envolveram muito nesse estudo. Entre miados, imagens, vídeos e gostosas pinturas, percebemos que foi muito significativo tudo que fizeram, o que trouxe para o grupo mais identidade e união. Impagável a turma dançando ao som da trilha do musical "Cats" trazida pela Roberta.

As estações do ano também foram motivadas por estátuas da praça Paris. Investimos em apreciação de imagens e obras de arte que as representassem, como o concerto de Vilvaldi "As Quatro Estações".

O conjunto de amendoeiras tombadas, da Praça Paris, deu início ao tema "árvores". Descobrimos que elas atuam diretamente sobre o clima, a qualidade do ar que respiramos, o nível de ruídos, além de ser um importante abrigo para a fauna que ainda existe na cidade.

Apreciamos obras de artes abordando esse tema como as de Van Gogh, Frans Krajcberg, Dali e Mondrian.

As árvores da nossa escola, mangueira e flamboyant, também foram fontes vivas das nossas pesquisas possibilitando muitas atividades.

A Festa Pedagógica foi um momento muito especial. Nossas crianças puderam compartilhar, com seus familiares, parte de todo esse processo vivenciado ao longo do semestre. Através das músicas, brincadeiras cantadas e de trabalhos de artes, nossos pequenos expressaram suas descobertas, experimentações, sensações e, acima de tudo, o prazer desse convívio coletivo e diário.

As propostas de artes visuais foram sempre recebidas com muito interesse. Desenhos cheios de histórias coloriram nossas tardes. Com pincéis, rolinhos, cotonetes, bolas de gude e com as próprias mãos, a turma se arriscou em pinturas e lambanças. Manipularam tesouras, terra, areia e outros materiais para compor diversas colagens. Uma enorme variedade de trabalhos foi possível. Por meio de diferentes enfoques, privilegiamos todas as áreas do conhecimento de forma integrada e contextualizada.

Propusemos atividades que encorajassem a exploração de ideias matemáticas, desenvolvendo e conservando uma curiosidade sobre os números, o espaço e o tempo.

Com o uso das fichas dos nomes e das palavras estáveis presentes em nosso dia a dia como, por exemplo, os cartões com o nome das salas do rodízio, as crianças começaram a ter um contato sistemático com a escrita e puderam formular hipóteses sobre o nosso código alfabético.

A festa junina e a Copa fecharam nosso semestre com muita diversão.

Encerramos esse período com ótimas experiências tendo compartilhado muitos momentos felizes. Foram conquistas importantes e superação de alguns desafios.
Expressão Corporal
Roberta
Um único e solitário balão foi quem nos apresentou. Lançado ao alto, cada vez que alguém o tocava tinha que dizer seu nome. Aos poucos, os nomes viraram música e a busca pelo balão uma dança! Ao final da brincadeira, já sabíamos os nomes de todos os amigos. Exaustos de tanto dançar, nos restou alongar e relaxar o corpo. Continuamos nossa busca por novas aquisições motoras explorando os materiais em sala: bambolê, ponte, túnel, pula pula, colchonete, lenços, tecidos. Nomeamos as partes do nosso corpo e brincamos de posicioná-lo no espaço; dançamos ao som de diferentes ritmos, favorecendo o desenvolvimento psicomotor.

Ao nos aproximarmos do projeto da turma, exploramos o nome escolhido pelas crianças: Turma da Praça. Trouxemos a areia da pracinha para o Salão e, descalças, as crianças sentiram os pés, as mãos, o corpo na areia. Perguntamos quais eram suas brincadeiras prediletas na pracinha para que pudéssemos reproduzi-las em sala. No auge das aquisições motoras, brincar era a melhor maneira de explorar e desafiar as possibilidades corporais. Pulamos corda, fizemos um balanço e um escorrega, jogamos amarelinha e pique pega. Ao som de "As Quatro Estações", de Vivaldi, dançamos livremente pesquisando movimentos distintos para cada estação.

Após as Festas Pedagógicas, assistimos a um trecho de "Maracanã", de Deborah Colker. A Copa estava chegando e era preciso vivenciá-la. Listamos os movimentos dos jogadores de futebol e os transformamos em uma pequena célula coreográfica. Chutamos a gol, defendemos grandes jogadas e nos divertimos no pouco tempo que tivemos. Da Copa fomos direto para a Festa de João. Temos pulado muita fogueira, batendo os pés e as mãos.

Terminamos o semestre orgulhosos das conquistas dessa turma e fazendo grandes planos para o retorno.
Música
Jean
Se o assunto é Cidade, nada como começar o ano envolvidos com a festa popular de maior identidade do carioca, o carnaval. O desejo de ocupar as ruas tocando e cantando mostra um incrível espírito de cidadania e alegria que é compartilhado, naturalmente, pelas crianças. Mesmo sem o nosso bloco este ano, fizemos da nossa chegada um verdadeiro carnaval. "Cidade Maravilhosa / Cheia de encantos mil / Cidade Maravilhosa coração do meu Brasil! Mas a coisa pegou fogo, mesmo, com a batucada da garotada com tambores e chocalhos. "Allah la ô / Mas que calor! Antes da escolha do nome da turma, contamos a história musical recolhida pela Bia Bedran, "Tatecalanque - a história do menino que não tinha nome".

A Turma da Pracinha redescobriu o valor desse lugar. A ágora grega se transformou muito e perdeu seu lugar de destaque como espaço para fazer política e aflorar os sentimentos de cidadania. Mas essa turminha, através da brincadeira e da música, está transformando de novo tudo isso. A pracinha ainda é o primeiro lugar de encontro entre os pequeninos, onde se aprende a compartilhar brinquedos e brincadeiras e a fazer música. "A mesma praça / O mesmo banco / As mesmas flores o mesmo jardim / Tudo é igual / Mas estou triste / Porque não tenho você perto de mim". A antiga música de Carlos Imperial, sucesso até hoje, ganhou a turma. Logo, as crianças estavam cantando, empolgadíssimas, o refrão e boa parte da extensa letra. Com tambores e chocalhos, acompanhávamos a marcação e, como músicos de verdade, estancávamos certinho obedecendo à regência. Pediu-pra-parar-parou!

Como os músicos de Bremem, íamos nos divertindo com brinquedos cantados até chegarmos à cidade ideal, com muitas pracinhas e coretos. Apreciamos e experimentamos brincadeiras de roda, assistindo ao CD "Pandalelê", do Palavra Cantada. "Indo eu, indo eu / À caminho de Viseu / Encontrei o meu amor / Ai, ai, ai que lá vou eu" . Pracinha também é lugar de pipoqueiro, doces e sorvetes. "Empurra, empurra a carrocinha / Avança minha gente que a pipoca está quentinha". Sentadas, de frente uma das outras, as crianças empurravam e cantavam "Quem vai querer? / Tem doce e salgadinha." Algumas praças ainda preservam seus coretos, como a São Salvador, atraindo inúmeros músicos para lá. Inspirados, visitamos a pracinha do Largo dos Leões e, contrariando o ambiente sonoro do trânsito pesado da Rua São Clemente, sonhamos em fazer um som. Pena que São Pedro não ajudou muito na hora H. Até um gato entrou na tuba de um tal Serafim e o resultado foi que a tuba tocou assim: "Pom, pom, pom, Miau! / Pom-pom, pom, pom, Miau!". Mostramos, num computador, um banco de sons urbanos para sonoplastia. A atividade consistia em descobrir a qual meio de transporte, som da natureza ou ambiente urbano cada som se relacionava, desenhando o resultado. Na Copa da Pererinha, nossos pequeninos, quando não estavam jogando, defendendo as cores das suas camisas, estavam gritando a plenos pulmões os gritos das torcidas que elaboramos com eles. Uma festa! Fechamos o semestre nos aprontando para a Festa Junina, explorando um repertório de canções folclóricas.