Relatório de Grupo
É Fevereiro. Mais um ano escolar se inicia. O espaço já é familiar para quase todos, mas a formação do grupo ainda é novidade. Alguns encontros, reencontros, uma conversa, muitas brincadeiras, abraços, beijos, um carinho especial... Dessa maneira fomos acolhendo cada criança, nos aproximando uns dos outros, percebendo e reconhecendo as características de cada um. Vinte crianças cheias de energia, interessadas, falantes e curiosas, que agora, juntas, estão construindo uma bela história.

Logo percebemos um grupo bastante corporal, especialmente os meninos. Lutas, piques e futebol fizeram parte do nosso dia a dia desde o inicio do ano e, junto a isso, muitas conversas sobre o cuidado com os amigos, o respeito às regras das brincadeiras e também para uma boa convivência entre todos. Um desafio e tanto! Organizar as rodas, esperar o momento de falar e, principalmente, exercitar a escuta do outro também foram importantes na construção de um grupo cooperativo e de um ambiente produtivo e agradável para todos.

Depois da votação para a escolha do nome da turma, nos tornamos Turma da Paisagem, nome bastante sugestivo que nos levou, inicialmente, a uma pesquisa sobre paisagens da nossa cidade. Observamos, em livros, fotografias de inúmeras paisagens conhecidas do Rio e tentamos desconstruir algumas idéias que as crianças tinham sobre paisagem. Durante o passeio às Paineiras, lá de cima, pudemos ver que a nossa cidade, além da beleza natural, possui inúmeras construções do homem, muitas cores, volumes e até mesmo cheiros. E que nem tudo é bonito, mas tudo faz parte da paisagem.

Depois de explorar o nome da turma, partimos para desvendar outras paisagens do mundo. Dessa vez, pegando uma carona com a bruxa Onilda. Conhecer as cidades através do olhar dela, sempre aprontando confusões, foi divertido e instigante para as crianças.

De forma misteriosa, a bruxa deixou alguns materiais e uma carta nos convidando para conhecer Paris. A criançada logo se envolveu com a personagem tão lúdica e, assim, embarcou no mistério, nas histórias e, é claro, para Paris. Tivemos o privilégio de ter duas pessoas próximas com ricas experiências por lá: a Paulinha, auxiliar da turma, que morou na cidade, e a Dora, que nasceu e viveu lá por alguns anos.

A visita da Gabriela, mãe da Dora, os relatos da Paulinha, as fotos enviadas pela Dani, mãe do Gabriel V., renderam boas conversas sobre o funcionamento da cidade, a forma como se locomoviam por lá, o que gostavam de comer, onde passeavam, o que faziam em dia de sol e chuva. Especialmente as fotos do Gabriel, de parques lindíssimos e bem cuidados, renderam conversas importantes sobre o cuidado com o que é coletivo e o quanto depende de nós, usuários desses espaços, a sua conservação.

Essa conversa foi tão bacana que, assim que chegamos à Praça Paris, as crianças, interessadas pela limpeza da cidade, quiseram catar o lixo que encontramos por lá. Como não havíamos levado luvas e a praça estava bem limpinha, cuidamos do nosso lixo, atentos para não deixar restos de lanche e embalagens pelo chão.

Foi um passeio muito especial para o grupo! Num dia de céu azul, além de desfrutar do lugar e fazer um delicioso piquenique, as crianças desenharam ao ar livre, como na Praça dos Artistas, em Paris, e se sentiram verdadeiros artistas.

Os filmes "Ratatouille" e "Aristogatas" enriqueceram nossas pesquisas. O interesse pela história do famoso "chef", os queijos e a culinária francesa nos inspiraram a preparar um lanche francês: um "queijos e vinhos" muito saboroso! Já a história "Aristogatas" nos levou a duas pesquisas interessantes sobre os nomes dados aos personagens. Descobrimos que Berlioz foi um compositor, Toulouse, um pintor, e que ambos estudaram e viveram em Paris. Ouvimos a sinfonia "Fantástica", criamos uma história fantástica, conhecemos algumas obras de Toulouse e transformamos a sala num grande atelier de pintura, preparando cavaletes especiais para nossos pequenos pintores. A visita inesperada do maestro Ricardo Prado, enquanto assistíamos a uma orquestra tocando a famosa sinfonia de Berlioz, deixou esse momento quase mágico!

A Torre Eiffel, uma das marcas de Paris, tornou-se sensação entre as crianças, que a reconheciam, excitadíssimas, nos diferentes materiais que chegaram até nós. Aproveitando o interesse delas, criamos um problema envolvendo a bruxa Onilda e também fizemos algumas estimativas usando a medida da torre e, mais tarde, de outros elementos presentes no projeto. Comparando, medindo, estabelecendo relações e buscando diferentes formas de representação, as crianças vão caminhando em seu processo de abstração, buscando respostas de forma criativa e reconhecendo a matemática como mais uma ferramenta necessária no nosso cotidiano.

A leitura do livro "Linéia no jardim de Monet", de Christina Björk, em capítulos, foi bem gostosa e reuniu várias informações que pesquisamos durante o projeto, além de nos possibilitar conhecer um pouco da obra e da vida de Monet. A leitura e o contato com diferentes tipos de texto, que sempre nos acompanham durante os projetos, são fundamentais na construção do futuro leitor. Presenciando atos de leitura e escrita e escrevendo espontaneamente, as crianças refletem sobre a nossa língua, levantando hipóteses e se apropriando, aos poucos, dessa ferramenta tão importante de expressão.

Depois dessa viagem inesquecível, a bruxa apareceu novamente e, dessa vez, nos levou para Nova Iorque. Atravessou o oceano com sua vassoura e chegou à cidade dos famosos arranha-céus, da Estátua da Liberdade, do "Central Park" e de inúmeros movimentos culturais.

Maria Pia, mãe do João Felipe, nos contou algumas de suas experiências em NY, numa conversa ilustrada por lindas fotos da cidade e acompanhada de deliciosos cachorros quentes, um lanche típico por lá.

As pesquisas sobre o "Hip Hop" e o "graffiti", movimentos que tiveram sua origem na cidade, empolgaram bastante as crianças e se tornaram assuntos recorrentes em suas conversas e brincadeiras. Concentradíssimos, assistiram à apresentação do grupo de "Hip Hop" da Maré, na Pereirona, e depois se apresentaram para os "amigos grandes", dando um show de entusiasmo e dedicação. Nesse momento, o trabalho do artista Keith Haring com seus "bonecos dançantes" nos serviram de inspiração para alguns trabalhos de artes, assim com os "graffitis" do Toz, vistos durante a visita ao Cassino Atlântico.

Durante todo o semestre, as crianças prepararam, com capricho, muitos trabalhos de artes que fizeram parte da exposição da Festa Pedagógica. Além de apreciar esses trabalhos com suas famílias, as crianças apresentaram, com o coração batendo forte e esbanjando alegria, a coreografia de "Hip Hop" criada nas aulas de Expressão Corporal.

Recebemos mais uma visita! Fabio, pai do Digo, veio nos contar sobre sua viagem à África. Jornalista, conheceu os países africanos que iriam participar da Copa e trouxe muitas coisas interessantes. Tecidos, colares, máscaras, lindas fotos e até um uniforme da seleção de Camarões, que encheu os olhos da criançada. Com a proximidade da Copa e depois de tantas informações sobre esse continente fascinante, decidimos conhecer a África do Sul, especialmente Joanesburgo, com sua cultura, contrastes e as transformações que a Copa lhe causou.

Com a Copa do Mundo, futebol se tornou assunto diário e motivo de muito interesse das crianças, que passaram a vir de chuteiras e blusas com as cores da seleção. Com empenho e muita torcida participaram da Copinha organizada na escola, que fez tanto sucesso quanto a oficial.

Cores, ritmos e muitas histórias da África nos encantaram. Trabalhamos com argila, pintamos tecidos criando diferentes padronagens e mergulhamos no universo africano através dos contos e dos muitos livros que chegaram até nós.

Quantas recordações guardaremos dessas viagens! Terminamos o semestre felizes por compartilhar tantos momentos significativos com esse grupo querido e por presenciar o envolvimento e o prazer de cada descoberta. Uma pequena pausa para as férias e logo estaremos de volta para novas aventuras.
Expressão Corporal
Roberta
Nosso reencontro foi marcado por beijos, abraços e novidades. Em roda, nos apresentamos de uma maneira diferente: brincamos com as sílabas dos nossos nomes, transformando-as em movimento. Retomamos nossa roda de alongamento e preparamos o corpo para os desafios que estavam por vir: um grande circuito com diferentes materiais; túnel, colchão, pranchas de equilíbrio, bambolês, tecidos etc. Entre equilíbrios, pequenos saltos, cambalhotas e outras estripulias, percebemos a evolução motora dos pequenos. Usamos a trilha de "Onqotô", do Grupo Corpo, para experimentar pequenos deslocamentos em diagonal e os diferentes balanços do corpo, dando ênfase às transferências de peso. Utilizamos imagens mentais como abraçar o mundo, pintar a sala etc, para que as crianças pudessem, estimuladas pela imaginação, se apropriar da movimentação proposta.

Ao nos aproximarmos do projeto da turma, exploramos o nome escolhido pelas crianças: Turma da Paisagem. Escolhemos imagens de paisagens e dividimos a turma em pequenos grupos para que fizéssemos uma releitura corporal. O resultado foi publicado no "site" da escola, em "das turmas", e pode ser apreciado. Para acompanhá-los em Paris, utilizamos alguns quadros e desenhos de Toulouse-Lautrec. Perguntamos às crianças: "se essa imagem fosse em movimento, como seria essa dança?" Criamos, então, diferentes movimentos para as pinturas de Toulouse e pesquisamos a movimentação do Can-Can, por ele representado. De Paris, fomos para Nova Iorque. Em suas ruas encontramos o "Street Dance". Assistimos a vídeos e dançamos, exaustivamente, por duas aulas. O resultado dessas pesquisas foi organizado e apresentado em nossa Festa Pedagógica.

Após a Festa, assistimos a um trecho de "Maracanã", de Deborah Colker. A Copa estava chegando e era preciso vivenciá-la. Listamos os movimentos dos jogadores de futebol e transformamos os movimentos em uma pequena célula coreográfica. Chutamos a gol, defendemos grandes jogadas e nos divertimos no pouco tempo que tivemos. Da Copa, fomos direto para a Festa de João. Temos pulado muita "fogueira", batendo os pés e as mãos.

Terminamos esse semestre, orgulhosos das conquistas dessa turma e fazendo grandes planos para o retorno das pequenas férias de julho.
Música
Jean
Se o assunto é Cidade, nada como começar o ano envolvidos com a festa popular de maior identidade do carioca, o carnaval. O desejo de ocupar as ruas tocando e cantando mostra um incrível espírito de cidadania e alegria que é compartilhado, naturalmente, pelas crianças. Mesmo sem o nosso bloco este ano, fizemos da nossa chegada um verdadeiro carnaval. "Cidade Maravilhosa / Cheia de encantos mil / Cidade Maravilhosa coração do meu Brasil! Mas a coisa pegou fogo, mesmo, com a batucada da garotada com tambores e chocalhos. "Allah la ô / Mas que calor! Antes da escolha do nome da turma, contamos a história musical recolhida pela Bia Bedran, "Tatecalanque - a história do menino que não tinha nome".

A Turma da Paisagem viajou um bocado, conhecendo cidades importantes e cheias de musicalidade, pelo mundo afora. Em tempos de Copa do Mundo, trabalhamos a música "Ora Bolas", do Palavra Cantada, reforçando com percussão a cantoria ritmada de perguntas e respostas. A música sai da perspectiva da bola, no pé de um menino, até transformá-la no nosso planeta. "Oi, oi, oi / Olha aquela bola / A bola pula bem no pé / No pé do menino / Quem é esse menino? / Esse menino é meu vizinho / Onde que ele mora? / Mora lá naquela casa / Onde está a casa? / A casa está na rua / Onde está a rua? / Tá dentro da cidade / Onde está a Cidade? / Tá do lado da floresta / (…) / E o que é o planeta? / É uma bola que rebola lá no céu". Foi um momento no qual trabalhamos a noção de pulso rítmico com as crianças e com a atividade de passar o pulso de um para o outro, em roda.

Quando, por conta do projeto, as crianças chegaram em Paris, pudemos apreciar o quanto a música colabora para o tom charmoso e sofisticado da capital francesa. Assistimos a um trecho do desenho "Aristogatas", onde a gataria fez o maior jazz, com piano, baixo acústico, sopro e bateria. Inspirados no gato Berlioz, fomos conhecer a sinfonia "Fantástica", do compositor francês de mesmo nome. Nos deparamos com uma Orquestra Sinfônica de verdade, o que nos instigou a conhecer um pouco as famílias de instrumentos e como elas se organizam para uma apresentação, assim como a figura do maestro e seu papel na regência de tantos timbres e sons. Brincamos de "Quem é o Maestro?", atividade onde uma criança tem que descobrir quem é o maestro, ou seja, a quem estão, todos, seguindo em gestos e sons. Mostrei um vídeo caseiro, enviado por minha irmã, de Paris, mostrando jovens violinistas tocando música clássica no metrô. Algumas músicas de roda francesas também mostraram semelhanças com nossos brinquedos cantados como as tradicionais "Frère Jacques" e "Sur le Pont d'Avignon".

Outro momento importante foi a chegada a Nova York, com Frank Sinatra e tudo mais. Mas, hoje em dia, as "Big Bands" deram lugar ao "Hip Hop" e ao "Free Style". A garotada adorou o gênero, inspirando até a sua Festa Pedagógica. Saindo do batidão da cultura urbana, conhecemos o seu lado caipira com a tradicional e desafiante canção infantil onomatopéica "Old Macdonald", aqui conhecida como "O Sítio do Seu Lobato". Com um computador e um banco de sons urbanos para sonoplastia, tentávamos descobrir a qual meio de transporte, som da natureza ou ambiente urbano cada som se relacionava, registrando em desenhos nossas paisagens sonoras.

Rumo à África, na Copa Pererinha, nossos pequeninos, quando não estavam jogando defendendo as cores das suas camisas, gritavam, a plenos pulmões, os gritos das torcidas que elaboramos com eles. Uma festa! Fechamos o semestre nos aprontando para a Festa Junina, explorando um repertório de canções folclóricas.