Relatório de Grupo
"Nós que passamos apressados
Pelas ruas da cidade
Merecemos ler as letras
E as palavras de Gentileza"

Marisa Monte

A Turma da Tinta foi, aos poucos, se conhecendo, estreitando os vínculos e inaugurando parcerias. Nesse processo, o Raoni, com sua habilidade e leveza no trato com as crianças, foi fundamental, já que a professora ainda era nova para o grupo, composto por crianças que vieram de turmas diferentes, necessitando de atenção e investimento que favorecessem a interação e socialização.

Enquanto algumas crianças ainda demoravam em suas despedidas, estimulávamos a criatividade e a curiosidade por meio de histórias, pinturas ou jogos de letras e palavras, no início do dia. Logo, seguíamos com as rodas de planejamento que foram muito organizadoras. Nesses momentos, aproveitávamos para observar o tempo em que cada uma se encontrava e colocar em prática o exercício essencial de escuta. Com alegria e muita cantoria vivenciávamos nossas manhãs.

Depois das crianças contarem sobre suas férias e dividirem, com os amigos, viagens, passeios e outros lugares visitados, surgiram nomes, como o da nossa cidade e de outras, que instigaram nossas primeiras conversas sobre o projeto institucional.

Numa animada votação, a TDM escolheu seu nome: Turma da Tinta. As crianças ficaram felizes e orgulhosas com esse resultado. Estava ali o início de um movimento para que viessem a se reconhecer como grupo.

A partir dessa escolha tratamos de pensar no projeto e ouvir as crianças para começar a traçar os caminhos possíveis.

Tivemos o privilégio de receber a visita de Yara, avó da Sofia Moura. Ela fez uma oficina de tintas com e ensinou uma das formas de produzi-las, o que nos rendeu desdobramentos muito interessantes.

Logo, propusemos um levantamento de lugares onde pudéssemos observar as "marcas de tinta" de nossa cidade. O projeto da Turma da Tinta se anunciava.

Fizemos, então, um "tour" pela cidade. Com máquina fotográfica e filmadora, registramos a cidade através dos olhares das crianças. Apreciamos a arte urbana, como os grafites, painéis, calçadas e murais. Também as tintas do asfalto, das placas de trânsito e de outras sinalizações, não nos esquecendo das casas e edifícios pintados. Tínhamos, como objetivo, a partir dos passeios e das conversas em sala de aula, aproximar as crianças dos cuidados necessários com a cidade. As marcas de tinta, além de enfeitarem, também apareceram como peça fundamental na organização e nos limites da sociedade como um todo.

O grupo observou as casas do Dona Marta e visitou a Escola Municipal Pedro Ernesto, que despertaram especial atenção para as diferenças, provocando indagações, curiosidades e outras reflexões. Na volta do passeio, as crianças tiveram oportunidade de conversar com o Joilson, nosso funcionário e morador do Dona Marta, sobre o dia-a-dia na comunidade e o que ele e seus vizinhos pensam sobre a iniciativa do governo de pintar as fachadas de suas casas.

Nesse mesmo passeio, o grupo se empolgou com os escritos do Profeta Gentileza, nos muros da Estação Leopoldina. A convivência com a história desse personagem convidou as crianças a repensarem seus hábitos e atitudes para um convívio mais harmônico. Suas mensagens sensibilizaram a Turma da Tinta provocando, nas crianças, o desejo de praticar as ações propostas em seus escritos. O artista ocupou espaço entre os pequenos, com suas histórias e palavras gentis. O grupo experimentou iniciativas, que estão ao nosso alcance, de respeito ao outro e ao bem comum, se aproximando de um despertar para valores e atitudes positivas.

A música de Marisa Monte, que leva o nome Gentileza, também fez sucesso. Aprenderam a cantá-la e, a cada vez que assistiam a seu vídeo, se encantavam com as flores, os cataventos e com as próprias palavras escritas em seu estandarte, o que nos trouxe inspiração para a festa pedagógica e sugeriu movimentos para o exercício de gentileza e cidadania.

Como muitas vezes fazia o profeta, a Turma da Tinta também passeou na barca Rio - Niterói. As crianças levaram flores para os passageiros e cantaram a música Gentileza. Alguns dos presenteados se encantaram com o gesto dos pequenos e quiseram saber qual era o objetivo do passeio. As crianças adoraram: "Esse é o meu primeiro passeio de barca!", "Bom dia! Bom trabalho!" Na Praça XV, todas identificavam, animadas, as placas de sinalização.

Desenhamos caminhos através de sensações, percepções e questionamentos que objetivaram o incentivo para práticas de cidadania, relacionadas à qualidade de vida, atitudes positivas no trato com os amigos e professores, valorização do meio ambiente e discussão sobre a mobilidade urbana.

Partindo de situações de nossa rotina e descobertas em torno do projeto, organizamos atividades para que o grupo pudesse exercitar a escrita, dando-lhe sentido e significado. O trabalho com os nomes dos amigos, o registro dos nomes das salas durante o planejamento e a construção de textos coletivos também tiveram grande importância nesse processo. Diante do confronto de ideias sobre como escrever cada palavra, as crianças tiveram oportunidade de avançar em suas hipóteses e reelaborar seus conhecimentos.

Além de tarefas relacionadas a esse aprendizado, a observação dos números e suas múltiplas funções também estiveram presentes em nosso cotidiano. Contando e registrando os pontos de uma partida, dividindo a turma para uma brincadeira, fazendo estimativas e comparando diferentes quantidades, as crianças puderam ampliar seus conhecimentos sobre o sistema numérico e perceber a matemática como parte da nossa vida.

Aproveitamos a Copa do Mundo e o clima quente das competições e brincamos de "Copa da Matemática". Por meio de diversos jogos, as crianças puderam adquirir mais conhecimentos matemáticos. Nossos pequenos treinaram para se tornarem craques na "copa" que fizemos em sala.

Envolvida em suas pesquisas, a Turma da Tinta trabalhou, com prazer, na sala de artes. Com caixinhas de sucata, as crianças prepararam pequenas cidades, fizeram interferências em fotos de grafites, usando sianinhas e fitas construíram um estandarte com suas próprias palavras, exploraram diferentes técnicas e texturas em pinturas inspiradas na nossa cidade ou em placas de sinalização. Essas e muitas outras produções, fizeram parte da exposição da nossa Festa Pedagógica.

Na Festa, as crianças estavam ansiosas para compartilhar com seus pais o que vivenciaram na escola e ficaram felizes ao apresentar a coreografia, o vídeo e a exposição de artes que retratavam a história do projeto.

Caminhamos para torcer pelo Brasil, confeccionando uma bandeira muito grande, com tinta e papel picado. Com prazer, recebemos Eliane, mãe da Manuela Barroso, que veio nos falar de sua pesquisa sobre os times de futebol, seus uniformes, escudos e brasões.

Ainda assistimos a um vídeo sobre a cultura de Maputo, capital de Moçambique. A turma ficou bastante interessada pelos costumes de lá, identificou as comunidades africanas, percebeu a semelhança entre as línguas faladas aqui e lá e pôde notar a alegria do povo. Adoraram e brincaram com seus os penteados, adornos e tecidos estampados de histórias.

Com os festejos juninos, encerramos nosso semestre com "a grande roda". Danças, músicas e brincadeiras alegraram nossos últimos dias no arraial da nossa Pereirinha.

Agora, uma pausa para sentir o caminho percorrido e desfrutar das conquistas. Tempo de renovar, respirar e abrir espaço para o novo chegar. Deixamos aqui, o nosso abraço carinhoso para cada um de nossos pequenos.
Expressão Corporal
Roberta
Nosso reencontro foi marcado por beijos, abraços e novidades. Em roda, nos apresentamos de uma maneira diferente: brincamos com as sílabas dos nossos nomes, transformando-as em movimento. Retomamos nossa roda de alongamento e preparamos o corpo para os desafios que estavam por vir: um grande circuito com diferentes materiais; túnel, colchão, pranchas de equilíbrio, bambolês, tecidos etc. Entre equilíbrios, pequenos saltos, cambalhotas e outras estripulias, percebemos a evolução motora dos pequenos. Usamos a trilha de "Onqotô", do Grupo Corpo, para experimentar pequenos deslocamentos em diagonal e os diferentes balanços do corpo, dando ênfase às transferências de peso. Utilizamos imagens mentais como abraçar o mundo, pintar a sala etc, para que as crianças pudessem, estimuladas pela imaginação, se apropriar da movimentação proposta.

Ao nos aproximarmos do projeto da turma, exploramos o nome escolhido pelas crianças: Turma da Tinta. Obedecendo ao estímulo sonoro, "pintamos" todo o Salão usando lanternas coloridas. Dividimos a turma em dois grupos, para que as crianças pudessem, além de improvisar, apreciar o trabalho do amigo. Fizemos um teatro de sombra, onde cada grupo deveria preencher o pano branco, com uma imagem, animal ou objeto. Além do próprio corpo, as crianças puderam usar, também, pequenos acessórios. Com fitas em punho, iniciaram a pesquisa de movimentos para a coreografia da música Gentileza, apresentada na Festa Pedagógica.

Após a Festa, assistimos a um trecho de "Maracanã", de Deborah Colker. A Copa estava chegando e era preciso vivenciá-la. Listamos os movimentos dos jogadores de futebol e transformamos os movimentos em uma pequena célula coreográfica. Chutamos a gol, defendemos grandes jogadas e nos divertimos no pouco tempo que tivemos. Da Copa, fomos direto para a Festa de João. Temos pulado muita "fogueira", batendo os pés e as mãos.

Terminamos esse semestre, orgulhosos das conquistas dessa turma e fazendo grandes planos para o retorno das pequenas férias de julho.
Música
Jean
Se o assunto é Cidade, nada como começar o ano envolvidos com a festa popular de maior identidade do carioca, o carnaval. O desejo de ocupar as ruas tocando e cantando mostra um incrível espírito de cidadania e alegria que é compartilhado, naturalmente, pelas crianças. Mesmo sem o nosso bloco este ano, fizemos da nossa chegada um verdadeiro carnaval. "Cidade Maravilhosa / Cheia de encantos mil / Cidade Maravilhosa coração do meu Brasil! Mas a coisa pegou fogo, mesmo, com a batucada da garotada com tambores e chocalhos. "Allah la ô / Mas que calor! Antes da escolha do nome da turma, contamos a história musical recolhida pela Bia Bedran, "Tatecalanque - a história do menino que não tinha nome".

A Turma da Tinta pintou um bocado neste primeiro semestre. A música pareceu colorir e dar o tom do trabalho. Pelas sete cores do arco-íris, a colorida paleta da turma conheceu as cores do pintor que batia à porta. "Pom, pom, pom / Quem é? / Pode entrar / Sou o seu pintor e sua casa vou pintar". Depois, apreciamos a engraçadíssima música do grupo Boato, a Xuxa Preta: "A Xuxa pintou o cabelo de preto / Causando a maior correria nas fábricas de brinquedo / (…) / Passa tinta no cabelo da boneca / Passa tinta!". Para acompanhar a batida da música, usamos pés e palmas para depois, com tambores e chocalho,s arriscarmos na batida funkeada.

Seguindo os rumos do projeto, embarcamos, na Praça XV, no mundo do Profeta Gentileza. As crianças memorizaram a letra da música de Marisa Monte em homenagem ao Profeta. "Apagaram tudo / Pintaram tudo de cinza / Só ficou no muro / Tristeza e tinta fresca". Devido à empolgação geral do coro, fizemos um trabalho de registro da cantoria em cima de uma base feita no computador. Sobre essa base, gravaram suas vozes em pequenos grupos. O resultado ficou bem bacana. Numa outra ocasião, pedimos que prestassem atenção aos diferentes sons da cidade. Com um banco de sons urbanos, para sonoplastia, tentávamos descobrir a qual meio de transporte, som da natureza ou ambiente urbano cada som se relacionava, registrando o resultado desenhando no papel. Na Copa da Pererinha, nossos pequeninos, quando não estavam jogando defendendo as cores das suas camisas, gritavam, a plenos pulmões, os gritos das torcidas que elaboramos com eles. Uma festa! Fechamos o semestre nos aprontando para a Festa Junina, explorando um repertório de canções folclóricas.