Projeto
As crianças da F1M começaram o ano colocando o pé na estrada! Nos primeiros dias de aula manifestaram alegria por estarem juntas.A chegada à nova escola, para umas, e à nova sede, para outras, foi motivo de grande curiosidade e emoção. As regras de convivência da turma foram sendo estabelecidas à medida em que as crianças iam se conhecendo e entendendo a nossa dinâmica e rotina. Ao longo deste período o grupo foi ficando mais integrado, alegre e interessado pelas propostas da escola.

Com a intenção de despertar a curiosidade do grupo para o Projeto Institucional "Cidades - Das Aldeias às Grandes Metrópoles" pedimos que colaborassem com sugestões de nomes para a turma, que estivessem relacionadas ao tema. Depois de uma animada votação a F1M passou a se chamar "Turma da Estrada", um nome interessante que, inicialmente, nos levou a pensar sobre as estradas, ruas e meios de locomoção de nossa própria cidade. Também perguntamos às crianças como seria o meio de transporte que cada uma delas gostaria de usar para se locomover e se seria possível utilizá-los numa grande cidade. Tínhamos o intuito de fomentar uma reflexão sobre os processos de transformação e seus efeitos nas grandes metrópoles.

Mais adiante, pedimos que listassem os lugares onde mais gostavam de passear e como faziam para ir de casa até eles. Construímos um enorme mapa do Rio de Janeiro, identificamos alguns bairros e localidades, comparamos suas distâncias e tamanhos.

Nosso dia a dia foi sendo preenchido com muitas brincadeiras e atividades ligadas ao projeto, que caminhava em torno de discussões sobre o trânsito e os transportes de nossa cidade. Fizemos corridas de velotrol, construímos carrinhos de sucata, brincamos a valer no pátio, representando diferentes transportes e, assim, fomos preenchendo nossas manhãs, com muita alegria, diversão e aprendizagem.

Depois de explorar o nome da turma e os diversos meios de transporte, levamos as crianças a refletir sobre como as pessoas se locomoviam antes mesmo das cidades existirem, lançando-lhes as seguintes perguntas: Será que antigamente existiam todos estes transportes? Como as pessoas se locomoviam? A partir daí, conversamos com nossos pequenos sobre a evolução dos meios de transporte e das cidades. A turma aprendeu que para se deslocar, essas pessoas usavam apenas "pés e patas" e que, com a invenção da roda, começaram a surgir outros meios de transporte que ajudaram o homem em seus deslocamentos.

E agora? Com todos esses meios de transporte ficou mais fácil para as pessoas se locomoverem na cidade? Essa foi a pergunta que desencadeou uma boa discussão sobre os engarrafamentos, a quantidade de carros nas ruas e a importância de transportes coletivos eficientes para a população.

Os transportes coletivos ajudam a diminuir os engarrafamentos? O que é preciso para diminuir o número de carros nas ruas? Para responder às questões, resolvemos fazer um passeio em que um de nossos objetivos era despertar nas crianças uma consciência cidadã, de pertencimento à nossa cidade. Fizemos então, um passeio no qual utilizamos ônibus, bondinho do plano inclinado e metrô, num mesmo dia. Foi uma diversão andar nesses três transportes, conhecer o Outeiro da Glória e, lá de cima, avistar os caminhos e outros tipos de transportes que existem no Rio de Janeiro: "Olha a Ponte Rio -Niterói! Tem um navio! Olha o aeroporto! As ruas são pequenininhas! Têm muitos carros!" Esses foram os comentários das crianças durante esse passeio que deu oportunidade, para algumas, de andar, pela primeira vez, de metrô e de bondinho do plano inclinado.

Com o livro-imagem "Na garupa do meu tio", do ilustrador David Merveille, construímos uma história e demos nomes aos três personagens principais: Tio Beto, Arara Arco- Íris e Catarina. Nele, o Tio Beto passeia de bicicleta por Paris, sua cidade natal, e vai passando por diversas aventuras. Assim, as crianças puderam ter um contato mais sistemático com a escrita e a leitura. Durante todo o projeto procuramos garantir a diversidade de textos. Lemos jornais, histórias da literatura infantil, textos informativos e cartas, dando sentido às experiências vividas por elas e significado à função do texto. Aprenderam que um texto escrito pode proporcionar momentos de prazer, além de comunicar coisas importantes.

Nas aulas de Artes, confeccionamos bonecos de papel pardo para representar os personagens e construímos uma caixa de correios onde trocamos correspondências com esse tio, mostrando-lhe como localizar alguns lugares de nossa cidade e quais são os transportes que ele poderia utilizar para chegar aqui. Ele, por sua vez, nos contou um pouco sobre Paris, a cidade onde vive, nos dando a chance de compará-la com o Rio. Com isso as crianças puderam exercitar sua escrita comunicando-se com o Tio Beto por meio de cartas e cartões postais.

À medida que fomos pesquisando os meios de transporte que o personagem precisaria utilizar para chegar aos lugares desejados, decidimos fazer um outro passeio para que as crianças pudessem ver e utilizar outros meios de transporte. Foi então que passamos de ônibus pela Ponte Rio-Niterói e voltamos para o Rio de barca. Foi uma alegria! Muitos ainda não tinham andado nesse transporte, familiar a tantos cariocas. Depois de muitas histórias vividas na companhia do querido Tio Beto, chegou a hora dele se despedir de nós e da "cidade maravilhosa".

Desta vez, o passeio que fizemos foi ao aeroporto Santos Dumont .Lá deixamos nossos visitantes, para que retornassem à sua cidade de origem, Paris. Foi um momento muito especial para a turma. Todos lhes deram muitos beijos e abraços e acenaram, com a promessa de que trocariam muitas cartas. Temos certeza de que nossas crianças, mesmo tendo a consciência de que tudo não passou de uma enorme fantasia, sentirão saudade. Na Festa Pedagógica a turma dançou a coreografia criada nas aulas de Expressão Corporal, para a marchinha "Corre corre, lambretinha", de Braguinha, que fala sobre a evolução dos transportes, e tocou a música "Trem Maluco", utilizando instrumentos de sucata, confeccionados nas aulas de Música. No final, mostraram seus trabalhos de Artes para suas famílias, dentre eles, as pinturas deTarsila do Amaral e as esculturas de Rodin, artistas apresentados por Tio Beto. Conhecer suas obras possibilitou um contato lúdico com a arte. Criar trabalhos, a partir delas, permitiu que adquirissem novas referências técnicas para compor trabalhos, ampliando seu repertório plástico.

Em Matemática, aproveitamos os números presentes nas situações práticas e em sua função social para problematizar, provocar, investigar. Também investimos em tarefas que levaram o grupo a pensar "matematicamente". Procuramos valorizar suas estratégias para resolver problemas, e estimulá-las a fazer cálculos mentais, considerando o interesse das crianças por recitar a sequência numérica e contar. Os jogos de trilha, dados, bingo, Uno e outros, estiveram sempre presentes em sala de aula, ajudando-as a formar o hábito de raciocinar, contar, ordenar e também na socialização entre elas.

No final do semestre começamos a ler o livro adotado para a turma, "A Grande Aventura da Maria Fumaça", de Ana Maria Machado. Fizemos rodas de leitura e incentivamos a leitura compartilhada entre as crianças. A partir dessa história, pesquisamos sobre o trem, praticamente extinto no nosso país, e sobre a diferença entre as cidades grandes e do interior. A essa altura, todos puderam entrar em contato com seus processos de aquisição de maior fluência na leitura do texto. Foi importante para que as crianças percebessem a grande autonomia que haviam conquistado. A partir desse momento, muitas passaram a procurar os livros de nossa biblioteca de sala, para ler nos tempos livres.

Depois de todos esses aprendizados a Turma da Estrada foi para as ruas de Botafogo, em passeata, com cartazes e panfletos nas mãos, alertando os moradores do bairro para a questão da poluição, provocada pelo uso abusivo dos transportes nos grandes centros urbanos, e para os grandes engarrafamentos, pedindo às autoridades melhoria dos transportes coletivos para o Rio de Janeiro e, consequentemente, uma vida mais saudável no ambiente urbano. Procuramos observar criticamente a nossa cidade, para também conhecermos o mundo e a nós mesmos. E foi assim, que essa turma querida terminou o semestre. Guardaremos muitas recordações dos momentos significativos que passamos juntos.
Música
Iniciamos o ano com jogos e brincadeiras onde os conceitos: grave/agudo e som/silêncio foram trabalhados. Na busca de uma aproximação com o tema do projeto institucional "Cidades" iniciamos uma conversa sobre o lixo da cidade e de que forma podemos reciclá-lo ou reaproveitá-lo. Passamos a uma apreciação de vídeos com produções musicais a partir de experiências com instrumentos feitos de sucata. Recolhemos, então, uma boa quantidade de sucata e criamos os nossos próprios instrumentos. Em seguida, numa parceria com o tema "Transporte" , estudado nas aulas de Projeto, fizemos uma adaptação de "O Trem Maluco", do cancioneiro folclórico . Depois de aprender a cantar a música, passamos a ensaiar um arranjo, onde utilizamos metalofones e os instrumentos de sucata criados pelas crianças. Apresentamos o resultado na Mostra de Artes.

Nas aulas de música, aproveitamos a proximidade da Festa Junina para conhecer um pouco mais desse universo. As crianças assistiram ao vídeo do artista Jackson do Pandeiro e aprenderam a cantar as músicas "Sebastiana" (Rosil Cavalcante) e o "Canto da Ema" (João do Vale). Conheceram os instrumentos típicos do Nordeste e conheceram um pouco da história de Luiz Gonzaga por meio da leitura do livro "Luiz Lua", de Lucilia Garcez.
Inglês
Que turma animada! Não foi preciso muito tempo para percebermos que esascrianças chegaram com tudo, na Pereirona! Curiosos e interessados, logo se adaptaram à rotina das aulas de inglês e começaram a cantar as músicas que, rapidamente, se tornaram hits e foram construindo o caminho do projeto de 2010.

A primeira delas foi "Brown Bear", tema musicado a partir de um livro infantil muito conhecido pelas crianças de países de língua inglesa. Escrito por Bill Martin Jr e lindamente ilustrado por Eric Carle, apresenta alguns animais e cores, perfeito para nossos pequenos. Sem que eles percebessem, esse vocabulário passou a fazer parte dos diálogos e brincadeiras. Assistimos a um vídeo no qual o próprio Eric Carle lê, enquanto as imagens do livro desfilam na tela. Fizemos também um bingo com as cores. Foram várias partidas animadas!

Uma música que fez sucesso foi "I like to count my fingers", uma quadrinha simples na qual as crianças contam os dedos e aprendem os números de 1 a 10.

Outro hit imediato foi "Yellow Submarine", sucesso dos Beatles que, como chiclete, grudou e passou a ser cantada em todas as aulas. Ouvimos a música, observando quais palavras já conhecíamos, e foi muito legal para as crianças poderem reconhecer na letra as cores "blue", "yellow", "green" e outras palavras como "Sun", "sea", "sky", "friends". Elas acharam tão bacana que resolvemos colocar o popular submarino na capa do nosso caderno!

Partimos com o submarino e fomos aprendendo outros meios de transporte que foram surgindo, através das relações estabelecidas entre estes e as cores. Assim, cada um foi apresentado com um enunciado que podia ser um jogo de adivinhação. Por exemplo: "It is red, it is big and make a loudly noise...(sound). What is it? Firetruck!"

A cada dia um meio de transporte diferente foi escolhido para ser explorado e ilustrar nosso caderno de inglês. Não faltou criatividade e capricho! E sem que percebêssemos, essas palavras todas passaram a fazer parte das nossas conversas e brincadeiras. Estamos ansiosos por aprender ainda mais no próximo semestre! Até lá!
Expressão Corporal
Muitas novidades marcaram o início do ano para as turmas de F1. Nos nossos primeiros encontros, as rodas de aquecimento serviram para nos preparar e situar as crianças numa postura de aprendizado e cuidados necessários às atividades corporais. Tirarmos os sapatos e sentamos em roda, mobilizamos o corpo, conversando sobre sua estrutura. Com o intuito de aproximar as crianças das amplas possibilidades motoras e expressivas, sugerimos brincadeiras e jogos, estimulando o conhecimento das noções proprioceptivas, incitando-as, pela ludicidade, a um aprendizado estruturante de seu corpo, no convívio com os colegas.

Colchonetes, bolão, pernas de pau, bambolês e pranchas de equilíbrio foram alguns dos materiais dispostos, para realização de circuitos na sala. Encantados com as novidades, as crianças iam percebendo seus limites e possibilidades numa atividade dinâmica de movimento.

Passeamos um pouco pelo tema do Hip Hop, trazendo alguns dos elementos da dança de rua para as aulas. Criamos uma seqüência dinâmica de movimentos circulares, inspirados pelos vídeos a que assistimos. Começando no nível alto, passando pelo médio até o baixo, íamos experimentando em cada etapa, desenhos circulares com o corpo pelo trajeto combinado.

Escolhido o nome da turma, sugerimos atividades de deslocamento, inspirados em trajetos e sinalizações. Criamos um jogo de trânsito pela sala usando túneis, vias de mãos duplas, direções de fluxo, contramão, sinalização sonora e até multa.

Utilizamos a marchinha de Braguinha, "Corre Corre Lambretinha", para montar uma coreografia, que foi apresentada na Festa Pedagógica. Primeiro, improvisamos bastante, experimentando e nos divertindo com os elementos figurativos da letra e, em seguida, elaboramos as formações circulares e as filas, além dos cruzamentos e túneis que fizeram parte da coreografia.

No final do semestre, a Cana Verde, dança folclórica divertida e animada, entrou nas aulas, alegrando nossos últimos ensaios para a Festa Caipira!
Educação Física
Ano de Copa do Mundo na África e as crianças, empolgadas, já queriam saber se teríamos Olimpíada ou Copa na escola. Passado este primeiro momento de ansiedade e com a confirmação de que haveria a Copa da Sá Pereira, todas puderam desfrutar de manhãs e tardes divertidas no Pereirão.

Os jogos de basquete, handebol, queimado, futebol, pique-bandeira, possibilitaram às crianças experimentar e desenvolver as ações motoras de correr, parar, saltar, lançar, quicar, chutar, testar equilíbrio e mudanças de direção, resultando em maior coordenação e noção de tempo, melhor locomoção pelo espaço e diferentes possibilidades de movimento. As competições por equipes contribuíram, ainda, para reforçar o trabalho em grupo.

Estas atividades colocaram à prova as emoções dos meninos e meninas abrindo espaço para reivindicações e exposição de sentimentos de alegria e tristeza com as vitórias e derrotas. Também através delas pudemos exercitar as regras de convivência, o respeito ao outro e às diferenças e a paciência para solucionar problemas.

Nos Pereirões livres, onde as crianças podem escolher que atividade querem fazer, os grupos foram estimulados a por em prática sua capacidade de dividir o espaço, ceder em suas escolhas e chegar a um consenso, aprendizados importantes não só na Educação Física, como na vida fora do universo escolar.

A Copa da Sá Pereira foi um sucesso! As crianças deram um show em campo e fora dele, com animadas torcidas.

Os alunos da F1M chegam ao Pereirão muito animados para jogar, mas ainda apresentam muita dificuldade para escutar as orientações para os jogos propostos. Gostam de queimado e futebol. O ínicio das atividades demanda, ainda, a mediação intensa do professor, mas, começado o jogo, se divertem e participam bastante.

Encerramos o semestre com o nosso Pereirão Junino, onde realizamos brincadeiras desta festa tradicional, adaptadas em forma de competições por equipes, reforçando a importância do trabalho coletivo. Viva Santo Antônio, São Pedro e São João!