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Projeto
O retorno das férias foi marcado por muitas novidades, nova turma, nova professora e nova rotina. As crianças, naturalmente, sentiram falta dos amigos que ficaram na outra turma, mas também se alegraram com a chegada de outras crianças, com quem, rapidamente, tornaram-se amigos. E, assim, em clima de entrosamento, foram se adaptando à dinâmica do Segundo Ano.
O grande desafio deste grupo tem sido conquistar autonomia no que diz respeito à sua organização e postura. De um modo geral, as crianças se envolvem com as propostas, participam, perguntam, questionam, pesquisam e vão construindo novos conhecimentos. No entanto, muitas vezes o comportamento ainda inadequado, com muita conversa e brincadeira fora do contexto, acaba desorganizando o grupo, e prejudicando a troca durante as atividades. Esse aspecto da turma gerou importantes conversas. Nossa intenção tem sido ajudar as crianças a perceberem o seu papel de estudante e o cuidado que precisam ter, quando fazem parte de um grupo. Assim, acreditamos estar dando um suporte na construção de uma postura mais madura. Observamos avanços e, certamente, terminamos o semestre com a sensação de um comprometimento maior de cada um com o grupo, com a harmonia e o bom funcionamento da nossa rotina, mas sabemos também que essa construção continuará ao longo do próximo semestre, e novas conquistas virão.
As conversas sobre as férias, a investigação de quais lugares haviam sido visitados por nossos alunos, o que motivou as escolhas dos destinos nas férias, nos fizeram pensar sobre as diferenças e semelhanças entre as cidades e, assim, voltamos o olhar para a nossa e buscamos entender como ela funcionava. Elaboramos, então, uma listagem do que existe na cidade e, a partir daí, construímos duas trilhas com jeito de cidade grande. Pensamos em obstáculos e ajudas que fossem situações possíveis de acontecer em cidades grandes, como o Rio de Janeiro. Um levantamento de hipóteses foi feito para descobrir o que é cidade, para nossas crianças: "Um lugar onde as pessoas moram, trabalham, brincam, estudam, viajam, constroem prédios e casas e aproveitam passeando." Elegemos alguns aspectos da nossa cidade para estudar e, dessa maneira, entender melhor a estrutura das cidades atuais. As habitações, o sistema de água e esgoto, os meios de transporte, o comércio e o governo, foram temas de conversas, desenhos, pesquisas, jogos e observações.
Viajamos no tempo e fomos parar na Idade Média, tempo que povoa o imaginário das crianças por suas histórias de príncipes, princesas e cavaleiros. Mas será que a vida nas cidades medievais era igual à que conhecemos nos contos de fada? Nossa idéia era justamente descobrir como se vivia nas cidades-castelo. Quais eram os principais elementos estruturantes desses lugares, quem eram as pessoas que ali viviam, como eram suas habitações, quem os governava? Traçamos uma linha do tempo e observamos dois mapas da Europa, um atual e outro de como era dividida na Idade Média, para tentarmos nos aproximar de um entendimento em relação às diferenças e semelhanças nesses tempos e espaços distintos. Como vimos com as crianças,eram aproximadamente mil anos de história, certamente não daríamos conta de estudar sobre esse período tão longo, então nos detivemos nos séculos finais, quando já apareciam as cidades mais estruturadas e os castelos-fortaleza que tanto nos encantam. Também nos ajudaram muito a construir uma imagem dessas cidades os livros "Como seria sua vida na Idade Média" de Fiona Macdonald e "Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda" de Sir Thomas Malory. O primeiro, nos ajudou a entender os aspectos práticos da vida medieval: como eram as casas, castelos, como aprendiam, se divertiam, as profissões mais comuns nas cidades e nos campos, a alimentação e as vestimentas usadas. Já o segundo, nos envolveu numa trama cheia de surpresas e aventuras e ajudou a ilustrar como viviam cavaleiros, reis e nobres naquela época, sempre envolvidos em batalhas e conquistas de territórios. O filme "Lancelot, o primeiro cavaleiro.", de Jerry Zucker, também nos levou a entender melhor a vida naquela época.
O passeio que fizemos à Catedral Metropolitana e ao Outeiro da Glória, foi uma ótima oportunidade de olhar nossa cidade por outro ângulo e nos encantar com as cores que invadiam a catedral e nos revelavam enormes vitrais. No Outeiro, vimos que histórias bíblicas estavam registradas em azulejos, mudando apenas o meio, mas mantendo um costume que teve origem lá nas catedrais medievais, com seus belos vitrais.
Já era tempo de iniciarmos os ensaios para a Opereta Medieval. Com muita alegria, as crianças se transformaram em cavaleiros, ferreiros, trovadores, costureiras e cozinheiras, dançaram e cantaram com empenho e graciosidade. As atividades de Artes também se voltaram para a preparação da exposição com os trabalhos mais significativos do semestre. Aquarelas inspiradas em pinturas do Rio de Janeiro, o desenho inspirado no trabalho dos Gêmeos, nomeado por nós como homem na chaminé e a "Skyline" moderna representaram a nossa cidade. A releitura da obra de Bruegel, " Jogos Infantis", os vitrais, as construções medievais pintadas a guache e a Skyline medieval, nos levavam a outro tempo, onde as cores e formas eram diferentes das que vemos hoje e caracterizavam uma arquitetura muito peculiar, do final da Idade Média.
Na última semana de aula, ainda tivemos fôlego para um banquete medieval com direito a música, traje e um clima todo especial propiciado pela iluminação feita através dos vitrais. Desta maneira, encerramos nosso projeto, seguindo o exemplo dos moradores das cidades medievais que, independente da função que exerciam, sempre encontravam tempo para festas e comemorações!
Matemática
Iniciamos o ano, trabalhando com a função social da Matemática. Para isso, as crianças foram convidadas a pensar nos números da sua vida e, também, a descobrir em que situações do nosso dia a dia usamos a Matemática e, muitas vezes, nem percebemos. O sistema de numeração decimal, as sequências numéricas e as diferentes maneiras de formar dez invadiram nossa sala e as trabalhamos de diferentes maneiras: com fichas, livro didático, problemas e jogos, muitos jogos com dados e cartas essas descobertas ficaram mais divertidas e significativas para as crianças. A chegada da "Família Gorgonzola" foi motivo de alvoroço! Para estrear o livro "Os Problemas da Família Gorgonzola", de Eva Furnari, fomos para a cozinha e colocamos a mão na massa. Juntos, fizemos deliciosos muffins de gorgonzola; mesmo os mais desconfiados acabaram provando e se deliciando com o bolinho. Aproveitamos a receita para trabalhar com medidas e conceitos como dobrar, triplicar ou fracionar uma quantidade. Os problemas são divertidos e envolvem a turma num gostoso clima na hora de resolvê-los. Aos poucos, foram conhecendo diferentes recursos utilizados pelo grupo e percebendo que existem várias formas de resolver um mesmo problema. Assim, organizam e ampliam seus conhecimentos, construindo um acervo de recursos eficientes para solucionar diversos tipos de situações. Tanto os jogos, como a leitura e interpretação dos divertidos problemas vividos por Grudi, Picles e Garrancho, transformaram o ambiente de aprendizagem, num espaço lúdico onde o conhecimento é construído de maneira significativa.
Decompondo os números e fazendo as contas, pensando em formar dez, as crianças vão se familiarizando com as regras do nosso sistema de numeração e tornam-se mais autônomas para operar, nas diversas situações matemáticas e, assim, vão também ampliando seu campo numérico.
Chegou então a hora do descanso, hora de recarregar as baterias para um novo semestre, cheio de desafios e conquistas. Boas férias!
Educação Física
Ano de Copa do Mundo na África e as crianças, empolgadas, já queriam saber se teríamos Olimpíada ou Copa na escola. Passado este primeiro momento de ansiedade e com a confirmação de que haveria a Copa da Sá Pereira, todas puderam desfrutar de manhãs e tardes divertidas no Pereirão.
Os jogos de basquete, handebol, queimado, futebol, pique-bandeira, possibilitaram às crianças experimentar e desenvolver as ações motoras de correr, parar, saltar, lançar, quicar, chutar, testar equilíbrio e mudanças de direção, resultando em maior coordenação e noção de tempo, melhor locomoção pelo espaço e diferentes possibilidades de movimento. As competições por equipes contribuíram, ainda, para reforçar o trabalho em grupo.
Estas atividades colocaram à prova as emoções dos meninos e meninas abrindo espaço para reivindicações e exposição de sentimentos de alegria e tristeza com as vitórias e derrotas. Também através delas pudemos exercitar as regras de convivência, o respeito ao outro e às diferenças e a paciência para solucionar problemas.
Nos Pereirões livres, onde as crianças podem escolher que atividade querem fazer, os grupos foram estimulados a por em prática sua capacidade de dividir o espaço, ceder em suas escolhas e chegar a um consenso, aprendizados importantes não só na Educação Física, como na vida fora do universo escolar.
A Copa da Sá Pereira foi um sucesso! As crianças deram um show em campo e fora dele, com animadas torcidas.
As crianças da F2MA ainda precisam de ajuda na organização para o início dos jogos. O futebol parece ser a preferência da maioria que chega, ansiosa, para o início da atividade, o que, muitas vezes, acaba atrapalhando um pouco a escolha dos times.
Encerramos o semestre com o nosso Pereirão Junino, onde realizamos brincadeiras desta festa tradicional, adaptadas em forma de competições por equipes, reforçando a importância do trabalho coletivo. Viva Santo Antônio, São Pedro e São João!
Expressão Corporal
A turma chegou com tudo nas aulas de Expressão Corporal! Um grupo novo, cheio de novos amigos e muitas novidades marcaram o início do ano. Foram todos se familiarizando com nosso ritual e com as regras de convivência, experimentando o corpo em movimento.
As crianças demonstraram muito empenho nas aulas, curiosas e interessadas nas atividades sugeridas. Foi importante relembrar os cuidados necessários com o corpo no espaço da sala. A roda, no início das aulas, concentrava e preparava para a exploração adequada das possibilidades motoras. O aquecimento proporcionava a descoberta de novas habilidades, além da percepção dos limites para situá-los na própria aula, nas regras e na organização do corpo, com uma postura de aprendizado.
Exploramos o universo do Hip Hop, inspirados pelo Tema Institucional. Enquanto contextualizando essa cultura historicamente, apresentamos algumas das suas manifestações por diferentes cidades. Assistimos a vídeos e elencamos alguns passos da dança de rua para compor uma coreografia, que foi sendo incorporada às atividades, acrescida de novos passos a cada aula. Assim, garantimos a oportunidade de trabalhar o ritmo, as possibilidades de divisão da música com movimentos, além da memória coreográfica que foi sendo adquirida pelo grupo.
Propusemos um exercício de apoio dos pés na parede, em deslocamentos, praticando saltos e torções possíveis. Sugerimos algumas manobras e as crianças exploravam outras, experimentando novas habilidades, atentas a seus limites. Falamos do cuidado com o "trânsito" na movimentação coletiva e fizemos uma dinâmica colocando em prática a simultaneidade nos saltos coletivos. Foi um exercício bem aproveitado favorecendo algumas noções de equilíbrio e eixo, além de garantir a diversão das crianças.
Exploramos as possibilidades de movimentos, estimulados por improvisos coletivos, e numa brincadeira circular de "roubar a dança" do amigo. Assim, todos tiveram a oportunidade de experimentar variações possíveis de movimentos, nos níveis baixo, médio e alto.
Da dança de rua, urbana e contemporânea, voltamos no tempo, até a Idade Média, imaginando como seria a movimentação numa cidade medieval. Recriamos a letra da "Opereta Medieval", de Ana Moura, e começamos os ensaios da nossa dança, apresentada na Festa Pedagógica. Em pequenas performances, cada grupo demonstrou muito envolvimento no seu papel, interpretando, através da dança, seu personagem medieval com maestria.
No final do semestre ensaiamos a Ciranda de Tarituba, dos arredores de Paraty, apresentada na Festa Caipira.
Inglês
Como são competentes essas crianças! Muito antenados e curiosos, não há assunto, tema ou conteúdo que não seja rapidamente explorado por essa turma.
A grande novidade deste ano é o registro escrito no caderno e nas fichas. E como eles estavam ansiosos por esse momento!
Para incrementar as novas descobertas, usamos vários jogos como Bingo, Forca, Jogo da Memória entre outros que mantiveram o foco na escrita e leitura, mas ainda com a ajuda de imagens.
Ao longo do semestre, muito atentas, as crianças observaram e questionaram algumas regularidades e irregularidades da escrita da língua, comparando com a língua portuguesa. Como exemplo conversamos sobre as palavras que terminam em N, ou em dois LL, o uso da letra W, tão rara na língua portuguesa. Essas reflexões foram desdobradas em atividades, com letras móveis, durante as quais eles puderam brincar com as hipóteses que surgiram, e discuti-las no grupo. O computador também foi usado como importante ferramenta na descoberta da escrita. Para o próximo semestre, planejamos explorar ainda mais esse recurso, apresentando jogos com palavras online e através do uso do editor de texto.
Muitas foram as descobertas relacionadas ao projeto da turma. Nomeamos as diferentes partes que constroem um castelo medieval, pesquisamos imagens de castelos no computador, aprendemos a desenhar cavaleiros e armaduras e também os "illuminatis", letras rebuscadas que ilustram os livros e manuscritos daquela época. O envolvimento das crianças com o projeto foi enorme, o que facilitou a ampliação deste para as aula de inglês, tornando as atividades bem significativas.
Música
Começamos o ano, afinando com o tema estudado pelas crianças nas aulas de Projeto e de outras linguagens artísticas: conversamos sobre "Cidades" pelo viés dos sons da cidade. Discutimos a possibilidade de usar esses sons na música, expandindo assim a própria concepção de música. Estas conversas tiveram como estopim a escuta de diferentes fontes sonoras, contendo sons tipicamente urbanos. Uma das fontes escolhidas foi a música "Rua da Passagem (Trânsito)", de Lenine e Arnaldo Antunes, que logo começou a ser cantada pelas crianças. As atividades sobre os sons da cidade não se esgotaram e ainda têm desdobramentos possíveis.
Ainda no início do ano retomamos o estudo do método "O Passo", apresentado às crianças no ano passado. Este estudo é importante nas aulas de Música, pois ele possibilita que as crianças desenvolvam uma maior compreensão de vários elementos musicais o que leva a uma execução musical mais consciente, precisa e prazerosa. "O Passo" também oferece uma boa oportunidade de exercício e aquisição de autonomia nos seus estudos.
Alternamos aulas mais focadas no estudo individual deste método com aulas nas quais as crianças tocaram percussão em grupo, recuperando levadas simples de xote e ciranda. Na medida em que o semestre foi passando e que as crianças iniciaram, em projeto, o estudo sobre a Idade Média, acrescentamos ao nosso repertório uma levada inspirada na música medieval, mais especificamente no período dos trovadores. Para acompanhar essa "levada medieval" cantamos a "Opereta Medieval" apresentada na Festa Pedagógica.
Na volta das férias seguiremos cantando, tocando e estudando "O Passo", buscando enriquecer cada vez mais as práticas musicais da turma.
Para isso, a turma precisará manter seus esforços para aproveitar, ao máximo, nossos encontros, focando, cada vez mais, sua energia nas atividades propostas.
Teatro
Iniciamos o ano introduzindo alguns jogos e exercícios teatrais, já que, para alguns alunos, este é o primeiro contato com uma aula de teatro. Em seguida, abordamos o tema Cidades, perguntando: Que lugares vocês gostam de visitar em nossa cidade? Que lugares vocês não gostam? Que outras cidades vocês conhecem? No caminho de casa até a escola por quais lugares vocês passam e quem ocupa esses lugares? Assim, começamos a trazer à tona os personagens da cidade, pessoas que encontramos na rua, que nos são familiares, que fazem parte do dia a dia de uma cidade grande como o Rio de Janeiro- o gari, o guarda de trânsito, o carteiro, o pipoqueiro, o entregador de pizza, o jornaleiro e outros.
Os alunos de F2 aprenderam a criar uma cena teatral a partir de conceitos como: Quem; Onde; O que, explorando os personagens, os lugares e as situações da cidade grande. As crianças eram divididas em pequenos grupos, cada uma escolhia um personagem e o grupo escolhia um lugar onde esses personagens pudessem estar. Desta forma, iniciava-se uma pequena improvisação, na qual os personagens se relacionavam, criando, assim, uma situação teatral. Na tentativa de aperfeiçoar a criação das cenas, os alunos também se familiarizaram com a idéia de que toda história (ou cena teatral) deve ter um início, um meio, e um final. No início, há a apresentação dos personagens: Quem são, onde estão, o que fazem e quais são seus objetivos. O meio é o momento em que aparece o conflito, a problemática, ou seja, aquilo que atrapalha a trajetória dos personagens. O fim é quando os personagens conseguem solucionar o conflito, chegando ao final da encenação. As crianças foram incentivadas a criarem suas próprias histórias de forma coletiva, ou seja, cada aluno cria um pedacinho da cena. Depois, os alunos se divertiram ao elaborar imagens corporais (quadro vivos) que representassem cada um desses momentos da história. Em seguida, fizeram o mesmo exercício utilizando uma peça conhecida, "O Rapto das Cebolinhas", de Maria Clara Machado.
Logo após a Festa Pedagógica e o estudo da Idade Média, iniciamos uma parceria com as aulas de Projeto, usando a lenda do "Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda" para explorar os personagens da cidade medieval.
Tribo
A TRIBO, O GRUPO
Calouros de Tribo: uma apresentação sobre este espaço se faz necessária. Convidamos alunos do Quinto Ano para explicar "Para que serve a Tribo?". A lista de atribuições que as crianças desenrolam pode-se resumir nesta ideia: para aprender a conversar coletivamente. Esse é o objetivo principal de nossos encontros: avaliar o que é importante para o grupo, o que lhes diz respeito enquanto turma e que assuntos são pertinentes para cada um nesta experiência coletiva. Como estão chegando, é uma aprendizagem que se dá com o tempo, com as vivências, a prática das conversas, das polêmicas, dos debates, das discussões sobre o porquê das regras de convivência, sobre as diferentes versões da mesma história, de um mesmo conflito. Com nossa mediação, muitas vezes podemos ver ideias e posturas mais rígidas flexibilizarem-se, não por imposição, mas por análise, compreensão e discernimento. É um processo que certamente dura uma vida, mas seus alicerces estão sendo pouco a pouco plantados e vão moldando a forma de estar no mundo e de ser de cada um, nesta convivência intensa que nos demanda atenção, cuidado e muitas aprendizagens.
AS ATIVIDADES
Desejos
Já é tradição. Registrar num papel qual o seu desejo para este ano na turma: aprendizagens, amizades, descobertas, amadurecimento, passeios, campeonatos e tantos outros. Esse desejo fica bem guardado até a última Tribo do ano. Então, numa roda, cada um relê o seu, acha graça, não entende a letra, descobre que já aconteceu, ou que não é mais seu desejo. Não importa. A ideia é fazer o seu melhor sempre. Mesmo que não se realizem, o importante é manter a motivação para viver por inteiro cada momento, porque sabemos que, no percurso, os desejos podem se transformar e tomar novos rumos.
Este ano, uma novidade: registramos, também, um desejo para a nossa cidade.
A Campanha Embarque e Desembarque da Escola
"Seja solidário consigo mesmo ajudando a todos. Cuide do embarque e do desembarque."
"Seja rápido e pense nos outros, não demore pra sair do carro."
"Brinque, mas fique na escuta do seu nome."...
Estas e muitas outras palavras de ordem, slogans e toques fizeram parte da nossa primeira campanha em prol de uma vida melhor num pedacinho da nossa cidade: a porta da escola, a Rua Capistrano de Abreu e adjacências. Colocamos em prática as nossas reflexões sobre o tema do ano: As Cidades: Das Aldeias às Grandes Metrópoles. Sabemos que o trânsito é um dos problemas da cidade grande. E o Rio de Janeiro também sofre deste mal. Então, porque não cuidar, na nossa medida, cada um fazendo a sua parte, para que a circulação da rua flua livremente, mesmo nos horários de entrada e saída da escola? Foi o que fizemos! E parece que funcionou, pois sentimos uma melhora e uma atenção maior de todos. Mas a maior conquista foi a experiência vivida pelas crianças de participar, agir, opinar, transformar uma situação real da nossa cidade.
As Regras de Convivência
Aos menores elas são apresentadas, aos maiores lembradas. São muito importantes nossas conversas sobre a convivência diária numa turma, dentro do espaço escolar. É um assunto que perpassa todas as Tribos, ao longo do ano. As regras estão escritas, mas acreditamos que elas só são efetivamente assimiladas quando vividas e, então, discutidas. Trata-se de uma conquista gradativa, que acontece com as situações reais do nosso dia a dia, de conflito ou de cuidado com o outro, que aproveitamos para conversar, analisar, discutir, buscar soluções. As crianças, aos poucos, entendem que as regras são dinâmicas, modificam-se com as alterações da escola - novo prédio, novas salas, novas turmas, mais espaço – mudam com o amadurecimento dos alunos, com as trocas, as avaliações, as novidades do mundo moderno que invadem a escola. Mas a sua essência - o cuidado consigo e com o outro - é universal e atemporal.
A Copa
Saber ganhar, saber perder. Como são difíceis essas aprendizagens! Muitos sabem bem o que é espírito esportivo, mas não conseguem colocar em prática esse saber. A emoção de uma derrota no jogo, na brincadeira com o amigo, na defesa de uma ideia, na tarefa, numa atuação teatral é mais forte do que todo seu conhecimento a esse respeito. Optamos por conversar pouco sobre o tema e reservar um espaço para assistir ao filme "Ernesto no país do futebol", de André Queiroz e Thais Bologna. Através da experiência difícil de um menino argentino que mora no Brasil e tem que lidar com a derrota de seu país contra o Brasil numa Copa do Mundo. Com este enredo, o filme fala muito mais do que mil conversas sobre o assunto. A reação das crianças, durante e depois do filme, nos deu a certeza de que a história, tão próxima de suas próprias histórias, tocou cada um na medida certa.
Falamos sobre o continente africano, palco da Copa, e da oportunidade do mundo conhecer melhor esses cinquenta e três países, com quase novecentos milhões de habitantes e mais de mil idiomas. Conhecemos uma palavra muito especial, UBUNTU. Uma palavra com muitos significados: amizade, solidariedade, compaixão, perdão, irmandade, amor ao próximo, capacidade de entender e aceitar o outro. Pensamos sobre o que poderíamos fazer para ter "ubuntu" na turma, no nosso dia a dia: escutar o outro, ajudar a todos, ser cuidadoso com os colegas, não atrapalhar, saber perdoar. Elaboramos uma lista e penduramos na sala, para estar sempre lembrando de colocar "ubuntu" no coração da turma.
O Relaxamento
O relaxamento não pode faltar. Um breve, porém intenso momento para estar consigo mesmo e perceber a grandeza que existe em cada um: corpo, mente, sentimentos, afetos, sentidos, desejos. Aos poucos, sem pressa, é possível se perceber diferente e, assim, perceber o outro e o contexto – seja ele qual for – com mais equilíbrio e mais possibilidade de agir e de cuidar.
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