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Projeto e Artes
Este animado e falante grupo de crianças voltou para a escola com muita disposição! Recebemos oito novos alunos, que foram rapidamente acolhidos pela turma. Já na segunda semana de aula, as crianças se perguntavam quem era novo na escola ou não, pois a integração foi tão rápida que elas não sabiam diferenciar os alunos antigos dos recém chegados. É um grupo muito curioso e capaz de produzir muito bem, com ideias originais e criativas em muitas aulas. Por outro lado, a escuta é um desafio permanente, pois as vontades individuais tendem a sobrepor as coletivas e, este, tem sido um aspecto de grande investimento.
Começamos o ano, conversando sobre regras e estabelecendo uma rotina estruturada de trabalho. Ao longo do semestre, fizemos alguns momentos de avaliação sobre as atitudes de cada um, refletindo a respeito da nova postura de estudante que se configura com a entrada no segundo ano. Maior quantidade de materiais para lidar, novas responsabilidades e maior compromisso com o estudo fazem com que o papel de estudante ganhe força nesta série e exija das crianças uma nova atuação, ao mesmo tempo mais centrada e autônoma diante dos desafios que surgem. Cada um, no seu tempo, foi se apropriando com autonomia de novas tarefas como anotar diariamente o dever de casa na agenda, aprender a manusear livros e diferentes cadernos, saber guardar materiais e trazê-los para a escola nos dias combinados, entre outras. Muitas responsabilidades foram sendo incorporadas e, aos poucos, a turma começou a dar sinais de crescimento e aprendizado. Foi interessante quando a pergunta pelo dever de casa começou a surgir antes mesmo que eu o anotasse no quadro, pois queriam já escrever em suas agendas sem precisar copiar!
O Projeto "Era uma vez uma Cidade" proporcionou muitos momentos de estudo e descoberta. Os desafios de ler para pesquisar, registrar informações em grupos e produzir textos foram se transformando ao longo do semestre. O que inicialmente era uma tarefa árdua passou gradativamente a ser incorporado com mais tranquilidade e as próprias crianças se surpreendiam ao se darem conta do crescimento que estavam tendo.
Tivemos o aniversário de nossa querida cidade logo no início do ano e ouvimos muitas músicas inspiradas nesta, que é mesmo, uma cidade maravilhosa.
Fizemos diversas atividades de sensibilização a respeito do tema "cidades", começando pela investigação dos lugares visitados pelas crianças nas férias. Procuramos entender porque as pessoas buscam outras cidades e fizemos comparações entre as mesmas, percebendo que há cidades maiores que outras, algumas são próximas à nossa cidade, outras mais distantes, algumas são tão pequenas que não sabemos se é cidade ou não. Levantamos as hipóteses sobre o que é uma cidade e chegamos à conclusão que: "As cidades são lugares para morar. Existem vários tipos de cidade: cidade pequena, cidade média e cidade grande. Existem cidades bonitas e feias. As cidades têm lugares para se divertir, para trabalhar, para estudar... Algumas pessoas viajam para outras cidades para conhecer outras culturas, ir aos museus, explorar outras coisas, para visitar as pessoas e matar a saudade" (texto coletivo). < B>
Mas e a nossa cidade? Quais são seus principais elementos? Seria importante fazer um sobrevôo pela nossa cidade antes de nos debruçarmos sobre aquelas que seriam nosso foco: as cidades medievais. Passamos então a pensar sobre alguns componentes estruturantes de nossa cidade: como a água chega nas nossas casas? Como nos locomovemos? Onde as pessoas moram? Como é o nosso comércio? Quais são as fontes de energia? Quem cuida de nossa cidade? Quais são os lugares que nos ajudam a aprender coisas?
Após essa exploração, fizemos uma viagem no tempo e fomos parar em uma época fantástica e instigante: a Idade Média. O fascínio das crianças sobre este período fez aflorar muitas hipóteses e ideias presentes no imaginário de todos. Logo se referiram aos castelos, dragões, cavaleiros, reis e princesas. Pensavam que os castelos eram muito luxuosos, com torneiras de ouro, que os móveis eram muito elegantes, assim como as carruagens.
Para começar nossos estudos, fizemos uma linha do tempo para que as crianças pudessem entender de que época eram as cidades a ser estudadas, estabelecendo uma relação entre a Antiguidade, a Idade Moderna e a Contemporânea. Descobrir que a Idade Média chama-se assim justamente porque fica no meio de dois períodos, e que essa época durou cerca de 1000 anos foi motivo de surpresa geral.
Um tempo tão longo não poderia ser caracterizado por marcos estáveis, tudo foi se transformando durante os quase dez séculos medievais. O que era de um jeito no início modificou-se completamente no fim daquele espaço de tempo. Assim, pudemos observar algumas mudanças, mas nos focamos nas cidades surgidas já no fim daquele período. É importante observar, também, que optamos por estudar as cidades medievais europeias por terem maior relação com a configuração e o surgimento das atuais cidades. Por outro lado, nos preocupamos em apontar para as crianças, os outros povos que viveram naquela época nos outros continentes, uma vez que, devido à importância histórica daquele período na própria organização do continente europeu, esse acaba sendo a maior referência quando mencionamos a Idade Média.
Fizemos um levantamento com as crianças sobre os aspectos que gostariam de pesquisar sobre as cidades medievais. Os pontos abordados foram ao encontro dos principais elementos para nossa pesquisa: castelos, torres, catedrais, igrejas, religião, nobreza, trabalhadores, castigos, proteção e transportes. Qual seria então a configuração de uma cidade medieval? Como era a arquitetura? Quem vivia nessas cidades? Como era o comércio? Quem cuidava da cidade? Como as pessoas se deslocavam? Como aprendiam?
Partimos para a pesquisa da arquitetura da cidade medieval, estudando primeiramente as casas, depois as catedrais, e, por fim, os castelos. Descobrimos que as casas eram muito simples e não tinham divisões de ambientes. As catedrais eram o símbolo de poder das cidades, assim como os arranha-céus nas cidades atuais. Ao contrário do que as crianças imaginavam, os castelos não eram nada luxuosos. Os primeiros eram construídos em madeira e, com o tempo, passaram a ser feitos de pedra para dificultar as invasões dos inimigos, transformando-se nos castelos fortificados. Ao redor deles eram erguidas muralhas de proteção, dentro das quais passaram a surgir também algumas casas de trabalhadores, a catedral e o pátio.
Passamos, então, a nos debruçar sobre os habitantes das cidades medievais. Vimos quem eram os moradores do castelo, a preparação de um menino até tornar-se cavaleiro, quem eram os comerciantes e trabalhadores, chegando a configuração da sociedade medieval. Ficamos sabendo que hierarquicamente "o rei ficava acima de todos, a igreja ficava logo abaixo do rei, depois, havia os nobres. Os camponeses, pobres e trabalhadores ficavam embaixo de todos" (texto coletivo).
Em nosso passeio à Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro, observamos enormes vitrais e sentimos espanto com sua altura e imponência. No Outeiro, apreciamos uma linda vista de nossa cidade, identificando a "skyline" de Niterói do outro lado da Baía de Guanabara. Vimos azulejos dentro da igreja que contam histórias da bíblia, costume que começou na Idade Média.
Em meio a tantas descobertas, tivemos nossa festa pedagógica, momento em que o grupo apresentou a "Opereta Medieval", com vários "habitantes" das cidades daquela época. O entusiasmo pode ser percebido no relato das crianças:
"No começo da festa, algumas pessoas ficaram nervosas. A gente primeiro ensaiou um pouco, depois nós apresentamos a dança da Opereta Medieval para os pais. Nós ficamos muito bonitos e ficou muito legal!
Depois da apresentação para os pais, a gente fez uma surpresa para eles. Nós fizemos umas estátuas medievais: as cozinheiras perto da pia, os trovadores no meio da sala, os cavaleiros perto do armário, as costureiras perto do cantinho da leitura e os ferreiros perto do mural. Enquanto a gente fazia estátua, estava tocando uma música da Idade Média e os pais olhavam os vitrais. Com a luz do sol lá fora e a luz apagada na sala, os vitrais começaram a brilhar e os pais se sentiram no paraíso como se estivessem em uma catedral medieval. E assim foi a fantástica festa medieval!" (texto coletivo).
Preparamos trabalhos de artes para este dia tão especial, fazendo lindos vitrais para as janelas de nossa sala, uma interpretação coletiva da obra de Pieter Bruegel, "Jogos Infantis", e duas "skylines" coletivas, sendo uma da cidade medieval e outra da Cidade Maravilhosa.
Nossas pesquisas contaram com várias leituras do livro "Como seria sua vida na Idade Média", de Fiona Macdonald. Vimos a linha do tempo, os povos dos outros continentes, a configuração da sociedade, as construções da cidade medieval, lemos sobre os cavaleiros, crianças e camponeses. Estudamos também a vida nas cidades e seus arredores, assim como os diferentes ofícios da época.
Permeando tudo isso, fizemos ainda a leitura do livro "O Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda", de Sir Thomas Mallory e adaptação de Laura Bacelar. Muitas aventuras foram acompanhadas com espanto, surpresa e torcida nas batalhas entre os cavaleiros e os inimigos de Artur. Durante a leitura compartilhada, cada um com seu livro, ficava atento à narrativa e curioso com o próximo capítulo. Às vezes, a vontade de saber os próximos acontecimentos era tanta, que algumas crianças davam uma boa escapada nos capítulos seguintes para saber o que viria pela frente. Leitores interessados e autônomos! Que beleza!
Recebemos uma visita especial para incrementar nossos estudos. Maria Inês, avó de Vítor, é professora de História e nos deliciou com uma interessante conversa a respeito da Idade Média. Aprendemos muitas coisas e deixamos registrado aqui, mais uma vez, o agradecimento pela parceria com a escola.
Já na reta final de nosso projeto, conversamos a respeito da infância na Idade Média e como as crianças aprendiam. Vimos também o deslocamento das pessoas naquela época e alguns meios de transporte. Assistimos ao filme "Lancelot, o Primeiro Cavaleiro", de Jerry Zucker que conta a história do cavaleiro preferido de Artur. Muitas observações durante a exibição do filme revelaram o quanto as crianças estavam atentas ao que tinha sido estudado ao longo do semestre, aguçando ainda mais o interesse pela história: "Olha, eles estão jogando futebol com uma bola grande e diferente!"; "Tem crianças brincando de espada!", "A iluminação era feita com tochas", "Ih, ele come com a mão, não tem garfo, só usa faca". A cada cena, muita vibração e curiosidade com o desfecho da história, que deixa, no imaginário de todos, pensamentos sobre o que pode ter sido verdade ou não. A lenda permanece viva...
Tão viva que tivemos que inventar a continuação desta história! Retomamos o último capítulo da história do rei Artur e demos asas à imaginação. Cada um viajou pelos tempos da Távola Redonda, relembrando personagens e chamando Artur de volta a seu reino. As histórias foram muito originais e mostraram o quanto este grupo mergulhou no enredo.
Como não poderia deixar de ser, fechamos o semestre com um delicioso banquete medieval, com direito a muita alegria e animação!
Matemática
Paralelamente a tantas descobertas, trabalhamos muito com o mundo dos números. Fizemos diversas atividades para que as crianças percebessem a presença da Matemática em nossas vidas, e se dessem conta de que esta área do conhecimento, afinal de contas, está em toda parte. Deste modo, as crianças registraram números relacionados a elas mesmas (data de nascimento, peso, altura entre outros) no caderno, e depois se inspiraram para confeccionar a capa do mesmo, fazendo colagens variadas com os números encontrados nos jornais, revistas, encartes etc.
Também elaboramos muitas propostas acerca do sistema de numeração, experimentamos diversos jogos que o envolvem, e nos deparamos também com muitos problemas. A cada tópico abordado, incentivávamos as crianças a apresentarem suas estratégias de resolução. Com isto, pretendíamos que tomassem conhecimento das diferentes maneiras de pensar e, em seguida, promovíamos discussões sobre os melhores caminhos e os mais econômicos para chegar à solução das propostas. Trabalhávamos também com o registro das estratégias, procurando fazer com que as crianças expressassem, graficamente, o modo como pensaram para solucionar as questões. Aqui, encontrávamos as mais variadas possibilidades: desenhos, ícones, números e, em alguns casos, até mesmo cálculos numéricos. A socialização de todos esses diferentes recursos enriquecia o pensamento matemático e oferecia às crianças alternativas variadas na resolução das propostas. Este é um aspecto que continuará sendo trabalhado ao longo do próximo semestre.
Para tornar este universo mais interessante e divertido, contamos com o livro "Os Problemas da Família Gorgonzola", de Eva Furnari. Nele, muitos personagens inusitados e trapalhões criam situações que levam às crianças a resolver diferentes operações numéricas. Para inaugurar a leitura, uma culinária especial: Muffin de Gorgonzola. Entre caretas e suspiros, as crianças experimentaram os muffins e mergulharam no livro. A cada problema proposto, a leitura dos textos era trabalhada para que as crianças pudessem aprender a identificar dados, saber o que precisava ser descoberto e, finalmente, colocar a mão na massa para resolver o problema. A discussão posterior sobre as diferentes estratégias enriqueceu o percurso, mostrando às crianças qual delas seria a mais simples para chegar ao resultado.
Utilizamos também o livro didático e fichas como recursos para o trabalho com a Matemática. Todos puderam pensar bastante acerca dos números e fazer conquistas neste campo, descobrindo diferentes estratégias e modos de representar o pensamento.
No próximo semestre, muitas novidades aguardam esta sabida e esperta turma de segundo ano.
Tribo
A TRIBO, O GRUPO
Calouros de Tribo: uma apresentação sobre este espaço se faz necessária. Convidamos alunos do Quinto Ano para explicar "Para que serve a Tribo?". A lista de atribuições que as crianças desenrolam pode-se resumir nesta ideia: para aprender a conversar coletivamente. Esse é o objetivo principal de nossos encontros: avaliar o que é importante para o grupo, o que lhes diz respeito enquanto turma e que assuntos são pertinentes para cada um nesta experiência coletiva. Como estão chegando, é uma aprendizagem que se dá com o tempo, com as vivências, a prática das conversas, das polêmicas, dos debates, das discussões sobre o porquê das regras de convivência, sobre as diferentes versões da mesma história, de um mesmo conflito. Com nossa mediação, muitas vezes podemos ver ideias e posturas mais rígidas flexibilizarem-se, não por imposição, mas por análise, compreensão e discernimento. É um processo que certamente dura uma vida, mas seus alicerces estão sendo pouco a pouco plantados e vão moldando a forma de estar no mundo e de ser de cada um, nesta convivência intensa que nos demanda atenção, cuidado e muitas aprendizagens.
AS ATIVIDADES
Desejos
Já é tradição. Registrar num papel qual o seu desejo para este ano na turma: aprendizagens, amizades, descobertas, amadurecimento, passeios, campeonatos e tantos outros. Esse desejo fica bem guardado até a última Tribo do ano. Então, numa roda, cada um relê o seu, acha graça, não entende a letra, descobre que já aconteceu, ou que não é mais seu desejo. Não importa. A ideia é fazer o seu melhor sempre. Mesmo que não se realizem, o importante é manter a motivação para viver por inteiro cada momento, porque sabemos que, no percurso, os desejos podem se transformar e tomar novos rumos.
Este ano, uma novidade: registramos, também, um desejo para a nossa cidade.
A Campanha Embarque e Desembarque da Escola
"Seja solidário consigo mesmo ajudando a todos. Cuide do embarque e do desembarque."
"Seja rápido e pense nos outros, não demore pra sair do carro."
"Brinque, mas fique na escuta do seu nome."...
Estas e muitas outras palavras de ordem, slogans e toques fizeram parte da nossa primeira campanha em prol de uma vida melhor num pedacinho da nossa cidade: a porta da escola, a Rua Capistrano de Abreu e adjacências. Colocamos em prática as nossas reflexões sobre o tema do ano: As Cidades: Das Aldeias às Grandes Metrópoles. Sabemos que o trânsito é um dos problemas da cidade grande. E o Rio de Janeiro também sofre deste mal. Então, porque não cuidar, na nossa medida, cada um fazendo a sua parte, para que a circulação da rua flua livremente, mesmo nos horários de entrada e saída da escola? Foi o que fizemos! E parece que funcionou, pois sentimos uma melhora e uma atenção maior de todos. Mas a maior conquista foi a experiência vivida pelas crianças de participar, agir, opinar, transformar uma situação real da nossa cidade.
As Regras de Convivência
Aos menores elas são apresentadas, aos maiores lembradas. São muito importantes nossas conversas sobre a convivência diária numa turma, dentro do espaço escolar. É um assunto que perpassa todas as Tribos, ao longo do ano. As regras estão escritas, mas acreditamos que elas só são efetivamente assimiladas quando vividas e, então, discutidas. Trata-se de uma conquista gradativa, que acontece com as situações reais do nosso dia a dia, de conflito ou de cuidado com o outro, que aproveitamos para conversar, analisar, discutir, buscar soluções. As crianças, aos poucos, entendem que as regras são dinâmicas, modificam-se com as alterações da escola - novo prédio, novas salas, novas turmas, mais espaço – mudam com o amadurecimento dos alunos, com as trocas, as avaliações, as novidades do mundo moderno que invadem a escola. Mas a sua essência - o cuidado consigo e com o outro - é universal e atemporal.
A Copa
Saber ganhar, saber perder. Como são difíceis essas aprendizagens! Muitos sabem bem o que é espírito esportivo, mas não conseguem colocar em prática esse saber. A emoção de uma derrota no jogo, na brincadeira com o amigo, na defesa de uma ideia, na tarefa, numa atuação teatral é mais forte do que todo seu conhecimento a esse respeito. Optamos por conversar pouco sobre o tema e reservar um espaço para assistir ao filme "Ernesto no país do futebol", de André Queiroz e Thais Bologna. Através da experiência difícil de um menino argentino que mora no Brasil e tem que lidar com a derrota de seu país contra o Brasil numa Copa do Mundo. Com este enredo, o filme fala muito mais do que mil conversas sobre o assunto. A reação das crianças, durante e depois do filme, nos deu a certeza de que a história, tão próxima de suas próprias histórias, tocou cada um na medida certa.
Falamos sobre o continente africano, palco da Copa, e da oportunidade do mundo conhecer melhor esses cinquenta e três países, com quase novecentos milhões de habitantes e mais de mil idiomas. Conhecemos uma palavra muito especial, UBUNTU. Uma palavra com muitos significados: amizade, solidariedade, compaixão, perdão, irmandade, amor ao próximo, capacidade de entender e aceitar o outro. Pensamos sobre o que poderíamos fazer para ter "ubuntu" na turma, no nosso dia a dia: escutar o outro, ajudar a todos, ser cuidadoso com os colegas, não atrapalhar, saber perdoar. Elaboramos uma lista e penduramos na sala, para estar sempre lembrando de colocar "ubuntu" no coração da turma.
O Relaxamento
O relaxamento não pode faltar. Um breve, porém intenso momento para estar consigo mesmo e perceber a grandeza que existe em cada um: corpo, mente, sentimentos, afetos, sentidos, desejos. Aos poucos, sem pressa, é possível se perceber diferente e, assim, perceber o outro e o contexto – seja ele qual for – com mais equilíbrio e mais possibilidade de agir e de cuidar.
Teatro
Iniciamos o ano introduzindo alguns jogos e exercícios teatrais, já que, para alguns alunos, este é o primeiro contato com uma aula de teatro. Em seguida, abordamos o tema Cidades, perguntando: Que lugares vocês gostam de visitar em nossa cidade? Que lugares vocês não gostam? Que outras cidades vocês conhecem? No caminho de casa até a escola por quais lugares vocês passam e quem ocupa esses lugares? Assim, começamos a trazer à tona os personagens da cidade, pessoas que encontramos na rua, que nos são familiares, que fazem parte do dia a dia de uma cidade grande como o Rio de Janeiro- o gari, o guarda de trânsito, o carteiro, o pipoqueiro, o entregador de pizza, o jornaleiro e outros.
Os alunos de F2 aprenderam a criar uma cena teatral a partir de conceitos como: Quem; Onde; O que, explorando os personagens, os lugares e as situações da cidade grande. As crianças eram divididas em pequenos grupos, cada uma escolhia um personagem e o grupo escolhia um lugar onde esses personagens pudessem estar. Desta forma, iniciava-se uma pequena improvisação, na qual os personagens se relacionavam, criando, assim, uma situação teatral. Na tentativa de aperfeiçoar a criação das cenas, os alunos também se familiarizaram com a idéia de que toda história (ou cena teatral) deve ter um início, um meio, e um final. No início, há a apresentação dos personagens: Quem são, onde estão, o que fazem e quais são seus objetivos. O meio é o momento em que aparece o conflito, a problemática, ou seja, aquilo que atrapalha a trajetória dos personagens. O fim é quando os personagens conseguem solucionar o conflito, chegando ao final da encenação. As crianças foram incentivadas a criarem suas próprias histórias de forma coletiva, ou seja, cada aluno cria um pedacinho da cena. Depois, os alunos se divertiram ao elaborar imagens corporais (quadro vivos) que representassem cada um desses momentos da história. Em seguida, fizeram o mesmo exercício utilizando uma peça conhecida, "O Rapto das Cebolinhas", de Maria Clara Machado.
Logo após a Festa Pedagógica e o estudo da Idade Média, iniciamos uma parceria com as aulas de Projeto, usando a lenda do "Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda" para explorar os personagens da cidade medieval.
Música
Começamos o ano, afinando com o tema estudado pelas crianças nas aulas de Projeto e de outras linguagens artísticas: conversamos sobre "Cidades" pelo viés dos sons da cidade. Discutimos a possibilidade de usar esses sons na música, expandindo assim a própria concepção de música. Estas conversas tiveram como estopim a escuta de diferentes fontes sonoras, contendo sons tipicamente urbanos. Uma das fontes escolhidas foi a música "Rua da Passagem (Trânsito)", de Lenine e Arnaldo Antunes, que logo começou a ser cantada pelas crianças. As atividades sobre os sons da cidade não se esgotaram e ainda têm desdobramentos possíveis.
Ainda no início do ano retomamos o estudo do método "O Passo", apresentado às crianças no ano passado. Este estudo é importante nas aulas de Música, pois ele possibilita que as crianças desenvolvam uma maior compreensão de vários elementos musicais o que leva a uma execução musical mais consciente, precisa e prazerosa. "O Passo" também oferece uma boa oportunidade de exercício e aquisição de autonomia nos seus estudos.
Alternamos aulas mais focadas no estudo individual deste método com aulas nas quais as crianças tocaram percussão em grupo, recuperando levadas simples de xote e ciranda. Na medida em que o semestre foi passando e que as crianças iniciaram, em projeto, o estudo sobre a Idade Média, acrescentamos ao nosso repertório uma levada inspirada na música medieval, mais especificamente no período dos trovadores. Para acompanhar essa "levada medieval" cantamos a "Opereta Medieval" apresentada na Festa Pedagógica.
Na volta das férias seguiremos cantando, tocando e estudando "O Passo", buscando enriquecer cada vez mais as práticas musicais da turma.
Para isso, a turma precisará manter seus esforços para aproveitar, ao máximo, nossos encontros, focando, cada vez mais, sua energia nas atividades propostas.
Inglês
Como são competentes essas crianças! Muito antenados e curiosos, não há assunto, tema ou conteúdo que não seja rapidamente explorado por essa turma.
A grande novidade deste ano é o registro escrito no caderno e nas fichas. E como eles estavam ansiosos por esse momento!
Para incrementar as novas descobertas, usamos vários jogos como Bingo, Forca, Jogo da Memória entre outros que mantiveram o foco na escrita e leitura, mas ainda com a ajuda de imagens.
Ao longo do semestre, muito atentas, as crianças observaram e questionaram algumas regularidades e irregularidades da escrita da língua, comparando com a língua portuguesa. Como exemplo conversamos sobre as palavras que terminam em N, ou em dois LL, o uso da letra W, tão rara na língua portuguesa. Essas reflexões foram desdobradas em atividades, com letras móveis, durante as quais eles puderam brincar com as hipóteses que surgiram, e discuti-las no grupo. O computador também foi usado como importante ferramenta na descoberta da escrita. Para o próximo semestre, planejamos explorar ainda mais esse recurso, apresentando jogos com palavras online e através do uso do editor de texto.
Muitas foram as descobertas relacionadas ao projeto da turma. Nomeamos as diferentes partes que constroem um castelo medieval, pesquisamos imagens de castelos no computador, aprendemos a desenhar cavaleiros e armaduras e também os "illuminatis", letras rebuscadas que ilustram os livros e manuscritos daquela época. O envolvimento das crianças com o projeto foi enorme, o que facilitou a ampliação deste para as aula de inglês, tornando as atividades bem significativas.
Expressão Corporal
A turma chegou com tudo nas aulas de Expressão Corporal! Um grupo novo, cheio de novos amigos e muitas novidades marcaram o início do ano. Foram todos se familiarizando com nosso ritual e com as regras de convivência, experimentando o corpo em movimento.
As crianças demonstraram muito empenho nas aulas, curiosas e interessadas nas atividades sugeridas. Foi importante relembrar os cuidados necessários com o corpo no espaço da sala. A roda, no início das aulas, concentrava e preparava para a exploração adequada das possibilidades motoras. O aquecimento proporcionava a descoberta de novas habilidades, além da percepção dos limites para situá-los na própria aula, nas regras e na organização do corpo, com uma postura de aprendizado.
Exploramos o universo do Hip Hop, inspirados pelo Tema Institucional. Enquanto contextualizando essa cultura historicamente, apresentamos algumas das suas manifestações por diferentes cidades. Assistimos a vídeos e elencamos alguns passos da dança de rua para compor uma coreografia, que foi sendo incorporada às atividades, acrescida de novos passos a cada aula. Assim, garantimos a oportunidade de trabalhar o ritmo, as possibilidades de divisão da música com movimentos, além da memória coreográfica que foi sendo adquirida pelo grupo.
Propusemos um exercício de apoio dos pés na parede, em deslocamentos, praticando saltos e torções possíveis. Sugerimos algumas manobras e as crianças exploravam outras, experimentando novas habilidades, atentas a seus limites. Falamos do cuidado com o "trânsito" na movimentação coletiva e fizemos uma dinâmica colocando em prática a simultaneidade nos saltos coletivos. Foi um exercício bem aproveitado favorecendo algumas noções de equilíbrio e eixo, além de garantir a diversão das crianças.
Exploramos as possibilidades de movimentos, estimulados por improvisos coletivos, e numa brincadeira circular de "roubar a dança" do amigo. Assim, todos tiveram a oportunidade de experimentar variações possíveis de movimentos, nos níveis baixo, médio e alto.
Da dança de rua, urbana e contemporânea, voltamos no tempo, até a Idade Média, imaginando como seria a movimentação numa cidade medieval. Recriamos a letra da "Opereta Medieval", de Ana Moura, e começamos os ensaios da nossa dança, apresentada na Festa Pedagógica. Em pequenas performances, cada grupo demonstrou muito envolvimento no seu papel, interpretando, através da dança, seu personagem medieval com maestria.
No final do semestre ensaiamos a Ciranda de Tarituba, dos arredores de Paraty, apresentada na Festa Caipira.
Educação Física
Ano de Copa do Mundo na África e as crianças, empolgadas, já queriam saber se teríamos Olimpíada ou Copa na escola. Passado este primeiro momento de ansiedade e com a confirmação de que haveria a Copa da Sá Pereira, todas puderam desfrutar de manhãs e tardes divertidas no Pereirão.
Os jogos de basquete, handebol, queimado, futebol, pique-bandeira, possibilitaram às crianças experimentar e desenvolver as ações motoras de correr, parar, saltar, lançar, quicar, chutar, testar equilíbrio e mudanças de direção, resultando em maior coordenação e noção de tempo, melhor locomoção pelo espaço e diferentes possibilidades de movimento. As competições por equipes contribuíram, ainda, para reforçar o trabalho em grupo.
Estas atividades colocaram à prova as emoções dos meninos e meninas abrindo espaço para reivindicações e exposição de sentimentos de alegria e tristeza com as vitórias e derrotas. Também através delas pudemos exercitar as regras de convivência, o respeito ao outro e às diferenças e a paciência para solucionar problemas.
Nos Pereirões livres, onde as crianças podem escolher que atividade querem fazer, os grupos foram estimulados a por em prática sua capacidade de dividir o espaço, ceder em suas escolhas e chegar a um consenso, aprendizados importantes não só na Educação Física, como na vida fora do universo escolar.
A Copa da Sá Pereira foi um sucesso! As crianças deram um show em campo e fora dele, com animadas torcidas.
As crianças da F2MB ainda precisam de ajuda na organização para o início dos jogos. Infelizmente, muitos alunos ainda não observam o dia da aula e comparecem sem o calçado adequado, o que os impede de participar. Durante as atividades, falam e discutem bastante. Apresentam muita dificuldade para escutar nossas orientações e respeitar os times que estão jogando. Nossa mediação ainda precisa ser contínua e perseverante para que, aos poucos, possam dar sinais de amadurecimento. Quando começa o jogo se divertem bastante e aprendem muito rápido suas regras.
Encerramos o semestre com o nosso Pereirão Junino, onde realizamos brincadeiras desta festa tradicional, adaptadas em forma de competições por equipes, reforçando a importância do trabalho coletivo. Viva Santo Antônio, São Pedro e São João!
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