Projeto
O grupo
Nosso ano começou, e a novidade da nova série contagiava todas as crianças. Os novos alunos logo foram acolhidos pela turma, e hoje, integram , harmoniosamente, este grupo tão trabalhador. As conversas e dispersões eram constantes, mas aos poucos a "postura de aluno" e a vontade de aprender foram abrindo caminho para os estudos. Sempre que nossa turma é convidada para as atividades se envolve e realiza as produções com muito afinco. Também é traço marcante da F3TB a procura pela entonação e pela fluência na leitura. Estão sempre dispostos a aprimorar a oralidade, exercitar a escrita e trocar opiniões com os amigos.

Descobrindo as paisagens: uma cidade chamada Rio
Iniciamos o Projeto conversando sobre o que eles achavam ser característico de uma cidade. Casas, prédios, praças, árvores, praia, ruas e poluição apareceram nos registros de quase todos. Mas logo perceberam que nem todas as cidades contêm todos esses elementos. Falaram sobre as cidades que visitaram nas férias e, assim, foram percebendo as peculiaridades que cada uma pode ter. Cidades onde não se vê o mar, cidades com poucas árvores ou com poucos prédios, e cidades que pareciam ser só de montanhas.

Convidamos a meninada a ir percebendo as diferentes paisagens que podemos encontrar em cada lugar que visitamos. Com nossas discussões, as crianças começaram a entender que paisagem não é apenas o que é "natural", mas também o que o Homem construiu e transformou ao longo do tempo. Assim, o rural e o urbano começaram a fazer parte do nosso dia a dia. A sala ficou enfeitada, por um lado, de chitão, peneiras e material para plantação; por outro, de bilhetes de metro, ingressos para cinema, chaves de carro e controle s remotos de garagem. Surgiu, então, a apreciação da arte urbana, e o encantamento pelos grafites, que tanto marcam a cidade, se fez presente em toda a turma. Levamos para a sala fotos e vídeos do Rio Antigo para que as crianças analisassem as alterações que a cidade sofreu. Com as pranchas da Praça XV, que mostram as transformações de 1580 até 1988, nossa pesquisa se tornou ainda mais rica. Conversamos sobre o aterramento da Baía de Guanabara, a construção da Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, o Chafariz do Mestre Valentim, o Paço Imperial... Muitos alunos disseram gostar mais da Praça XV como ela era em 1580, enquanto outros a preferem nos tempos de hoje. Todos, porém, citaram a beleza do local com as construções mais modernas, e como o "antigo" e "novo" podem conviver harmoniosamente. Para concluir esta etapa do estudo, fizemos um passeio à Praça XV, e, mais uma vez, as crianças puderam perceber as interferências do Homem na paisagem, já que a última prancha que tínhamos à disposição datava de 1988. Fomos até Niterói de ônibus, observando a região e a entrada da Baía; na volta para o Rio, pegamos uma barca e pudemos admirar o belo cenário que é a nossa cidade! Em sala de aula, o desafio que a turma encarou com a maior alegria foi produzir a própria prancha da Praça XV, ano 2010!

Ampliando a aquarela: uma onda até o Sertão
A leitura do livro "O surfista e o sertanejo", de Ricardo Dreguer, aprofundou nosso estudo sobre as dicotomias entre as paisagens rural e urbana. Na obra, Beto, uma criança surfista apaixonada pelo mar do Rio de Janeiro, precisa se mudar junto com a família para o sertão de Pernambuco. Com a ajuda do personagem, a turma conheceu um pouco da vida carioca – o samba, a feijoada, o Carnaval, as praias... De uma forma encantadora, a alma da nossa cidade foi se materializando nos cadernos das crianças, que ficaram repletos de textos e desenhos motivados por estas marcas culturais. E, assim como Beto, também viajamos para o Sertão. Sentimos o calor e a "quentura" do chão rachado e castigado pela seca. Os pequenos pegaram uma carona na Asa Branca atrás de água e se alegraram quando "pro Norte relampeou", como disse Luiz Gonzaga. Nossa pesquisa sobre Pernambuco ampliou o Projeto – o maracatu da Nação Brilhante e o forró de Luiz Gonzaga se tornaram nossas trilhas sonoras preferidas! Observamos a paisagem do Sertão, marcada de tal modo pela seca, que as crianças perceberam que as cores mais frequentes eram o vermelho, o amarelo, o laranja e o marrom. Assim, usando praticamente apenas esses tons, o Sertão também foi representado em seus cadernos.

Uma das imagens que mais marcaram os alunos foi a dos rios secos, quando se vê apenas o traçado sinuoso. Conversamos, então, sobre como os rios podem secar, e apresentamos, também, um que sempre foi caudaloso: o Rio São Francisco. Com o mapa do Brasil a tira-colo, pesquisamos onde o rio nasce, os Estados que atravessa e o local onde finalmente desemboca. Ouviram histórias sobre as cidades ribeirinhas, como Petrolina (PE) e Juazeiro (BA) e sobre as carrancas usadas para proteger os barcos que ali navegaram. Assim, imaginaram tudo que poderiam encontrar, às margens do Rio São Francisco.

A cultura pernambucana também nos ajudou a refletir sobre as diferenças não apenas nas paisagens, mas nas formas de falar. As crianças perceberam que cada região tem – assim como suas cores e sua arte – suas gírias e seus sotaques. Desta forma, compreenderam a necessidade das regras ortográficas para que os brasileiros de diferentes regiões possam se entender, independentemente da maneira como pronunciam as palavras.

A realidade pernambucana pôde ser observada pelas crianças nas obras de arte do Mestre Vitalino. O passeio ao Museu Casa do Pontal foi o ponto alto de nossa pesquisa, possibilitando aos pequenos um saboreio melhor dos "ingredientes" nordestinos – os retirantes, a caça, o boi, a religiosidade e as profissões. Em seguida, inspiradas pelos artistas que viram, a meninada também criou seus próprios personagens de argila. O livro "Cultura da Terra", de Ricardo Azevedo, permeou os estudos e auxiliou nossas pesquisas, explicando sobre o folclore da região, as comidas típicas e trazendo ainda as adivinhações – tão instigantes para os alunos! Finalmente, na Festa Junina, no Pavilhão de São Cristóvão, as crianças puderam experimentar a carne de sol e a macaxeira que o surfista carioca Beto também provou.

Encantados com a vegetação pernambucana, nossa sala se transformou num pedacinho de "floresta", com mandacarus, palmatórias e juazeiros. Como Beto, nossas crianças também se apaixonaram pelo Sertão!

"Mandacaru quando fulora na seca é um siná que a chuva chega no sertão.."
Luiz Gonzaga/ Zé Dantas

Matemática
Na Matemática, quantas novidades – ábaco, caderno quadriculado, livro novo... Começaram, então, as ansiosas perguntas: "Quando vamos aprender a usar o ábaco?" "E a conta armada?" "Vamos fazer contas com números altos?"

Foi assim que as crianças iniciaram as aulas de Matemática, registrando o que achavam que sabiam e o que gostariam de aprender. Começaram a refletir sobre o nosso sistema de numeração e se confrontaram com algumas questões até abstratas: "Para vocês, o que é um problema?".

Como já possuíam recursos matemáticos, apresentavam diferentes estratégias para a resolução de um mesmo problema, tendo em mente as quatro operações. Técnicas como decompor e agrupar foram sendo substituídas por outras novas e mais econômicas, inclusive, cálculos mentais. Atentos às dicas para a abordagem dos problemas, logo tornaram-se capazes de identificar os dados relevantes do enunciado e de fazer estimativas. O ábaco foi realmente o carro-chefe das nossas novidades no mundo da Matemática. Com muito interesse, as crianças aprenderam a manusear o instrumento, que inicialmente auxiliou na compreensão do valor posicional. Em seguida, realizaram a adição e a subtração. Compreenderam com tranquilidade, a necessidade de trocar dez unidades por uma dezena e, no final do semestre, quando já estavam mais seguras e com recursos bem consolidados, apresentamos o algoritmo da adição. Mostramos que a conta armada é mais um recurso que podem usar para operar e encontrar resultados para problemas mais complexos. Agora, de posse deste novo recurso, pedem, diariamente, pelo algoritmo da subtração. Mas este é um desafio a ser "somado" no próximo semestre!
Tribo
O ano letivo começou com o barulhinho gostoso das vozes das crianças cheias de alegria, de muitas expectativas e saudade! Souberam apresentar a Tribo e acolher com generosidade o Luis e a Luana, amigos novos que chegaram este ano na turma. Adoram conversar! Porém, vez ou outra, ainda precisam da nossa ajuda para se organizar e praticar a escuta, mas, geralmente, se ajudam, pedem silêncio uns aos outros e se organizam com bastante autonomia, tamanho o interesse e a vontade de participar. Todos têm sempre muito a dizer, e descobrem o prazer de dialogar.

Desejos para o ano de 2010
Aproveitamos o clima do encontro, e demos o nosso pontapé inicial tratando de refletir sobre o que gostaríamos de conquistar neste novo ano. Durante a conversa, olhos brilhavam. Registraram, em papéis, desejos, compromissos e intenções, que foram guardados em um envelope que só será aberto no nosso último encontro do ano, quando iremos confirmar ou não, o que cada um foi capaz de realizar. Mas, todos já sabem que para que isso aconteça é fundamental fazer algum esforço.

O que é a Tribo?
A Tribo é um momento especial na rotina da escola, um encontro onde cada qual exercita a sua cidadania. Todos os dias nossas crianças agem, espontaneamente, de uma forma, relacionada a esse exercício, porém sem essa consciência. Praticam seus deveres e direitos, buscam ser solidários, generosos, responsáveis e participam da vida coletiva. Sendo assim, vimos as regras de convivência que fazem parte da proposta pedagógica da escola. Como devemos nos relacionar com os colegas, com os adultos? O que é disciplina, limites? Quais são os nossos compromissos de estudantes? Como resolver problemas? A quem pedir ajuda? Estes foram alguns dos assuntos que mais mobilizaram as crianças, na busca de uma convivência harmônica e amigável no espaço escolar. Percebemos que todos se esforçam, diariamente, dentro de suas capacidades e maturidade.

Campanha do Embarque e Desembarque Escolar
Concordar sobre a necessidade de respeitar algumas regras é fácil, mas praticá-las... Pensando que seria uma boa oportunidade de aprendizagem, para quem está estudando formas positivas de intervir e se relacionar com a cidade, levamos para a Tribo a matéria "Embarque e Desembarque Escolar", publicada no Informe. As crianças leram e conversaram sobre a publicação. Mobilizadas com a questão, buscaram soluções, na medida de suas possibilidades, para nos ajudar a modificar alguns hábitos em prol da coletividade . Então, criaram cartazes e murais com frases, slogans e desenhos. Assim, ganharam consciência e participaram da necessidade de sermos agentes de transformação desse problema.

Copa do Mundo
A Copa não podia ficar de fora! Assistimos ao Curta, Ernesto No País do Futebol, de André Queiróz e Thaís Bologna, que conta a história de um menino argentino que veio morar com sua família no Brasil, na cidade de São Paulo, exatamente em um ano de Copa do Mundo . Ernesto encontra, na escola, dificuldade em ser aceito e respeitado pelos colegas. Conversamos sobre amizade e tolerância dentro, e além do campo de futebol, e concluímos que o objetivo número um de um jogo, deve ser a brincadeira, a diversão e a socialização entre as pessoas, independente de etnia, cultura, crença...

Conversamos, ainda, sobre o empenho, o esforço e a responsabilidade dos jogadores diante de tantas expectativas. O que vemos, e conhecemos sobre o futebol, é apenas uma parte dessa história.

O relaxamento, um momento esperado
Em nossos encontros nunca deixamos de olhar para dentro de nós mesmos. Esse momento é esperado e apreciado pela maior parte das crianças. De olhos fechados, procurando no silêncio relaxar o corpo e os pensamentos, buscam o autocontrole, imagens, ouvem o batimento cardíaco, observam a temperatura, respiram e se revigoram. Hoje, mais maduros já tiram proveito dessa experiência, desse contato prazeroso consigo mesmo e com o próprio corpo, e buscam compreender o que acontece dentro dele.

Artes
Com o tema "as cidades", escolhemos a arte urbana como foco. Através da internet os alunos apreciaram interferências urbanas que se encontram espalhadas por diversas partes do mundo. A ideia era se questionar: Como elas, particularmente, interferem no dia-a-dia das pessoas que circulam pela cidade, como mudam a relação das pessoas com o espaço e como aparecem e somem, sem que nos demos conta. Conversamos também sobre as diferentes técnicas usadas pelos artistas.

Inspirados nessa proposta, iniciamos um processo de pesquisa na escola, procurando locais que incitassem nossa criatividade. A brincadeira era tal qual a de olhar para as nuvens e pensar com que elas se parecem. Olhar as paredes, escadas, pregos ou buraquinhos que fizessem nossa imaginação trabalhar e os tornassem objetos com funções diferentes. A princípio, começamos fotografando os locais e registrando as ideias. Imprimimos as fotos e desenhamos as ideias por cima delas. Depois de prontas, votamos nas propostas mais interessantes e, a partir daí, discutimos quais seriam os materiais mais adequados para executar os projetos. Tinta acrílica e adesivos coloridos foram os materiais mais próximos aos sprays e stickers que vemos por aí.

A execução e fixação dos trabalhos foi minuciosa e muito divertida, assim como vê-los tomando conta e dando vida a nossa escola. Finalmente, fotografamos os trabalhos prontos e fizemos um jogo, para que os visitantes da Mostra encontrassem todas as intervenções.

Depois da feira, começamos uma proposta individual livre, com o intuito de relaxar e curtir outros materiais. Nas últimas aulas do semestre usamos os lápis pastel na confecção de uma colcha de retalhos de chitão, para enfeitar o casamento e a Festa Junina.
Inglês
Como é bom acompanhar a trajetória destas crianças espertas e percebê-las ainda mais curiosas e interessadas em aprender novidades da língua inglesa. O desafio deste ano é elaborar pequenas frases baseadas em um modelo apresentado. Todos estão muito empenhados, arriscando novas possibilidades e ampliando o uso do vocabulário. Alguns desafios foram propostos como: organização de frases a partir de palavras desordenadas e formulação de frases com ênfase na oralidade.

O uso diário do calendário vem proporcionando um momento inicial nas aulas de rotina: cantamos algumas músicas como "Hello", "Days of the week" e "The months of the year". A preparação do calendário mensal já se tornou uma prática a cada começo de mês. Escrevemos os meses, os dias da semana , marcamos aniversários e datas importantes. E a cada dia marcamos como está o "weather" ( sunny/cloudy/rainy ), explorando "yesterday/today/tomorrow".

Essas canções são pequenas quadrinhas musicadas que, através da repetição, facilitam a memorização deste vocabulário tão específico. Uma delas, sobre os meses do ano, foi usada numa atividade no Pereirão na qual as crianças cantavam e pulavam corda. Um animação! A utilização de quadrinhas rimadas e musicadas é bastante significativa nesta etapa do aprendizado e será uma constante ao longo deste ano.

Ainda pensando na utilização e formalização da escrita destes conceitos, fizemos algumas visitas à sala de informática. Brincamos em sites, onde jogos como Forca, Caça Palavras, Speed Word, entre outros, desafiaram a memória das crianças, além de e estimularem as discussões, a troca de hipóteses e dúvidas sobre essas palavras. tornando-as mais conhecidas.
Música
Começamos um novo ano e, com isso, um novo foco nas aulas de Música: o estudo da Flauta Doce Soprano. Para apresentar esse instrumento, tivemos uma aula sobre a família das flautas doces, na qual as crianças conheceram e ouviram várias flautas doces (sopranino, soprano, contralto, tenor e baixo). Conversamos, também, sobre a história e forma deste instrumento, sobre a postura, respiração e articulação. Depois desta introdução, nosso estudo começou, pra valer, com a apostila "Escrevendo uma partitura". Esta apostila trouxe informações importantes para as crianças que, junto com a flauta doce, estão aprendendo a ler partituras.

Aos poucos foram trazidas músicas do livro adotado "Vamos tocar flauta doce – 1o volume" de Helle Tirler. Esse livro traz um repertório de músicas folclóricas e infantis, bonito e acessível às crianças; sua utilização é parte fundamental na rotina das aulas. Já tocamos (e cantamos também) várias músicas utilizando as notas executadas na flauta doce com a mão esquerda. No segundo semestre começaremos a utilizar também a mão direita, o que aumentará a quantidade de notas que as crianças poderão tocar, e enriquecerá ainda mais o repertório trabalhado.

Ainda no início do semestre, conversamos sobre os sons da cidade fazendo uma conexão com o tema de estudo das crianças nas aulas de Projeto e das outras linguagens artísticas. Ouvimos diferentes fontes sonoras, contendo sons tipicamente urbanos, e discutimos a possibilidade de usá-los na música, expandindo, assim, a própria concepção desta arte.

Mais recentemente iniciamos, também, alguns exercícios do método "O Passo". Este estudo é importante nas aulas de Música, pois possibilita que as crianças desenvolvam uma maior compreensão de vários elementos musicais o que leva a uma execução musical mais consciente, precisa e prazerosa. "O Passo" também oferece uma boa oportunidade de exercício e aquisição de autonomia nos seus estudos.

Na volta das férias continuaremos tocando flauta e estudaremos mais "O Passo", buscando enriquecer cada vez mais as práticas musicais da turma.

Para isso, a turma precisará manter seus esforços para aproveitar, ao máximo, nossos encontros, dedicando-se cada vez mais aos estudos de música.
Teatro
Começamos o ano abordando o tema de nosso projeto: Cidades. Cada aluno falou um pouco sobre as cidades que conhece e qual é a principal diferença entre elas. Em seguida, discutimos as principais diferenças entre o campo e a cidade, seus sons, seus cheiros, seus espaços, seus hábitos e costumes. Através de alguns exercícios, as crianças foram motivadas a criar cenas teatrais a partir de estímulos sensoriais, olfato, audição, tato, visão e paladar, sempre tendo como tema, Cidade x Campo; Centro x Subúrbio.

Utilizamos algumas histórias do livro "NY, A Vida nas Grandes Cidades", do cartunista Will Eisner. Muitos destes quadrinhos revelam contrastes entre a vida rural e a vida nos grandes centros urbanos, principalmente no que diz respeito aos cheiros, sons e espaços. Selecionamos um dos quadrinhos para inspirar a criação da peça, apresentada na Mostra de Artes.

A história, trata de um casal de velhinhos, acostumado a viver num edifício localizado numa rua movimentada do centro da cidade. Os filhos do casal providenciam a mudança dos pais, do centro para o subúrbio, acreditando que ali eles teriam uma vida mais calma e seriam mais felizes. No entanto, o casal de velhinhos não se adapta à vida pacata do subúrbio e decide voltar para o centro.

As crianças fizeram algumas improvisações a partir daí e, assim, criamos o nosso texto. O período de ensaios foi intenso, trabalhoso e até cansativo, às vezes, mas, com certeza, foi muito produtivo e enriquecedor. O processo de decorar o texto, apreender as marcas e criar diferentes personagens, caracterizando os tipos urbanos, tornou-se um grande desafio para os alunos de F3, que, pela primeira vez, apresentaram um espetáculo teatral com texto. Na etapa final dos nossos ensaios, começaram a surgir os objetos, adereços e trilha sonora, que os ajudaram na caracterização dos personagens e na compreensão espacial da cena. Naquele momento, estávamos prontos para o grande dia. O dia, enfim, chegou! Espetáculo pronto, atores na coxia e espectadores na platéia. As crianças, que até então contavam com o auxílio dos professores, estavam ali, sozinhas no palco, contando sua versão da história, atentas, prontas para resolverem qualquer problema que surgisse. Realizaram um belo trabalho coletivo de ajuda, escuta e compromisso com o que havia sido proposto.
Expressão Corporal
Começamos o ano relembrando as regras de convivência para nossa organização nas aulas de Expressão Corporal. Aproveitamos as rodas de aquecimento para abordar os cuidados necessários na exploração dos movimentos individuais e em grupo, pelo espaço da sala.

Movidos e inspirados pelo Projeto Institucional, apreciamos vídeos que de alguma forma, apresentavam o corpo em movimento nas cidades. Vale destacar o vídeo do grupo Philobolus, com uma coreografia de sombras, num passeio pela cidade de Nova York. Inspirados pelos bailarinos que criavam incríveis formas coletivas, projetamos uma luz num pano pendurado. Assim, também fizemos nossas próprias criações, num delicioso estudo, experimentando movimentos e as perspectivas das sombras coletivas e individuais, projetadas no salão.

Introduzimos alguns elementos da cultura Hip Hop, apresentando as frentes deste movimento, contextualizando-o e assistindo a vídeos selecionados no Youtube. Abordamos, principalmente, a dança de rua, trazendo como referência o "Break", que significa, literalmente, "quebrar". Procuramos reproduzir, com o corpo, a estética vigorosa, apreciada nos vídeos apresentados. Primeiro, através de improvisos mais livres e, em seguida, através de duas sequências de passos que formaram a base para uma coreografia. A partir desta base, outros movimentos foram sendo incorporados, e nossa sequência foi abrindo a oportunidade de trabalhar o ritmo, as possibilidades de divisão rítmica da música com movimentos, além da memória coreográfica, adquirida pelo grupo.

Um dos exercícios realizados que complementou nossa pesquisa, foi o de pisar na parede com os pés, dando impulsos para saltar de volta ao chão, tentando possíveis torções e viradas de tronco. Foi um exercício bem aproveitado, que favoreceu algumas noções de equilíbrio e eixo. As crianças se envolveram com muito entusiasmo, demonstrando grande interesse e empenho nas aulas.

Da dança de rua fomos para Recife e aprendemos um pouco do Maracatu, que foi apresentado, com muita energia, no Pavilhão de São Cristóvão.
Educação Física
Ano de Copa do Mundo na África e as crianças, empolgadas, já queriam saber se teríamos Olimpíada ou Copa na escola. Passado este primeiro momento de ansiedade e com a confirmação de que haveria a Copa da Sá Pereira, todas puderam desfrutar de manhãs e tardes divertidas no Pereirão.

Os jogos de basquete, handebol, queimado, futebol, pique-bandeira, possibilitaram às crianças experimentar e desenvolver as ações motoras de correr, parar, saltar, lançar, quicar, chutar, testar equilíbrio e mudanças de direção, resultando em maior coordenação e noção de tempo, melhor locomoção pelo espaço e diferentes possibilidades de movimento. As competições por equipes contribuíram, ainda, para reforçar o trabalho em grupo.

Estas atividades colocaram à prova as emoções dos meninos e meninas abrindo espaço para reivindicações e exposição de sentimentos de alegria e tristeza com as vitórias e derrotas. Também através delas pudemos exercitar as regras de convivência, o respeito ao outro e às diferenças e a paciência para solucionar problemas.

Nos Pereirões livres, onde as crianças podem escolher que atividade querem fazer, os grupos foram estimulados a por em prática sua capacidade de dividir o espaço, ceder em suas escolhas e chegar a um consenso, aprendizados importantes não só na Educação Física, como na vida fora do universo escolar.

A Copa da Sá Pereira foi um sucesso! As crianças deram um show em campo e fora dele, com animadas torcidas.

Este grupo é bastante animado e afetuoso. As crianças, além de participativas, adoram contribuir com sugestões de novas brincadeiras. Costumam certificar-se das regras dos jogos, combinadas com o grupo. " Menina não joga bola." "Não sabe, não gosta de futebol". A partir dessas falas, decidimos oferecer diferentes dinâmicas que tiveram como objetivo trabalhar com as questões de gênero. Hoje, é possível notar o cuidado e atenção que os meninos têm com as meninas, convidando e conversando sobre os jogos.

Encerramos o semestre com o nosso Pereirão Junino, onde realizamos brincadeiras desta festa tradicional, adaptadas em forma de competições por equipes, reforçando a importância do trabalho coletivo. Viva Santo Antônio, São Pedro e São João!