Projeto
AS CIDADES – DAS ALDEIAS ÀS GRANDES METRÓPOLES
Como é bom começar o ano com a expectativa de desenvolver um novo projeto, fazer as escolhas para ampliar o tema, trabalhando os saberes, fazendo pesquisas, relações e muitas descobertas! Foi um imenso prazer encontrar este grupo produtivo, entusiasmado e tão querido para, com ele, desvendar as possibilidades que o estudo proporcionava.

Nas primeiras atividades para levantamento dos conhecimentos e da curiosidade das crianças sobre o Projeto "AS CIDADES - Das Aldeias às Grandes Metrópoles", percebemos seu desejo de estudar diferentes cidades e sua cultura. Qualquer que fosse o caminho, nosso propósito era despertar nas crianças a consciência cidadã de pertencimento e comprometimento com a cidade em que vivem, levando-os a compreender que a cidade somos nós.

A partir de um inventário de cidades feito cooperativamente pelas crianças, perguntamos: "O que faz desse lugar uma cidade?", "Quais são as características de uma cidade?" Era o momento de levantar hipóteses, buscar definições e pesquisar a origem e a evolução das cidades através da História.

Em seguida, com o foco em nosso país, começamos sondando: as cidades que conheciam; quais gostariam de conhecer; porque algumas cidades seduzem e vivem no imaginário das pessoas, ganhando um destaque sobre tantas outras? Depois pedimos que indicassem três cidades que considerassem importantes para o Brasil, localizando-as no mapa e justificando sua escolha. Dessa lista teríamos as cidades eleitas para estudo.

Ouro Preto e Brasília eram recorrentes em muitas listas e os seus nomes pareciam nos desafiar. À primeira vista essas cidades se revelavam opostas, mas pareciam exercer uma atração mútua. Então procuramos relações entre as duas.

Ouro Preto e Brasília
Para começo de conversa, vimos que ambas são classificadas como Patrimônio Cultural da Humanidade, têm a arquitetura como traço marcante e, embora pareça contraditório, uma guarda vestígios da outra, e Niemeyer está nas duas. Ambas têm importância como sedes de governo, lugar de decisões políticas: uma, foi construída para ser capital, a outra, se preservou ao deixar de sê-la. Ambas nasceram de um sonho, um sonho de riqueza ou de estratégia política. Cresceram com uma mistura de muitas culturas e, ainda hoje, convivem sempre com uma população diversificada. No caso de Ouro Preto, são estudantes ou artistas que se encantam pela cidade, no caso de Brasília, os políticos que vão cumprir um mandato.

Por tudo isso, pensamos que essas duas cidades nos ajudariam a entender as "cidades" como organismos vivos e dinâmicos, que nascem, crescem, se transformam. Como um patrimônio coletivo, resultado de processos históricos, construído por homens e mulheres vivendo em sociedade. A sua história revela que uma cidade não há como viver só com um propósito, como a riqueza ou a política. Há uma série de necessidades a serem atendidas. "Nosso problema é coordenar, com base nos valores humanos mais essenciais do que a ambição de poder e sede de lucros uma série de funções sociais e modos de vida.

Nada é permanente: nada perdura que não seja a vida, a capacidade de nascer, renovar-se".
Mumford

"Histórias das cidades e as cidades na história"
Começamos o trabalho a partir da apreciação de imagens de Ouro Preto e de Brasília, para aguçar a curiosidade, instigar questionamentos e construir nosso percurso.

Partimos em viagem. Na mala havia livros, revistas, filmes, músicas, textos sobre patrimônio – coletivo, individual, material e imaterial -, barroco, modernismo, Aleijadinho, Niemeyer, ciclo do ouro, Inconfidência Mineira, Tiradentes e JK.

Depois de educar o olhar para os estilos que marcam essas cidades, visitamos, aqui no Rio, exemplares de construções barrocas – Igreja da Ordem Terceira do Monte do Carmo e Paço Imperial - e modernistas – Palácio Gustavo Capanema e Instituto Moreira Salles. Na Mostra de Artes, transformamos nossa sala em um ateliê de anjos barrocos, expondo o processo que usamos para confeccioná-los e o resultado final com a instalação de guirlandas, flores e muito dourado.

Para as leituras compartilhadas, encomendamos "Mestre Lisboa" de Nelson Cruz, para Ouro Preto, e "Flor do Cerrado", de Ana Miranda, para Brasília. Cada um contando sobre sua cidade pela história dos biografados.

Em Ouro Preto, admiraram-se com a fome que assolou a cidade nos primeiros tempo da corrida do ouro, se encantaram com o romance de Marília e Dirceu, indignaram-se com a opressão sobre a colônia e a escravidão dos africanos. Criaram intimidade com Aleijadinho e Tiradentes, a ponto de fazê-los personagens em suas histórias, e se revoltaram com a traição de Silvério e a repressão da Coroa.

(...)Lá vai o casal para a igreja/ Admirando sua beleza/ A igreja toda de ouro/ Guarda dentro o seu tesouro.
Fernanda, Carol Gallindo, Júlia Amorim

(...)Ali está Tomás/ Tomás ali está/ Sentado no banco da ponte/ Por Marília suspirar.
Beatriz Carneiro, Antônio e Maria Eduarda

(...)Em cada lugar há uma história.../ A de Ouro Preto é a mais interessante/ "Que seja conduzido pelas ruas públicas até o lugar da forca e que morra a morte natural para sempre."/ Essa foi uma parte da sentença de Tiradentes.
Beatriz Passos, Nina Hara e Marina Nascimento

(...)A garota olhava pela janela/ Sua mãe contava histórias/ Sonhava com elas/ A história predileta/ A luta de Tiradentes/ Para libertar o nosso Brasil.
Guilherme, Leonardo e João Luiz

Em Brasília também foram um pouco pioneiros, candangos e sentiram o desafio de planejar, construir e dar vida a uma cidade.

Brasília, monumentos/ E histórias no tempo/ Sobre pessoas importantes/ E arquiteturas deslumbrantes/ Bernardo Sayão, gravado na memória/ dos candangos da construção/ vieram de todo lugar/ fugindo da seca/ para a vida melhorar(...)Quando terminavam um prédio/ faziam a festa da cumeeira/ com cerveja e comida caseira.(Tiago, Antonio e Carol Gallindo)

Era importante que as crianças se aproximassem daquelas histórias, para que, como os personagens das cidades, também se a percebessem como atores sociais, capazes de intervir no seu espaço geográfico e nas suas relações mais próximas.

Nas produções de texto, foi gostoso ver as crianças descobrindo que a Língua, assim como as cidades, também é viva e dinâmica, precisando de leis, que nascem da constante troca entre os falantes, para universalizar o seu uso. Torna-se um desafio ler ou escrever alguma palavra, cuja grafia causa estranheza. No entanto, a descoberta de que uma pontuação pode aclarar ou modificar um texto, contribuindo assim, para a aquisição dos recursos linguísticos. Aos poucos, as crianças os colocam em prática tornando sua escrita cada vez mais elaborada. Também os conceitos e as nomenclaturas da gramática formal vão aparecendo no contexto da expressão oral ou escrita, abrindo espaço para reflexões e estreitando os laços com a Língua.

Logo no início do ano, surgiu a ideia de homenagear um autor brasileiro, batizando, com seu nome, a nova Biblioteca. O Quarto Ano traz a poesia e a biografia, para que as crianças possam se apropriar de sua estrutura e especificidades, não só como leitores, mas também como produtores desses gêneros. Por este motivo, escolhemos defender um poeta: Manoel de Barros. Aproximamo-nos, assim, de sua poesia e de sua vida, num delicioso exercício de vivência dos dois gêneros literários.

Os "leitores do dia"também tiveram muita poesia. Realizamos a atividade com o livro "Poesia fora da Estante", da Editora Projeto, numa proposta que começou com crianças tímidas e cheias de cerimônia, tanto para ler, quanto para comentar as poesia. Afinal, tudo terminou em gostosos saraus, que ampliaram o repertório dos autores conhecidos e abriram possibilidades para a escrita poética.

Para finalizar o semestre, propusemos uma conversa de anjos: os anjos barrocos de Aleijadinho que se encontraram com os anjos de Ceschiatti, da Catedral de Brasília. Na pauta desse encontro, consta uma troca de impressões angelicias sobre as duas cidades, que abrirão caminho para os novos estudos do próximo semestre.
Matemática
O trabalho de Matemática, no Quarto Ano, faz com que as crianças lancem mão dos recursos que já possuem, para que produzam seu próprio conhecimento, através de situações didáticas escolhidas para favorecer, estimular e organizar os novos conteúdos a serem aprendidos. Começamos retomando as estratégias pessoais de cálculos e o algoritmo da adição e da subtração, ampliando o campo numérico. Atividades para ler, escrever, comparar, ordenar, compor e decompor os "números grandes", foram importantes para discutir e descobrir regras sobre o nosso sistema de numeração decimal, apresentando, sistematizando os conceitos de valor relativo e absoluto, além do uso do QVL (quadro valor de lugar).

Em nossas aulas, o conteúdo é sempre apresentado com muito cuidado, valorizando cada etapa, cada palavra dita, cada pergunta e cada resposta. As aulas transcorrem com conversas, debates e prática. Proporcionamos esses momentos para que os alunos defendam seus pontos de vista, questionem os dos outros, apresentem suas hipóteses e estratégias pessoais em diferentes situações. Errar ou acertar têm a mesma importância e são valorizados no grupo. "O que me fez acertar? Onde errei? Por que eu errei?" são questões sempre levantadas e respondidas pelos pequenos.

Os jogos, envolvendo o cálculo mental da multiplicação por 10, 100 e 1.000 agradaram a todos e foram fundamentais na medida em que trouxeram subsídios para cálculos e importantes generalizações.

Ler, interpretar, resolver e criar problemas, continua sendo a essência da atividade matemática, por favorecerem a construção de novas aprendizagens e permitirem o emprego de conhecimentos já construídos. Por isso, procuramos oferecer dinâmicas diferentes de resolução e discussão, a fim de que troquem seus saberes com seus pares e confrontem opiniões. Muitas vezes, é no calor da discussão que nascem importantes reflexões e surgem procedimentos que virão a ser validados no grupo.

O lugar de destaque, e de maior interesse no semestre, foi, sem dúvida, a apresentação da tabuada e a sistematização da multiplicação com o aprendizado do algoritmo. Iniciamos esse estudo com atividades que tratam da configuração retangular, da adição de parcelas iguais e combinação - ideias características dessa operação.

Durante o semestre foi necessário acompanhar a turma de perto e não deixar as dúvidas se acumularem. Os registros precisaram sempre de uma atenção especial, mas, hoje, já temos cadernos organizados e caprichados. O grupo fez muitos avanços e mostra-se interessado pelos novos aprendizados. Todos gostam de participar das discussões coletivas e querem ir ao quadro resolver contas e problemas.

Tribo
Muito apropriado deste espaço, este grupo sabe ocupá-lo, preenchê-lo e usufruir dos encontros semanais de uma forma muito produtiva. As crianças sabem que assuntos trazer para a Tribo, avaliar o que é importante para o grupo, o que diz respeito a todos enquanto turma e que assuntos são pertinentes para cada um nessa experiência coletiva. O significado de coletivo parece ter um sentido nas nossas conversas. Sabem que este espaço pertence a eles, pois guardam os assuntos durante toda a semana para serem discutidos na roda da Tribo. Momento em que todos se olham, ouvem e ficam à vontade entre seus pares, para acertar e para errar, num clima de respeito e confiança. Desejos
Registrar num papel qual o seu desejo para este ano na turma: aprendizagens, amizades, descobertas, amadurecimento, passeios, campeonatos e tantos outros. Esse desejo fica bem guardado até a última Tribo do ano. Então, numa roda, cada um relê o seu, acha graça, não entende a letra, descobre que já aconteceu, ou que não é mais seu desejo. Não importa. A ideia é fazer o seu melhor sempre. Mesmo que não se realizem, o importante é manter a motivação para viver por inteiro cada momento, porque sabemos que, no percurso, os desejos podem se transformar e tomar novos rumos.

Este ano, uma novidade: registramos, também, um desejo para a nossa cidade.

A Campanha Embarque e Desembarque da Escola
"Seja solidário consigo mesmo ajudando a todos. Cuide do embarque e do desembarque."
"Seja rápido e pense nos outros, não demore pra sair do carro."
"Brinque, mas fique à escuta do seu nome."...

Estas e muitas outras palavras de ordem, slogans e toques fizeram parte da nossa primeira campanha em prol de uma vida melhor num pedacinho da nossa cidade: a porta da escola, a Rua Capistrano de Abreu e adjacências. Colocamos em prática as nossas reflexões sobre o tema do ano: As Cidades: Das Aldeias às Grandes Metrópoles. Sabemos que o trânsito é um dos problemas da cidade grande. E o Rio de Janeiro também sofre deste mal. Então, porque não cuidar, na nossa medida, cada um fazendo a sua parte, para que a circulação da rua flua livremente, mesmo nos horários de entrada e saída da escola? Foi o que fizemos! E parece que funcionou, pois sentimos uma melhora e uma atenção maior de todos. Mas a maior conquista foi a experiência vivida pelas crianças de participar, agir, opinar, transformar uma situação real da nossa cidade.

As Regras de Convivência
Aos menores elas são apresentadas, aos maiores lembradas. São muito importantes nossas conversas sobre a convivência diária numa turma, dentro do espaço escolar. É um assunto que perpassa todas as Tribos, ao longo do ano. As regras estão escritas, mas acreditamos que elas só são efetivamente assimiladas quando vividas e, então, discutidas. Trata-se de uma conquista gradativa, que acontece com as situações reais do nosso dia a dia, de conflito ou de cuidado com o outro, que aproveitamos para conversar, analisar, discutir, buscar soluções. As crianças, aos poucos, entendem que as regras são dinâmicas, modificam-se com as alterações da escola - novo prédio, novas salas, novas turmas, mais espaço – mudam com o amadurecimento dos alunos, com as trocas, as avaliações, as novidades do mundo moderno que invadem a escola. Mas a sua essência - o cuidado consigo e com o outro - é universal e atemporal.

A Copa
Saber ganhar, saber perder. Como são difíceis essas aprendizagens! Muitos sabem bem o que é espírito esportivo, mas não conseguem colocar em prática esse saber. A emoção de uma derrota no jogo, na brincadeira com o amigo, na defesa de uma ideia, na tarefa, numa atuação teatral é mais forte do que todo seu conhecimento a esse respeito. Optamos por conversar pouco sobre o tema e reservar um espaço para assistir ao filme "Ernesto no país do futebol", de André Queiroz e Thais Bologna. Através da experiência difícil de um menino argentino que mora no Brasil e tem que lidar com a derrota de seu país contra o Brasil numa Copa do Mundo. Com este enredo, o filme fala muito mais do que mil conversas sobre o assunto. A reação das crianças, durante e depois do filme, nos deu a certeza de que a história, tão próxima de suas próprias histórias, tocou cada um na medida certa.

O Relaxamento
O relaxamento não pode faltar. Um breve, porém intenso momento para estar consigo mesmo e perceber a grandeza que existe em cada um: corpo, mente, sentimentos, afetos, sentidos, desejos. Aos poucos, sem pressa, é possível se perceber diferente e, assim, perceber o outro e o contexto – seja ele qual for – com mais equilíbrio e mais possibilidade de agir e de cuidar.
Artes
Com o tema "as cidades", escolhemos a arte urbana como foco. Através da internet os alunos apreciaram interferências urbanas que se encontram espalhadas por diversas partes do mundo. A ideia era se questionar: Como elas, particularmente, interferem no dia-a-dia das pessoas que circulam pela cidade, como mudam a relação das pessoas com o espaço e como aparecem e somem, sem que nos demos conta. Conversamos também sobre as diferentes técnicas usadas pelos artistas.

Inspirados nessa proposta, iniciamos um processo de pesquisa na escola, procurando locais que incitassem nossa criatividade. A brincadeira era tal qual a de olhar para as nuvens e pensar com que elas se parecem. Olhar as paredes, escadas, pregos ou buraquinhos que fizessem nossa imaginação trabalhar e os tornassem objetos com funções diferentes. A princípio, começamos fotografando os locais e registrando as ideias. Imprimimos as fotos e desenhamos as ideias por cima delas. Depois de prontas, votamos nas propostas mais interessantes e, a partir daí, discutimos quais seriam os materiais mais adequados para executar os projetos. Tinta acrílica e adesivos coloridos foram os materiais mais próximos aos sprays e stickers que vemos por aí.

A execução e fixação dos trabalhos foi minuciosa e muito divertida, assim como vê-los tomando conta e dando vida a nossa escola. Finalmente, fotografamos os trabalhos prontos e fizemos um jogo, para que os visitantes da Mostra encontrassem todas as intervenções.

Depois da feira, começamos uma proposta individual livre, com o intuito de relaxar e curtir outros materiais. Nas últimas aulas do semestre usamos os lápis pastel na confecção de uma colcha de retalhos de chitão, para enfeitar o casamento e a Festa Junina.
Inglês
O começo do ano foi marcado pela visita de um inglês, radicado no Rio de Janeiro que gentilmente veio conversar com a turma sobre sua cidade natal, Londres. Falou também sobre algumas particularidades do sistema de transporte metroviário, o primeiro a ser desenvolvido no mundo. Esse encontro rendeu muito, virou um texto coletivo e nos levou a procurar outros histórias, relacionadas ao metro de várias cidades.

Muitas foram as contribuições! Mapas, guias e fotos que serviram de inspiração para algumas conversas e foram rendendo assunto para a construção de frases e pequenos textos, ao mesmo tempo em que as crianças iam construindo algumas noções básicas da gramática da língua inglesa. Assistimos também a dois filmes que retratam cenas no metro: Ghost e Uma mensagem para você ( You got mail). É sempre importante assistí-los com áudio e legenda em inglês, procurando compreender a fala dos personagens, e recorrendo à legenda quando necessário.

Ao observar os mapas, percebemos muitas palavras novas o que nos possibilitou organizá-las em suas classes gramaticais. Algumas, como "proper nouns", outras, como "common nouns". Como as crianças já estavam muito sabidas com relação a esse conteúdo na língua portuguesa, não foi difícil para elas fazer relações entre as línguas. Algumas questões foram desenvolvidas a partir desta ideia inicial. Foi possível observarmos os "articles", que andam junto com os substantivos, e que, também no inglês, podem ser definidos e indefinidos. Para melhor empregá-los, tivemos que nos aprofundar na questão do plural desses substantivos. Alguns são irregulares e confundem, tornando um pouco mais complicada a construção de frases, já que os artigos indefinidos não acompanham os substantivos no plural.

Todo esse percurso vem sendo registrado no caderno e no nosso blog (undergroundscities@blogspot.com) durante aulas desenvolvidas na sala de informática com muita concentração e competência pelo grupo. Também aproveitamos essas idas ao computador para fazer exercícios online e jogar em sites educativos. Essas aulas estão sendo muito bem aproveitadas pelas crianças, pois, sempre há muita troca entre aqueles que estão entendo um pouco melhor, com os que ainda estão precisando de ajuda. Ao mesmo tempo, as aulas são divertidas!

Neste final de semestre ainda tivemos tempo de retomar algumas palavras bem conhecidas e que passaram a pertencer a uma classificação: os adjetivos! Eles estão sendo usados para melhor expressarmos nossas ideias ao descrevermos pessoas, objetos, lugares etc.
Música
Começamos o ano, retomando o estudo da flauta doce soprano, e fazendo uma grande revisão das músicas do livro "Vamos tocar flauta doce – 1o volume" de Helle Tirler, trabalhadas no ano passado. Após revisarmos as músicas de maneira mais geral, os alunos se dividiram em grupos, tendo, em cada um, pelo menos uma criança que demonstrava maior domínio sobre o repertório. Desta maneira, aquela com maior desenvoltura pôde ajudar seus colegas e conforme as outras iam aprendendo, ajudavam-se mutuamente. Circulando pelos grupos, pude também dar uma atenção especial tanto às crianças novas na turma, iniciando seus estudos de flauta doce, quanto aos alunos antigos que apresentaram mais dificuldades.

Terminada a revisão, todos receberam o arranjo a três vozes da música folclórica "Nesta Rua". Trabalhamos bastante as vozes de acompanhamento, lendo e tocando em sala, deixando a melodia principal, mais complexa, por conta dos que tivessem mais interesse no estudo da flauta doce. Algumas, motivadas por este desafio, trabalharam a primeira voz de forma mais autônoma, fora do espaço escolar e o fizeram muito bem. A divisão das vozes deu-se gradualmente, já que as crianças tiveram a oportunidade de tocar vozes diferentes em cada aula. A escolha final foi cristalizada nas últimas aulas antes da Mostra de Artes, levando em consideração a fluência e o desejo de cada criança de tocá-las.

A preparação desse arranjo teve momentos difíceis, quando poucas crianças estavam realmente comprometidas, entretanto, perto da Mostra de Artes e frente às conquistas que estavam sendo feitas, a turma se envolveu e se dedicou mais, possibilitando que o arranjo fosse apresentado.

Ainda no início do semestre, conversamos sobre os sons da cidade, fazendo uma conexão com o tema de estudo das crianças nas aulas de Projeto e das outras linguagens artísticas. Ouvimos diferentes fontes sonoras contendo sons tipicamente urbanos, e discutimos a possibilidade de usá-los na música, expandindo, assim, a própria concepção de música.

Em paralelo a essas atividades, mantivemos o trabalho com o método de musicalização "O Passo", essencial na preparação do arranjo trabalhado. O estudo dessa metodologia ajudará as crianças na construção de ferramentas importantes, para garantir uma maior qualidade e autonomia a elas nos seus estudos de música.

No próximo semestre devemos intensificar o estudo do método "O Passo" e seguir com estudo da flauta doce, trabalhando a música folclórica "Peixe Vivo", que já começou a ser vista nas últimas aulas. Esta música foi escolhida por ser frequentemente associada ao presidente JK, fundador de Brasília, apresentado nas aulas de Projeto.

Para isso, a turma precisará manter seus esforços para aproveitar, ao máximo, nossos encontros, dedicando-se cada vez mais aos estudos de música.
Teatro
O tema Cidades foi o pontapé inicial do nosso trabalho. "Quais cidades do Brasil vocês conhecem?" "Quais são as maiores diferenças entre essas cidades?" Estas foram as perguntas que as crianças do quarto ano responderam em nossos primeiros encontros.

A partir daí, começamos a criar cenas teatrais usando esse tema. Notei que precisávamos de alguns ingredientes mais sofisticados para melhor elaborar nossas improvisações. Começamos estudando os diferentes estados e sentimentos de um personagem. Primeiramente, despertamos nossa sensibilidade criativa com um exercício simples: cada aluno escolhia uma frase e falava-a para o resto da turma sem transparecer nenhum sentimento. Em seguida, escolhia um sentimento para dizer aquela mesma frase. Num terceiro momento, outro sentimento era escolhido, mudando assim, mais uma vez, a maneira de dizer uma mesma frase. No entanto, para expressar um sentimento de raiva, por exemplo, um ator não deve somente falar num tom de raiva; todo seu corpo deve estar comprometido, de tal forma, que o espectador acredite naquele personagem. Foi pensando nisso, que elaboramos um exercício no qual o aluno tivesse que expressar um sentimento sem fazer uso da fala. O ator entrava em cena com um estado bem definido, caminhava até uma cadeira no centro da cena e sentava-se. Na cadeira, o personagem encontrava uma carta, que continha uma notícia que mudaria seu estado. Sendo assim, o ator saía de cena com um sentimento diferente daquele com que entrou.

Ainda buscando aprimorar a composição de um personagem, iniciamos um estudo sobre ritmo e energia. Quando um ator cria um personagem, ele deve pensar na maneira como o personagem anda, como gesticula, com que ritmo e com que energia desempenha suas atividades mais corriqueiras. Se um personagem tem um ritmo lento e uma energia contida, por exemplo, o espectador identifica um tipo de pessoa, com um temperamento específico, no entanto, se a energia é expansiva e o ritmo acelerado, o público já faz outra leitura. Assim, os alunos do quarto ano exercitaram esses conceitos, praticando exercícios e cenas. Ex.:Traçar uma trajetória com um ritmo e uma energia definidos. Em algum momento da trajetória, haveria uma quebra brusca de ritmo e energia. Seguimos então, para as improvisações. Os personagens deviam iniciar com uma energia clara; em algum momento da cena algo deveria acontecer, para que os personagens adquirissem outra energia.

Foi um semestre de muito trabalho, mas também muito divertido para todos nós e, certamente, muito produtivo.
Expressão Corporal
Começamos o ano relembrando as regras de convivência para nossa organização nas aulas de Expressão Corporal. Aproveitamos as rodas de aquecimento para abordar os cuidados necessários na exploração dos movimentos individuais e em grupo, pelo espaço da sala.

Movidos e inspirados pelo Projeto Institucional, apreciamos vídeos que de alguma forma, apresentavam o corpo em movimento nas cidades. Vale destacar o vídeo do grupo Philobolus, com uma coreografia de sombras, num passeio pela cidade de Nova York. Inspirados pelos bailarinos que criavam incríveis formas coletivas, projetamos uma luz num pano pendurado. Assim, também fizemos nossas próprias criações, num delicioso estudo, experimentando movimentos e as perspectivas das sombras coletivas e individuais, projetadas no salão.

Introduzimos alguns elementos da cultura Hip Hop, apresentando as frentes deste movimento, contextualizando-o e assistindo a vídeos selecionados no Youtube. Abordamos, principalmente, a dança de rua, trazendo como referência o "Break", que significa, literalmente, "quebrar". Procuramos reproduzir, com o corpo, a estética vigorosa, apreciada nos vídeos apresentados. Primeiro, através de improvisos mais livres e, em seguida, através de duas sequências de passos que formaram a base para uma coreografia. A partir desta base, outros movimentos foram sendo incorporados, e nossa sequência foi abrindo a oportunidade de trabalhar o ritmo, as possibilidades de divisão rítmica da música com movimentos, além da memória coreográfica, adquirida pelo grupo.

Um dos exercícios realizados que complementou nossa pesquisa, foi o de pisar na parede com os pés, dando impulsos para saltar de volta ao chão, tentando possíveis torções e viradas de tronco. Foi um exercício bem aproveitado, que favoreceu algumas noções de equilíbrio e eixo. As crianças se envolveram com muito entusiasmo, demonstrando grande interesse e empenho nas aulas.

Em parceria com o João, professor de Música, e com os professores do Projeto, montamos uma releitura de "Se essa Rua Fosse Minha". Criamos uma coreografia que foi apresentada na Mostra de Artes, acompanhada de uma versão atualizada, criada e cantada pelas crianças no ritmo do "batidão".

Do Hip Hop fomos para o Pará conhecer o Siriá, encantadora dança regional que foi ensaiada e apresentada no Pavilhão de São Cristóvão.
Educação Física
Ano de Copa do Mundo na África e as crianças, empolgadas, já queriam saber se teríamos Olimpíada ou Copa na escola. Passado este primeiro momento de ansiedade e com a confirmação de que haveria a Copa da Sá Pereira, todas puderam desfrutar de manhãs e tardes divertidas no Pereirão.

Os jogos de basquete, handebol, queimado, futebol, pique-bandeira, possibilitaram às crianças experimentar e desenvolver as ações motoras de correr, parar, saltar, lançar, quicar, chutar, testar equilíbrio e mudanças de direção, resultando em maior coordenação e noção de tempo, melhor locomoção pelo espaço e diferentes possibilidades de movimento. As competições por equipes contribuíram, ainda, para reforçar o trabalho em grupo.

Estas atividades colocaram à prova as emoções dos meninos e meninas abrindo espaço para reivindicações e exposição de sentimentos de alegria e tristeza com as vitórias e derrotas. Também através delas pudemos exercitar as regras de convivência, o respeito ao outro e às diferenças e a paciência para solucionar problemas.

Nos Pereirões livres, onde as crianças podem escolher que atividade querem fazer, os grupos foram estimulados a por em prática sua capacidade de dividir o espaço, ceder em suas escolhas e chegar a um consenso, aprendizados importantes não só na Educação Física, como na vida fora do universo escolar.

A Copa da Sá Pereira foi um sucesso! As crianças deram um show em campo e fora dele, com animadas torcidas.

É uma turma bem humorada e unida. Normalmente apressa-se em escolher os times para não perder tempo de jogo e é atenta às explicações sobre as regras das atividades, aguardando a sua vez de falar para, então, esclarecer as dúvidas.

Encerramos o semestre com o nosso Pereirão Junino, onde realizamos brincadeiras desta festa tradicional, adaptadas em forma de competições por equipes, reforçando a importância do trabalho coletivo. Viva Santo Antônio, São Pedro e São João!
Coral
Com o novo grupo, F4 começando, F5 com a experiência do ano passado, e alguns de F6 que optaram por continuar no coral à tarde, nossa primeira tarefa foi organizar o grupo procurando equilibrar as forças, de modo análogo ao que se faz com os jogadores de um time de futebol. Não tem nada a ver um goleiro no ataque e um atacante agarrando no gol, certo?! Procurando favorecer as características individuais, levamos m consideração os seguintes aspectos para a “escalação do time”: alcance vocal, domínio rítmico, musicalidade, facilidade de afinação, tendência vocal para o agudo ou para o grave e capacidade de concentração ou maturidade observadas no trabalho coletivo. Com os 50 componentes da manhã e os 65 da tarde em suas posições, dividimos o repertório em duas vertentes:

Músicas novas, pesquisadas e arranjadas em função do projeto deste ano, "As Cidades", estimulando o processo de aprendizagem de todo o grupo:

- Suite Carioca: na verdade uma coleção de músicas que agrega "Valsa de uma Cidade", de Antônio Maria, "Primavera", de Braguinha, "Cidade Maravilhosa", de André Filho e um “pot-pourit” de hinos de futebol.

- Colagem Carioca: coleção de temas ligados à cidade do Rio de Janeiro composta, em sua versão integral, de "Rua da Passagem", de Lenine e Arnaldo Antunes e "Santa Teresa", de Gui Guimarães e Marinaldo Guimarães, já lidos nos ensaios, não apresentados na Mostra de Artes, e os temas já apresentados "Do Leme ao Pontal", de Tim Maia, "Aquele Abraço", de Gilberto Gil e "Rio 40 Graus", de Fernanda Abreu, Fausto Fawcett e Laufer.

Músicas trabalhadas anteriormente, quando a F5 tem a oportunidade de ajudar a F4 a aprender o repertório antigo: La Bamba, de Ritchie Valens e Planeta Blue, de Milton Nascimento e Fernando Brant.

Em oposição ao desejo das crianças por variedade, novidade e rapidez de resultados, tentamos mostrar-lhes a perspectiva de que o trabalho pode ser aprofundado, bem cuidado, e que o prazer imediato pode ser adiado, um pouquinho, em função de uma gratificação maior, que só pode ser alcançado com a convergência de todas as forças e intenções. De qualquer modo, como trabalhamos com diversos temas integrados em uma nova forma, pudemos atendê-las em parte, possibilitando a satisfação natural de alcançar os objetivos, mesmo que parciais. Sempre que um tema, trecho ou elemento é dominado, a “dança do dedinho” (gesto com o polegar que alegremente se dirige para o alto, com acompanhamento do piano) provoca uma explosão de alegria.

Montamos um repertório aparentemente pequeno, mas razoavelmente complexo, a várias vozes, incluindo alguma encenação, trabalhando-o da melhor forma possível, sem deixar de respeitar as limitações reais de idade das crianças. A preparação adequada para apresentação em palco, incluindo a organização, movimentação e concentração, foram aspectos também valorizados.

Na auto-avaliação da apresentação da Mostra, baseada no vídeo do evento, ouvimos: “Não imaginava que ficaria tão bom” ... “No dia, me concentrei e deu tudo certo!” ... “A gente estava concentrado porque tinha muita gente lá” ... , confirmando a alegria e a gratificação com o resultado do trabalho.