Projeto
A cada ano que se inicia são muitas as expectativas sobre o novo grupo. E são elas que nos fazem pensar e repensar no trabalho que precisamos realizar. Queremos fazer parte e para isso é preciso chegar, nos apresentar, observar, construir vínculos e traçar metas de trabalho, pois sempre há muito que realizar.

Logo nos primeiros dias, o grupo mostrava-se muito desorganizado em seus registros e no modo de participar coletivamente. Seus olhos estavam voltados para todos os cantos da sala e para seus pertences. Poucos eram os que encontravam os meus durante uma conversa. Nas aulas, o pedido de atenção e o convite a ouvir e participar eram constantes. Falávamos sempre da importância do aprender junto e procurávamos valorizar suas produções.

Na medida em que fomos fazendo escolhas e traçando nossos projetos de estudo, o grupo cada vez mais se comprometia e crescia. Começou a desejar ocupar um novo lugar e para isso seria preciso maior participação em sala, organização das tarefas, e, principalmente, vontade de fazer diferente.

E é isso que tem acontecido em nossas aulas. O grupo hoje escuta, pondera, questiona e reflete. Percebe a importância do fazer junto, de trabalhar em equipe, de ajudar, de se dedicar e fazer o melhor. Todos ficam felizes com suas produções e procuram, sempre que podem, ajudar uns aos outros.

Nas primeiras discussões sobre o Projeto "As cidades – das aldeias às grandes metrópoles", percebemos que os pequenos tinham como interesse conhecer várias cidades e sua cultura, suas histórias e seus monumentos.

E assim iniciamos perguntando: O que é uma cidade?

Registraram no caderno suas hipóteses e depois, em duplas, procuraram uma definição em seus dicionários. As conceituações que apareceram foram bem complexas e foi preciso explicá-las. Para isso, contamos com a ajuda de uma brincadeira: "uma palavra puxa outra".

Na cidade tem: pessoas/ prefeito/ fábrica/ comércio/ mercado/ crianças/ árvores/ movimento/ hospital/ tédio/ trânsito/ carros/ museu/ shopping/ casa/ trabalhadores/ praças/ lixo/ poluição/ cemitério/ polícia/ crime/ favelas/ruas/ igrejas/ histórias...

A partir do que foi dito e registrado, retornamos às definições para que as entendessem melhor e levantamos outras questões:

Sempre existiram cidades? Como era antes? Como tudo começou? – Conversamos muito sobre esse assunto. As crianças participaram e se mostraram interessadas no surgimento e desenvolvimento das cidades através da história.

Em paralelo, elaboramos uma lista das cidades que já visitaram e as localizamos no mapa, discutindo algumas semelhanças e diferenças entre elas e escolhendo um critério para agrupá-las.

Aproveitamos também a comemoração dos 445 anos da fundação da cidade do Rio, no dia 1º de março e contamos um pouco da história da nossa cidade na narrativa de Luis Braz no seu livro "Encontros e desencontros no Rio de Janeiro".

Assim, abrimos outra discussão: a importância de uma cidade para a história de um país. Por que uma cidade se torna importante?

Depois, pedimos que em casa, com sua família, destacassem três cidades que considerassem importantes para a história do nosso país, justificando sua escolha. Entre outras, Brasília e Ouro Preto apareceram em nossa sala de aula e com elas decidimos ler, contar e escrever histórias.

Assim batizamos o nosso projeto: "As Cidades na História e as Histórias das Cidades"

Depois de escolhidas as cidades, era chegada a hora de arrumar as malas para partirmos nessa viagem. O que precisaríamos levar? Discutimos com nossos pequenos o que queríamos aprender sobre as cidades e qual deveria ser nossa postura diante dos novos conhecimentos.

Ouro Preto é tão bonita/ Que a todos vai seduzir/ É uma cidade preservada/ Nela todos podem ir.
Clarisse e Giovana

Durante esse tempo fomos brindados a todo instante pelas matérias de revistas, jornais, programas de televisão que ilustraram e enriqueceram nossos estudos.

A história de Ouro Preto nos foi contada através da vida de Aleijadinho com a leitura do livro "Mestre Lisboa", de Nelson Cruz e pela luta de Tiradentes. Não faltaram imagens, textos, filmes e poesias que nos contassem histórias dessa cidade.

Em Ouro Preto tem igrejas/ Igrejas em Ouro Preto tem/ Pessoas pra lá vão/ Será que posso ir também?
Bento B e Bento G

A leitura do livro nos convidou ainda para um estudo um pouco mais cuidadoso sobre o barroco brasileiro. Mostramos o vídeo da exposição sobre o barroco organizada pela FIESP, e visitamos alguns locais no Centro do Rio, aguçando o olhar das crianças para o barroco que temos aqui, perto de nós, com o Paço Imperial e a igreja da Ordem Terceira do Carmo, já fazendo uma comparação com a arquitetura modernista de Oscar Niemeyer na visita ao palácio Gustavo Capanema .

O resultado de tanto envolvimento e estudo pôde ser apreciado em nossa Mostra de Artes, com direito a anjos barrocos, fotografias e poemas que nos revelaram os encantos de Ouro Preto.

Ouro Preto, Ouro Preto/ Me encantei com a sua paisagem/ Pois elas são bem bonitas/ Pena que estou de passagem.
Lito e Ian

Aos poucos, nos distanciamos de Ouro Preto e nos aproximamos de Brasília. Após a Mostra de Artes, arrumamos o mural da sala com as notícias de jornal recolhidas nesse tempo que envolveu as comemorações dos 50 anos da construção da cidade.

JK tornou o sonho/ de pessoas realidade/ construindo uma nova cidade (...)Os pioneiros chegaram de caminhão/ e JK de avião/ para Brasília construir/ num lugar cheio de chão.
Manuela, Francisco, João W, Pedro C, Giovana

Assistimos ao filme "A invenção de Brasília" e, através dele, tivemos muitas informações sobre o cerrado e seus primeiros habitantes. O sonho de Dom Bosco, José Bonifácio, a primeira Constituição, a vontade de proteger a capital e, depois de tanto tempo, a decisão de JK em, realmente, construí-la. Vimos depoimentos de pioneiros, a escolha do projeto de Lúcio Costa e Niemeyer, e conhecemos um pouco da vida dos candangos. Vimos ainda quem vive lá hoje,e sua periferia.

A partir disso, conversamos com as crianças e muitas questões foram surgindo nas aulas; desde os muitos presidentes que o Brasil já teve, até as futuras eleições...

Em sala foram muitos os materiais que chegaram sobre a construção de Brasília e as obras de Niemeyer.

Lemos o livro "A Flor do Cerrado", de Ana Miranda. Ela escreve com riqueza de detalhes, dividindo conosco os questionamentos de uma pequena menina ao pensar em como se constrói uma cidade.

Esse projeto proporcionou às crianças um encontro com os dois gêneros textuais escolhidos para o quarto ano: a biografia e a poesia, para que possam se apropriar das suas estruturas e especificidades não só como leitores, mas também como produtores.

Tivemos como companhia em nossas tardes o livro Poesia Fora da Estante, da editora Projeto. Assim, as crianças puderam ampliar seu repertório de poemas, conhecer mais escritores desse gênero e até mesmo se arriscar, criando seus versos, brincando com a sonoridade e com a intenção das palavras.

Apresentar Manoel de Barros como possível nome para a nossa Biblioteca foi uma escolha acertada. Ele chegou com força em nossas aulas. Fez surgir na turma uma escuta muito atenta às palavras e um olhar mais cuidadoso para as pequenas coisas.

As produções escritas aconteceram em diversas propostas e situações. Com isso as questões sobre a língua surgiram, promovendo importantes aprendizados. Mas precisamos ainda continuar com um olhar atento em seus registros. As crianças esbarram o tempo todo em dúvidas e impasses durante a realização de suas tarefas. São muitas as descobertas e reflexões sobre a escrita correta das palavras. É muito importante, nesse momento , deixar aparecer a dúvida, levantar discussões e fazê-los pensar. Incentivamos a utilização de todos os recursos linguísticos que já possuem: o uso do parágrafo, os sinais de pontuação, a letra maiúscula, o discurso direto e indireto. Mas sabemos o quanto ainda é comum que, durante a escrita livre e criativa, esqueçam de usá-los. Afinal, sabemos que escrever não é tarefa simples.

Ficamos com os versos de Manoel de Barros: "A criança erra na gramática, mas acerta na poesia."

Matemática
O trabalho de Matemática, no quarto ano, faz com que as crianças lancem mão dos recursos que já possuem, para que produzam seu próprio conhecimento, através de situações didáticas escolhidas para favorecer, estimular e organizar os novos conteúdos a serem aprendidos. Começamos retomando as estratégias pessoais de cálculos e o algoritmo da adição e da subtração, ampliando o campo numérico. Atividades para ler, escrever, comparar, ordenar, compor e decompor os "números grandes" foram importantes para discutir e descobrir regras sobre o nosso sistema de numeração decimal, apresentando e sistematizando os conceitos de valor relativo e absoluto.

Em nossas aulas, o conteúdo é sempre apresentado com muito cuidado, valorizando cada etapa, cada palavra dita, cada pergunta e cada resposta. As aulas transcorrem com muitas conversas e debates. Proporcionamos esses momentos para que os alunos defendam seus pontos de vista, questionem os dos outros, apresentem hipóteses e suas estratégias pessoais em diferentes situações. Errar ou acertar têm a mesma importância e são valorizados no grupo. "O que me fez acertar? Onde errei? Por que eu errei?" são questões sempre levantadas e respondidas pelos pequenos. No início ainda estavam um pouco tímidos, falavam pouco, mas hoje, nossas discussões são muito animadas.

Os jogos, envolvendo o cálculo mental da multiplicação por 10, 100 e 1.000 agradaram a todos e foram fundamentais na medida em que trouxeram subsídios para cálculos e importantes generalizações.

Ler, interpretar, resolver e criar problemas, continua sendo a essência da atividade matemática, por favorecerem a construção de novas aprendizagens e permitirem o emprego de conhecimentos já construídos. Por isso, procuramos oferecer dinâmicas diferentes de resolução e discussão, a fim de que troquem seus saberes com seus pares e confrontem opiniões. Muitas vezes, é no calor da discussão que nascem importantes reflexões e surgem procedimentos que virão a ser validados no grupo.

O lugar de destaque e de maior interesse no semestre, foi sem dúvida a sistematização da multiplicação com o aprendizado do algoritmo e a apresentação da tabuada. Iniciamos esse estudo com atividades que tratam da configuração retangular, da adição de parcelas iguais e combinação, ideias características dessa operação.

Durante o semestre foi necessário acompanhá-los de perto e não deixar dúvidas se acumularem. Os registros precisaram também de uma atenção especial, mas, hoje, já temos cadernos organizados e caprichados. O grupo fez muitos avanços e mostra-se interessado pelos novos aprendizados. Todos gostam de participar das discussões coletivas e de ir ao quadro resolver contas e problemas.
Tribo
O ano letivo começou com o barulhinho gostoso das vozes das crianças cheias de alegria, de muitas expectativas e saudade! Souberam acolher com generosidade o Luis e o José, amigos novos que chegaram este ano na turma. Apreciam nossos momentos de conversa, se colocam com adequação e respeito, se ajudam e, cada vez mais amadurecidos, aproveitam as dinâmicas que propomos.

Desejos para o ano de 2010

Durante a conversa, olhos brilhavam. Registraram, em papéis, desejos, compromissos e intenções, que foram guardados em um envelope que só será aberto no nosso último encontro do ano, quando iremos confirmar ou não, o que cada um foi capaz de realizar. Mas, todos já sabem que para que isso aconteça é fundamental fazer algum esforço.

Campanha do Embarque e Desembarque Escolar
Concordar sobre a necessidade de respeitar algumas regras é fácil, mas praticá-las... Pensando que seria uma boa oportunidade de aprendizagem, para quem está estudando formas positivas de intervir e se relacionar com a cidade, levamos para a Tribo a matéria "Embarque e Desembarque Escolar", publicada no Informe. As crianças leram e conversaram sobre a publicação. Mobilizadas com a questão, buscaram soluções, na medida de suas possibilidades, para nos ajudar a modificar alguns hábitos em prol da coletividade . Então, criaram cartazes e murais com frases, slogans e desenhos. Assim, ganharam consciência e participaram da necessidade de sermos agentes de transformação desse problema.

Copa do Mundo
A Copa não podia ficar de fora! Assistimos ao Curta, Ernesto No País do Futebol, de André Queiróz e Thaís Bologna, que conta a história de um menino argentino que veio morar com sua família no Brasil, na cidade de São Paulo, exatamente em um ano de Copa do Mundo . Ernesto encontra, na escola, dificuldade em ser aceito e respeitado pelos colegas. Conversamos sobre amizade e tolerância dentro, e além do campo de futebol, e concluímos que o objetivo número um de um jogo, deve ser a brincadeira, a diversão e a socialização entre as pessoas, independente de etnia, cultura, crença...

Conversamos, ainda, sobre o empenho, o esforço e a responsabilidade dos jogadores diante de tantas expectativas. O que vemos, e conhecemos sobre o futebol, é apenas uma parte dessa história.

O relaxamento, um momento esperado
Em nossos encontros nunca deixamos de olhar para dentro de nós mesmos. Esse momento é esperado e apreciado pela maior parte das crianças. De olhos fechados, procurando no silêncio relaxar o corpo e os pensamentos, buscam o autocontrole, imagens, ouvem o batimento cardíaco, observam a temperatura, respiram e se revigoram. Hoje, mais maduros já tiram proveito dessa experiência, desse contato prazeroso consigo mesmo e com o próprio corpo, e buscam compreender o que acontece dentro dele.

Artes
Com o tema "as cidades", escolhemos a arte urbana como foco. Através da internet os alunos apreciaram interferências urbanas que se encontram espalhadas por diversas partes do mundo. A ideia era se questionar: Como elas, particularmente, interferem no dia-a-dia das pessoas que circulam pela cidade, como mudam a relação das pessoas com o espaço e como aparecem e somem, sem que nos demos conta. Conversamos também sobre as diferentes técnicas usadas pelos artistas.

Inspirados nessa proposta, iniciamos um processo de pesquisa na escola, procurando locais que incitassem nossa criatividade. A brincadeira era tal qual a de olhar para as nuvens e pensar com que elas se parecem. Olhar as paredes, escadas, pregos ou buraquinhos que fizessem nossa imaginação trabalhar e os tornassem objetos com funções diferentes. A princípio, começamos fotografando os locais e registrando as ideias. Imprimimos as fotos e desenhamos as ideias por cima delas. Depois de prontas, votamos nas propostas mais interessantes e, a partir daí, discutimos quais seriam os materiais mais adequados para executar os projetos. Tinta acrílica e adesivos coloridos foram os materiais mais próximos aos sprays e stickers que vemos por aí.

A execução e fixação dos trabalhos foi minuciosa e muito divertida, assim como vê-los tomando conta e dando vida a nossa escola. Finalmente, fotografamos os trabalhos prontos e fizemos um jogo, para que os visitantes da Mostra encontrassem todas as intervenções.

Depois da feira, começamos uma proposta individual livre, com o intuito de relaxar e curtir outros materiais. Nas últimas aulas do semestre usamos os lápis pastel na confecção de uma colcha de retalhos de chitão, para enfeitar o casamento e a Festa Junina.
Inglês
O começo do ano foi marcado pela visita de um inglês, radicado no Rio de Janeiro que, gentilmente, veio conversar com a turma da manhã. As informações recolhidas pelas crianças foram transmitidas ao grupo da tarde, através de um pequeno texto. Nele havia curiosidades sobre Lewis, o inglês e sua cidade natal, Londres, além de algumas particularidades do sistema de transporte metroviário, o primeiro a ser desenvolvido no mundo. Esse encontro rendeu muito, virou um texto coletivo e nos levou a procurar outras histórias, relacionadas ao metro de várias cidades do mundo.

Muitas foram as contribuições! Mapas, guias e fotos que serviram de inspiração para algumas conversas e foram rendendo assunto para a construção de frases e pequenos textos, ao mesmo tempo em que as crianças iam construindo algumas noções básicas da gramática da língua inglesa. Assistimos também a dois filmes que retratam cenas no metro: Ghost e Uma mensagem para você ( You got mail). É sempre importante assistí-los com áudio e legenda em inglês, procurando compreender a fala dos personagens, e recorrendo à legenda quando necessário.

Ao observar os mapas, percebemos muitas palavras novas o que nos possibilitou organizá-las em suas classes gramaticais. Algumas, como "proper nouns", outras, como "common nouns". Como as crianças já estavam muito sabidas com relação a esse conteúdo na língua portuguesa, não foi difícil para elas fazer relações entre as línguas. Algumas questões foram desenvolvidas a partir desta ideia inicial. Foi possível observarmos os "articles", que andam junto com os substantivos, e que, também no inglês, podem ser definidos e indefinidos. Para melhor empregá-los, tivemos que nos aprofundar na questão do plural desses substantivos. Alguns são irregulares e confundem, tornando um pouco mais complicada a construção de frases, já que os artigos indefinidos não acompanham os substantivos no plural.

Todo esse percurso vem sendo registrado no caderno e no nosso blog (undergroundscities@blogspot.com) durante aulas desenvolvidas na sala de informática com muita concentração e competência pelo grupo. Também aproveitamos essas idas ao computador para fazer exercícios online e jogar em sites educativos. Essas aulas estão sendo muito bem aproveitadas pelas crianças, pois, sempre há muita troca entre aqueles que estão entendo um pouco melhor, com os que ainda estão precisando de ajuda. Ao mesmo tempo, as aulas são divertidas!

Neste final de semestre ainda tivemos tempo de retomar algumas palavras bem conhecidas e que passaram a pertencer a uma classificação: os adjetivos! Eles estão sendo usados para melhor expressarmos nossas ideias ao descrevermos pessoas, objetos, lugares etc.
Música
Começamos o ano, retomando o estudo da flauta doce soprano, e fazendo uma grande revisão das músicas do livro "Vamos tocar flauta doce – 1o volume" de Helle Tirler, trabalhadas no ano passado. Após revisarmos as músicas de maneira mais geral, os alunos se dividiram em grupos, tendo, em cada um, pelo menos uma criança que demonstrava maior domínio sobre o repertório. Desta maneira, aquela com maior desenvoltura pôde ajudar seus colegas e conforme as outras iam aprendendo, ajudavam-se mutuamente. Circulando pelos grupos, pude também dar uma atenção especial tanto às crianças novas na turma, iniciando seus estudos de flauta doce, quanto aos alunos antigos que apresentaram mais dificuldades.

Terminada a revisão, todos receberam o arranjo a três vozes da música folclórica "Nesta Rua". Trabalhamos bastante as vozes de acompanhamento, lendo e tocando em sala, deixando a melodia principal, mais complexa, por conta dos que tivessem mais interesse no estudo da flauta doce. Algumas, motivadas por este desafio, trabalharam a primeira voz de forma mais autônoma, fora do espaço escolar e o fizeram muito bem. A divisão das vozes deu-se gradualmente, já que as crianças tiveram a oportunidade de tocar vozes diferentes em cada aula. A escolha final foi cristalizada nas últimas aulas antes da Mostra de Artes, levando em consideração a fluência e o desejo de cada criança de tocá-las.

A preparação desse arranjo teve momentos difíceis, quando poucas crianças estavam realmente comprometidas, entretanto, perto da Mostra de Artes e frente às conquistas que estavam sendo feitas, a turma se envolveu e se dedicou mais, possibilitando que o arranjo fosse apresentado.

Ainda no início do semestre, conversamos sobre os sons da cidade, fazendo uma conexão com o tema de estudo das crianças nas aulas de Projeto e das outras linguagens artísticas. Ouvimos diferentes fontes sonoras contendo sons tipicamente urbanos, e discutimos a possibilidade de usá-los na música, expandindo, assim, a própria concepção de música.

Em paralelo a essas atividades, mantivemos o trabalho com o método de musicalização "O Passo", essencial na preparação do arranjo trabalhado. O estudo dessa metodologia ajudará as crianças na construção de ferramentas importantes, para garantir uma maior qualidade e autonomia a elas nos seus estudos de música.

No próximo semestre devemos intensificar o estudo do método "O Passo" e seguir com estudo da flauta doce, trabalhando a música folclórica "Peixe Vivo", que já começou a ser vista nas últimas aulas. Esta música foi escolhida por ser frequentemente associada ao presidente JK, fundador de Brasília, apresentado nas aulas de Projeto.

Para isso, a turma precisará manter seus esforços para aproveitar, ao máximo, nossos encontros, focando cada vez melhor sua energia nas atividades propostas, e dedicando-se cada vez mais aos estudos de música.
Teatro
O tema Cidades foi o pontapé inicial do nosso trabalho. "Quais cidades do Brasil vocês conhecem?" "Quais são as maiores diferenças entre essas cidades?" Estas foram as perguntas que as crianças do quarto ano responderam em nossos primeiros encontros.

A partir daí, começamos a criar cenas teatrais usando esse tema. Notei que precisávamos de alguns ingredientes mais sofisticados para melhor elaborar nossas improvisações. Começamos estudando os diferentes estados e sentimentos de um personagem. Primeiramente, despertamos nossa sensibilidade criativa com um exercício simples: cada aluno escolhia uma frase e falava-a para o resto da turma sem transparecer nenhum sentimento. Em seguida, escolhia um sentimento para dizer aquela mesma frase. Num terceiro momento, outro sentimento era escolhido, mudando assim, mais uma vez, a maneira de dizer uma mesma frase. No entanto, para expressar um sentimento de raiva, por exemplo, um ator não deve somente falar num tom de raiva; todo seu corpo deve estar comprometido, de tal forma, que o espectador acredite naquele personagem. Foi pensando nisso, que elaboramos um exercício no qual o aluno tivesse que expressar um sentimento sem fazer uso da fala. O ator entrava em cena com um estado bem definido, caminhava até uma cadeira no centro da cena e sentava-se. Na cadeira, o personagem encontrava uma carta, que continha uma notícia que mudaria seu estado. Sendo assim, o ator saía de cena com um sentimento diferente daquele com que entrou.

Ainda buscando aprimorar a composição de um personagem, iniciamos um estudo sobre ritmo e energia. Quando um ator cria um personagem, ele deve pensar na maneira como o personagem anda, como gesticula, com que ritmo e com que energia desempenha suas atividades mais corriqueiras. Se um personagem tem um ritmo lento e uma energia contida, por exemplo, o espectador identifica um tipo de pessoa, com um temperamento específico, no entanto, se a energia é expansiva e o ritmo acelerado, o público já faz outra leitura. Assim, os alunos do quarto ano exercitaram esses conceitos, praticando exercícios e cenas. Ex.:Traçar uma trajetória com um ritmo e uma energia definidos. Em algum momento da trajetória, haveria uma quebra brusca de ritmo e energia. Seguimos então, para as improvisações. Os personagens deviam iniciar com uma energia clara; em algum momento da cena algo deveria acontecer, para que os personagens adquirissem outra energia.

Foi um semestre de muito trabalho, mas também muito divertido para todos nós e, certamente, muito produtivo.
Expressão Corporal
Começamos o ano relembrando as regras de convivência para nossa organização nas aulas de Expressão Corporal. Aproveitamos as rodas de aquecimento para abordar os cuidados necessários na exploração dos movimentos individuais e em grupo, pelo espaço da sala.

Movidos e inspirados pelo Projeto Institucional, apreciamos vídeos que de alguma forma, apresentavam o corpo em movimento nas cidades. Vale destacar o vídeo do grupo Philobolus, com uma coreografia de sombras, num passeio pela cidade de Nova York. Inspirados pelos bailarinos que criavam incríveis formas coletivas, projetamos uma luz num pano pendurado. Assim, também fizemos nossas próprias criações, num delicioso estudo, experimentando movimentos e as perspectivas das sombras coletivas e individuais, projetadas no salão.

Introduzimos alguns elementos da cultura Hip Hop, apresentando as frentes deste movimento, contextualizando-o e assistindo a vídeos selecionados no Youtube. Abordamos, principalmente, a dança de rua, trazendo como referência o "Break", que significa, literalmente, "quebrar". Procuramos reproduzir, com o corpo, a estética vigorosa, apreciada nos vídeos apresentados. Primeiro, através de improvisos mais livres e, em seguida, através de duas sequências de passos que formaram a base para uma coreografia. A partir desta base, outros movimentos foram sendo incorporados, e nossa sequência foi abrindo a oportunidade de trabalhar o ritmo, as possibilidades de divisão rítmica da música com movimentos, além da memória coreográfica, adquirida pelo grupo.

Um dos exercícios realizados que complementou nossa pesquisa, foi o de pisar na parede com os pés, dando impulsos para saltar de volta ao chão, tentando possíveis torções e viradas de tronco. Foi um exercício bem aproveitado, que favoreceu algumas noções de equilíbrio e eixo. As crianças se envolveram com muito entusiasmo, demonstrando grande interesse e empenho nas aulas.

Em parceria com o João, professor de Música, e com os professores do Projeto, montamos uma releitura de "Se essa Rua Fosse Minha". Criamos uma coreografia que foi apresentada na Mostra de Artes, acompanhada de uma versão atualizada, criada e cantada pelas crianças no ritmo do "batidão".

Do Hip Hop fomos para o Pará conhecer o Siriá, encantadora dança regional que foi ensaiada e apresentada no Pavilhão de São Cristóvão.
Educação Física
Ano de Copa do Mundo na África e as crianças, empolgadas, já queriam saber se teríamos Olimpíada ou Copa na escola. Passado este primeiro momento de ansiedade e com a confirmação de que haveria a Copa da Sá Pereira, todas puderam desfrutar de manhãs e tardes divertidas no Pereirão.

Os jogos de basquete, handebol, queimado, futebol, pique-bandeira, possibilitaram às crianças experimentar e desenvolver as ações motoras de correr, parar, saltar, lançar, quicar, chutar, testar equilíbrio e mudanças de direção, resultando em maior coordenação e noção de tempo, melhor locomoção pelo espaço e diferentes possibilidades de movimento. As competições por equipes contribuíram, ainda, para reforçar o trabalho em grupo.

Estas atividades colocaram à prova as emoções dos meninos e meninas abrindo espaço para reivindicações e exposição de sentimentos de alegria e tristeza com as vitórias e derrotas. Também através delas pudemos exercitar as regras de convivência, o respeito ao outro e às diferenças e a paciência para solucionar problemas.

Nos Pereirões livres, onde as crianças podem escolher que atividade querem fazer, os grupos foram estimulados a por em prática sua capacidade de dividir o espaço, ceder em suas escolhas e chegar a um consenso, aprendizados importantes não só na Educação Física, como na vida fora do universo escolar.

A Copa da Sá Pereira foi um sucesso! As crianças deram um show em campo e fora dele, com animadas torcidas.

Este grupo é bastante habilidoso e costuma deslocar-se de forma eficiente pelo espaço. Algumas vezes, foi necessário lembrá-los da importância do trabalho coletivo para que todos pudessem ter a oportunidade de desenvolver suas habilidades. Temos tentado lhes mostrar que, menor tempo para se organizar resulta em maior tempo de jogo, pois, se tem uma coisa que gostam de fazer é jogar.

Encerramos o semestre com o nosso Pereirão Junino, onde realizamos brincadeiras desta festa tradicional, adaptadas em forma de competições por equipes, reforçando a importância do trabalho coletivo. Viva Santo Antônio, São Pedro e São João!
Coral
Com o novo grupo, F4 começando, F5 com a experiência do ano passado, e alguns de F6 que optaram por continuar no coral à tarde, nossa primeira tarefa foi organizar o grupo procurando equilibrar as forças, de modo análogo ao que se faz com os jogadores de um time de futebol. Não tem nada a ver um goleiro no ataque e um atacante agarrando no gol, certo?! Procurando favorecer as características individuais, levamos m consideração os seguintes aspectos para a “escalação do time”: alcance vocal, domínio rítmico, musicalidade, facilidade de afinação, tendência vocal para o agudo ou para o grave e capacidade de concentração ou maturidade observadas no trabalho coletivo. Com os 50 componentes da manhã e os 65 da tarde em suas posições, dividimos o repertório em duas vertentes:

Músicas novas, pesquisadas e arranjadas em função do projeto deste ano, "As Cidades", estimulando o processo de aprendizagem de todo o grupo:

- Suite Carioca: na verdade uma coleção de músicas que agrega "Valsa de uma Cidade", de Antônio Maria, "Primavera", de Braguinha, "Cidade Maravilhosa", de André Filho e um “pot-pourit” de hinos de futebol.

- Colagem Carioca: coleção de temas ligados à cidade do Rio de Janeiro composta, em sua versão integral, de "Rua da Passagem", de Lenine e Arnaldo Antunes e "Santa Teresa", de Gui Guimarães e Marinaldo Guimarães, já lidos nos ensaios, não apresentados na Mostra de Artes, e os temas já apresentados "Do Leme ao Pontal", de Tim Maia, "Aquele Abraço", de Gilberto Gil e "Rio 40 Graus", de Fernanda Abreu, Fausto Fawcett e Laufer.

Músicas trabalhadas anteriormente, quando a F5 tem a oportunidade de ajudar a F4 a aprender o repertório antigo: La Bamba, de Ritchie Valens e Planeta Blue, de Milton Nascimento e Fernando Brant.

Em oposição ao desejo das crianças por variedade, novidade e rapidez de resultados, tentamos mostrar-lhes a perspectiva de que o trabalho pode ser aprofundado, bem cuidado, e que o prazer imediato pode ser adiado, um pouquinho, em função de uma gratificação maior, que só pode ser alcançado com a convergência de todas as forças e intenções. De qualquer modo, como trabalhamos com diversos temas integrados em uma nova forma, pudemos atendê-las em parte, possibilitando a satisfação natural de alcançar os objetivos, mesmo que parciais. Sempre que um tema, trecho ou elemento é dominado, a “dança do dedinho” (gesto com o polegar que alegremente se dirige para o alto, com acompanhamento do piano) provoca uma explosão de alegria.

Montamos um repertório aparentemente pequeno, mas razoavelmente complexo, a várias vozes, incluindo alguma encenação, trabalhando-o da melhor forma possível, sem deixar de respeitar as limitações reais de idade das crianças. A preparação adequada para apresentação em palco, incluindo a organização, movimentação e concentração, foram aspectos também valorizados.

Na auto-avaliação da apresentação da Mostra, baseada no vídeo do evento, ouvimos: “Não imaginava que ficaria tão bom” ... “No dia, me concentrei e deu tudo certo!” ... “A gente estava concentrado porque tinha muita gente lá” ... , confirmando a alegria e a gratificação com o resultado do trabalho.