Projeto
(...)Contemplar é olhar religiosamente (con-templum). Considerar é olhar com maravilha, assim como os pastores errantes fitavam a luz noturna dos astros (con-sidus). Respeitar é olhar para trás (ou olhar de novo), tomando-se as devidas distâncias (re-spicio). E admirar é olhar com encanto, movendo a alma até a soleira do objeto (ad-mirar).
Alfredo Bosi

Segundo Bosi "olhar não é apenas dirigir os olhos para perceber o real fora de nós", muitas vezes, é sinônimo de cuidar, zelar, guardar, ações que trazem o outro para a esfera dos cuidados: olhar por uma criança, olhar por um trabalho, olhar por um projeto, olhar por uma turma. Olhar para e olhar por, posso dizer que por aí passa toda nossa dedicação, o esforço necessário para o encaminhamento do trabalho nessa turma – tentando entender o grupo, o coletivo e as suas singularidades. Reafirmar, insistir, valorizar o espaço da escola como lugar de aprender, trabalhar, construir, tratar de conhecimento, tem sido fundamental para arejar as relações e para promover desimpedimentos. Há um movimento e uma força tão grandes no grupo que nada pôde ser pensado a priori, ou melhor, tudo precisou ser repensado a partir do nosso encontro, inclusive o Projeto de estudo da turma. Nesse sentido é que percebi o quanto seria fundamental estarem implicados no estudo - estudar o que está próximo espacialmente, temporalmente; viver experiências que sacudam, que promovam estranhamento, perplexidade - quem sabe, não conseguimos transformar atitudes, relações, olhares. Por isso, a opção pela cidade do Rio – o que veem da cidade onde vivem? E, como contraponto e problematização, o que anda às escondidas? Aqui, novamente, o olhar... contemplar, respeitar, atuar, admirar... se encantar. De qual forma interferimos na cidade onde moramos? A quem, afinal, pertence a cidade? São algumas indagações que permearam o nosso percurso, cada uma delas nos levando a algum lugar um tanto desconhecido, a um enredo, a uma espécie de texto, tratando de diferentes realidades - realidades que pretendemos conhecer humanamente. "Nos domínios de que tratamos aqui, o conhecimento existe apenas em lampejos. O texto é o trovão que segue ressoando por muito tempo." (Walter Benjamin)

Alguns desdobramentos nos pareceram organizadores no encaminhamento do projeto: Cidade do Rio - Estado do Rio - qual é a diferença? Reconhecimento de cidades já visitadas por eles, são mesmo cidades? O que caracteriza uma cidade? Aniversário da cidade do Rio!! - quais são os desejos para esta cidade, tendo em conta as tantas dificuldades que enfrentamos no dia-a-dia? Quais são os encantos dessa cidade? O que faz dela uma cidade maravilhosa, com o povo mais feliz do mundo - como sinaliza pesquisa atual? O primeiro momento dessas reflexões nos revelou uma visão extremada da cidade, romantizada ou caótica - como se ela se encerrasse nas incontáveis mazelas propagadas aos quatro ventos ou, na Zona Sul, nos pontos turísticos, belezas já conhecidas e legitimadas, reconhecidas, inclusive, quando saem da cidade, do país: ao ouvirem tantas coisas sobre o Rio, ao apreciarem em revistas e lerem notícias de jornais os fragmentos, os recortes, dessa cidade partida, ou mesmo, ao se defrontarem com o imaginário/desejo de quem não a conhece. Perceber que se sabe bem pouco, que há muitas coisas às escondidas, precisando de um olhar cuidadoso, demandou um tanto de provocações de nossa parte: observar o tamanho da Zona da Sul, compará-lo às outras regiões da cidade; reconhecer o que se ignora, listar os lugares onde nunca se foi, recolher notícias provocadoras – exercício e tanto! Tratar da diversidade, da alteridade, do muito diferente; discutir os incômodos, os preconceitos muitas vezes promovidos pelo desconhecimento; relativizar os nossos pontos de vista; relacionar os aspectos macro com o miúdo do nosso cotidiano, todas essas práticas estiveram presentes, como pano de fundo, no projeto da turma. A Literatura e os filmes propostos nos interrogaram. E foi uma variedade deles! Amós Oz, "De repente nas profundezas do bosque"; Ruth Rocha, em "Uns pelos outros"; "Anne Frank", de Josephine Poole, "Historinhas quase Tristes", de Georgina Martins. Já os filmes: Chocolate, Billy Elliot, A Vida é Bela , O Grande Ditador e Tapete Vermelho, nos fizeram boas indagações numa perspectiva maior, mais ampla. A variedade de canções, que também revelam parte do Rio, fez provocações mais pontuais, locais. Os passeios ao Santa Marta e à Feira de São Cristóvão possibilitaram, realmente, um reconhecimento do que estava às escondidas. De modo distinto, ambos os lugares estão presentes na circulação dessas crianças, porém bastante desconhecidos. O Santa Marta está lá, na passagem, presente no ir e vir de muitos de nós, quase todos os dias; e a Feira, lugar já cativo para a realização de nossa Festa Junina; mas o que, efetivamente, sabíamos sobre eles? Era um tão perto, tão longe... O que descobrimos sobre a nossa cidade a partir desses lugares? O que ampliamos no conhecimento que já tínhamos? Quantas histórias e realidades tão diferentes! O que descobrimos em nós mesmos a partir dessa experiência e o que ela pôde transformar? Penso que, de tão significativas, essas experiências vão ocupando um lugar no pensamento, no discurso, instauram um novo espaço de reflexão e, esperamos, sempre, de atitude. A preocupação em relacionar o estudo da Língua Portuguesa ao Projeto tem sido grande, nos ocupamos bastante desse desafio. Elegemos nesse primeiro momento o gênero literário: crônica - o consideramos bastante adequado à intenção de tratar de nossa cidade, tangenciando, sempre, a possibilidade de autoria das próprias crianças. O exercício de leitura de autores variados enriquece o repertório e estimula a variedade de estilos. Todo o material trazido do Santa Marta as ajudou no exercício de criação/aproximação de suas primeiras crônicas – pudemos expor na ocasião da Mostra de Artes. Mais adiante, somado às histórias e aos "personagens" conhecidos na Feira de São Cristóvão, esse material ainda nos renderá alguns contos – e poderemos tratar do limite tênue na diferenciação entre um gênero e outro.

A Língua viva e as variedades lingüísticas estiveram presentes nesse contexto de estudo. E, uma vez que intensificamos o contato com os conteúdos da Gramática Normativa, tratamos também de problematizar as ideias de "certo/ errado" quando se trata da língua materna. Visitando o Museu da Língua ou conhecendo a exposição "Menas – o certo do errado e o errado do certo.", através do site, se dedicando às tarefas propostas sobre a temática, pudemos reconhecer a necessidade de adequarmos o uso da língua em função das situações de comunicação – será a língua uma camaleoa? – ou seja, sua prioritária função de comunicação/expressão. E, ainda, o quanto de preconceito linguístico pode haver nisso, na medida em que as diferentes variedades se relacionam com condições sociais, históricas, culturais, identitárias, por exemplo, ou seja, lidamos sempre com o fato de uma variedade linguística ter mais prestígio social que a outra. O curioso é que Lobato, já em 1934, em "Emília no País da Gramática", trazia esse tipo de reflexão - a obra nos acompanhará no estudo da língua, durante todo o ano. E é esta relação – Lobato em 1934 e exposição no Museu da Língua Portuguesa, em 2010 – que as crianças têm tido a oportunidade de começar a fazer. Cuidamos, aqui também, para que as hipóteses, no processo de reflexão sobre a linguagem, sejam valorizadas, para que os conhecimentos prévios sejam acionados, para que a gramática esteja a serviço do uso, para que o domínio das nomenclaturas e das convenções esteja sempre relacionado ao exercício do pensamento, para que a referência seja sempre os textos reais, que circulam socialmente. Acreditamos, assim, estar ampliando o domínio ativo do discurso, em diferentes situações comunicativas – na leitura, na escrita e na oralidade. Essa é a aposta que temos feito! No mais, é preparar amorosamente o segundo semestre sem perder de vista a esperança de que "há gente que sabe andar pelo mundo". (Provérbio Catalão)
Matemática
Nosso ano começou com a revisão das operações. No retorno das férias, em geral, acontece dos alunos apresentarem dúvidas na subtração com recurso e, principalmente, na divisão, operação trabalhada mais recentemente.

A calculadora marcou presença em algumas aulas e serviu para dar um status ainda maior ao cálculo mental que, surpreendendo a todos, em um duelo, ganhou em disparada. Na escola, há tempos a maquininha foi incorporada de forma intencional às propostas, sem o receio de que ela possa desestimular o uso da memória ou inibir o uso de estratégias originais de cálculo.

Para que os cálculos ganhassem um "contexto", preparamos uma apostila de problemas que ganhou cara de jogo. Com esse material, o objetivo de reconhecerem problemas com estruturas semelhantes foi atingido. Acreditamos que quanto maior e mais diverso for o contato do aluno com situações-problema, mais se ampliará seu acervo de recursos.

Além da calculadora, cartões numerados, tabelas, cartas de baralho, dados e mais o livro didático enriqueceram as propostas. Mas nem todas as aulas foram animadas e originais. No quinto ano precisamos alternar atividades lúdicas e exploratórias com outras onde se exige maior treino e sistematização.

Começamos um trabalho breve envolvendo gráficos. Além das propostas que o livro didático traz, os alunos fizeram pesquisas de opinião que serviram de motivação para a construção de seus gráficos. Fizemos, também, em sala, a complexa contagem dos votos para a escolha do autor que iria batizar a biblioteca, o que proporcionou uma grande quantidade de cálculos.

O estudo e as reflexões sobre o sistema de numeração decimal nunca terminam. Desenvolver competências para ler, escrever, comparar e decompor números grandes foi um de nossos objetivos, ocupando nossas aulas e proporcionando importantes conclusões.

Uma das novidades iniciadas neste trimestre foi o trabalho com expressões numéricas, através de um material estruturado com essa finalidade. Interessante como os alunos, durante esse tipo de aprofundamento, revelam seus conhecimentos sobre as quatro operações e o efeito que cada operação provoca nas quantidades.

A outra novidade ficou por conta da exploração de malhas quadriculadas e quadradinhos de papel. Com esses materiais, ficou mais interessante aprender o que é perímetro e o que é área, e descobrir algumas relações numéricas envolvendo conceitos como "ser divisor de" ou "ser número primo". O desdobramento que se segue abordará os critérios de divisibilidade, múltiplos e mmc, presentes em problemas e jogos, atividades que convidam à interação e à descoberta. Mas isso fica para agosto.
Tribo
O ano letivo começou com o barulhinho gostoso das vozes das crianças, muitas delas cheias de alegria, de muitas expectativas e saudade! No entanto, esse encontro não se deu da mesma forma para todos. Então, foi preciso muita conversa para que restaurassem um clima produtivo para o trabalho, se respeitassem, acolhessem uns aos outros e, juntos, pudessem entender que, dentro da escola, precisamos ser parceiros, já que somos uma turma, um grupo. Algumas mágoas, desentendimentos passados, invadiram nossos encontros e mereceram uma atenção, um cuidado de nossa parte muito especial. Acolheram com generosidade a Júlia, amiga nova que chegou este ano na turma e, com muita propriedade, a apresentaram à Tribo.

Desejos para o ano de 2010
Aproveitamos o clima do encontro, e demos o nosso pontapé inicial tratando de refletir sobre o que gostaríamos de conquistar neste novo ano. Durante a conversa, olhos brilhavam. Registraram, em papéis, desejos, compromissos e intenções, que foram guardados em um envelope que só será aberto no nosso último encontro do ano, quando iremos confirmar ou não, o que cada um foi capaz de realizar. Mas, todos já sabem que para que isso aconteça é fundamental fazer algum esforço.

Campanha do Embarque e Desembarque Escolar
Concordar sobre a necessidade de respeitar algumas regras é fácil, mas praticá-las... Pensando que seria uma boa oportunidade de aprendizagem, para quem está estudando formas positivas de intervir e se relacionar com a cidade, levamos para a Tribo a matéria "Embarque e Desembarque Escolar", publicada no Informe. As crianças leram e conversaram sobre a publicação. Mobilizadas com a questão, buscaram soluções, na medida de suas possibilidades, para nos ajudar a modificar alguns hábitos em prol da coletividade . Então, criaram cartazes e murais com frases, slogans e desenhos. Assim, ganharam consciência e participaram da necessidade de sermos agentes de transformação desse problema.

Copa do Mundo
A Copa não podia ficar de fora! Assistimos ao Curta, Ernesto No País do Futebol, de André Queiróz e Thaís Bologna, que conta a história de um menino argentino que veio morar com sua família no Brasil, na cidade de São Paulo, exatamente em um ano de Copa do Mundo . Ernesto encontra, na escola, dificuldade em ser aceito e respeitado pelos colegas. Conversamos sobre amizade e tolerância dentro, e além do campo de futebol, e concluímos que o objetivo número um de um jogo, deve ser a brincadeira, a diversão e a socialização entre as pessoas, independente de etnia, cultura, crença...

Conversamos, ainda, sobre o empenho, o esforço e a responsabilidade dos jogadores diante de tantas expectativas. O que vemos, e conhecemos sobre o futebol, é apenas uma parte dessa história.

Outros assuntos
A amizade e as relações são temas recorrentes nessa idade. Não é raro precisarmos ajudá-los a resolver conflitos. Buscar no grupo experiências diferentes, quase sempre tem sido a melhor forma para conseguirem flexibilizar suas opiniões.

A causa de grande parte dos mal-entendidos que nossos pré adolescentes vivem, pode estar relacionada aos valores sociais divulgados pela mídia e/ou transmitidos pelas famílias. Assim, cada um vivência de modo único e inflamado os conflitos, buscando se defender pautado na crença de experiências pessoais, muitas vezes, agindo equivocadamente, revelando alguns preconceitos e demonstrando dificuldade de se colocar no difícil lugar do outro.

Mas, é maravilhoso vê-los argumentando, buscando soluções com esforço, transformando posturas que nos parecem congeladas de tanta insistência em mantê-las e, já mais amadurecidos e fortalecidos, experimentando um outro lugar no grupo, uma outra forma de agir e conviver. Billy Elliot e, também, Paikea, a personagem de Encantadora de Baleias, ambas crianças-personagens de onze anos, possibilitaram que ampliassem o olhar, se emocionassem e repensassem suas atitudes, a participação e o envolvimento que têm tido na dinâmica das relações. Acreditamos que hoje vislumbram um novo tempo juntos, um tempo que está por vir, de muita coisa boa!

O relaxamento, um momento esperado
Em nossos encontros nunca deixamos de olhar para dentro de nós mesmos. Esse momento é esperado e apreciado pela maior parte das crianças. De olhos fechados, procurando no silêncio relaxar o corpo e os pensamentos, buscam o autocontrole, imagens, ouvem o batimento cardíaco, observam a temperatura, respiram e se revigoram. Hoje, mais maduros já tiram proveito dessa experiência, desse contato prazeroso consigo mesmo e com o próprio corpo, e buscam compreender o que acontece dentro dele.
Inglês
O projeto institucional deste ano despertou na garotada a vontade de sair do Rio de Janeiro e viajar pelo mundo. Foi assim que surgiu a ideia de brincarmos de "travel agency" e preparar roteiros de viagem para diferentes cidades do mundo. A turma se dividiu em grupos e se organizou para desenvolver essa tarefa trazendo pesquisas, livros e imagens.

Pensamos numa sensibilização para o tema, assistindo a alguns DVDs e ouvindo algumas músicas, nas quais as cidades escolhidas aparecem como fonte inspiradora.

Porém, ao chegarmos à sala de informática para iniciar a escrita, percebemos que algumas noções gramaticais e regras da língua inglesa estavam um pouco esquecidas e precisavam ser revistas. Foi necessário postergarmos o início do projeto e fazer um trabalho de reflexão sobre a língua.

As fichas "Lets talk about" serviram como base teórica e apoio, com exercícios e dicas para que fosse possível esclarecermos algumas dúvidas e praticássemos o uso das convenções. Ainda pensando em rever conteúdos, frequentamos a sala de informática onde foi possível trabalhar em sites específicos, fazendo exercícios online e brincando com jogos educativos. Nesses momentos, a turma trabalhou em duplas e essas debateram as questões que surgiram num processo de troca que muito beneficiou a todos. Eles se divertiram bastante!

Neste momento estamos mais preparados para começar a escrever os textos e as legendas que farão parte dos folhetos sobre as cidades a fim de continuarmos o projeto. Apertem os cintos e boa viagem!
Artes
Com o tema "as cidades", escolhemos a arte urbana como foco. Através da internet os alunos apreciaram interferências urbanas que se encontram espalhadas por diversas partes do mundo. A ideia era se questionar: Como elas, particularmente, interferem no dia-a-dia das pessoas que circulam pela cidade, como mudam a relação das pessoas com o espaço e como aparecem e somem, sem que nos demos conta. Conversamos também sobre as diferentes técnicas usadas pelos artistas.

Inspirados nessa proposta, iniciamos um processo de pesquisa na escola, procurando locais que incitassem nossa criatividade. A brincadeira era tal qual a de olhar para as nuvens e pensar com que elas se parecem. Olhar as paredes, escadas, pregos ou buraquinhos que fizessem nossa imaginação trabalhar e os tornassem objetos com funções diferentes. A princípio, começamos fotografando os locais e registrando as ideias. Imprimimos as fotos e desenhamos as ideias por cima delas. Depois de prontas, votamos nas propostas mais interessantes e, a partir daí, discutimos quais seriam os materiais mais adequados para executar os projetos. Tinta acrílica e adesivos coloridos foram os materiais mais próximos aos sprays e stickers que vemos por aí.

A execução e fixação dos trabalhos foi minuciosa e muito divertida, assim como vê-los tomando conta e dando vida a nossa escola. Finalmente, fotografamos os trabalhos prontos e fizemos um jogo, para que os visitantes da Mostra encontrassem todas as intervenções.

Depois da feira, começamos uma proposta individual livre, com o intuito de relaxar e curtir outros materiais. Nas últimas aulas do semestre usamos os lápis pastel na confecção de uma colcha de retalhos de chitão, para enfeitar o casamento e a Festa Junina.
Música
Iniciamos o ano conversando sobre o tema do projeto institucional "Cidades", e pesquisando maneiras de relacioná-lo com as aulas de música. Nesta intenção, fizemos experiências musicais com os sons que observamos em nossa cidade, ouvimos músicas de cidades diferentes e assistimos a vídeos de músicos que atuam nas ruas de suas cidades. Passamos ao estudo do pandeiro. As crianças receberam uma apostila com as informações básicas sobre o instrumento e sua técnica. Propusemos então uma gincana, onde pudemos, de maneira animada, nos aprofundar no estudo do pandeiro e na linguagem musical utilizada na apostila. Na tentativa de por em prática os novos conhecimentos e buscando uma parceria com as aulas de Projeto, compusemos uma música e preparamos um arranjo onde utilizamos o pandeiro. O resultado foi apresentado na Mostra de Artes. Com a proximidade da Festa Junina, aproveitamos para conhecer mais sobre o ritmo "ciranda". Ouvimos e assistimos a vários vídeos e escolhemos a música "Ciranda de Tarituba", do folclore de Paraty, para uma prática de conjunto.
Teatro
As cidades e os cidadãos foram nossos objetos de estudo no primeiro semestre de 2010. Quais os direitos e deveres dos cidadãos? Quais dos nossos direitos não nos são concedidos? Quais são os nossos deveres que não praticamos? Esses foram temas para muitas improvisações que os alunos realizaram durante nossos primeiros encontros. As crianças tiveram a oportunidade de contar suas experiências e ouvir outras tantas narradas pelos seus colegas de turma. Foi interessante notar que nossos alunos possuem uma compreensão clara sobre quais são os direitos e deveres que eles exercem.

"Quais são os personagens que encontramos nas grandes metrópoles como o Rio de Janeiro?" e "Quais são os lugares onde esses personagens transitam?" Após responder as perguntas, os alunos foram estimulados a imaginar quais são as situações de conflito que podem ocorrer com esses personagens nesses lugares. No entanto, precisávamos, antes, definir o que é o conflito. Uma cena teatral só existe quando há um conflito; este, por sua vez, só acontece quando os personagens possuem objetivos. Sendo assim, começamos nosso estudo compreendendo a noção de objetivo. Inicialmente, os alunos realizaram um exercício corporal que pudesse lhes dar a idéia concreta de objetivo e obstáculo. O ator "A" e o ator "B" estão num mesmo ponto no espaço cênico. "A" tem como objetivo sair daquele ponto. "B" tem como objetivo fazer com que "A" permaneça naquele ponto. Já está armada nossa situação de conflito: "B" é obstáculo de "A" e vice-versa. Assim, compreendemos que o conflito de uma cena é aquilo que dificulta, ou até impede que os personagens atinjam seus objetivos. Porém, este obstáculo/conflito pode ser concreto ou abstrato. Utilizamos algumas histórias do livro "NY, a Vida nas Grandes Cidades", do cartunista Will Eisner, para que pudéssemos nos aprofundar em nosso estudo. No capítulo "Pessoas Invisíveis", descobrimos personagens com objetivos claros e tentamos encontrar quais eram os conflitos que apareciam naquelas histórias. Um trem do metrô que quebra, pode ser um obstáculo para o personagem que tem como objetivo chegar ao trabalho; o medo de ser rejeitado serve como obstáculo para o personagem que deseja declarar seu amor à pessoa amada. Assim, os alunos foram criando cenas e fazendo algumas improvisações sobre os temas propostos pelos quadrinhos.

Após estudo sobre objetivos e obstáculos, que são fundamentais na construção de uma história, partimos para o estudo do personagem. Todo personagem tem um sentimento guia. O sentimento guia de um personagem é aquele que permeia todas as suas ações, e define seu comportamento em determinado período de tempo. Um sentimento é capaz de definir a expressão facial, o tom de voz e até o movimento corporal de um personagem. Os alunos do quinto ano fizeram inúmeros exercícios, a fim de compor um personagem através do sentimento.

Era hora de começar os preparativos do casório! Já é tradição na escola, a encenação do casamento da Festa Junina, pelos alunos do quinto ano. O roteiro foi desenvolvido a partir de um tema abordado nas aulas de Projeto: o preconceito. Rapidamente, as crianças se apropriaram do texto e demos continuidade ao nosso trabalho.
Expressão Corporal
Em roda, nos apresentamos e relembramos as regras de convivência. Para dialogar com o Projeto da Escola, optamos pela Dança de Rua. Experimentamos, sem contextualização, uma sequência de movimentos pré-concebida e dançamos, exaustivamente, durante os quarenta e cinco minutos de aula; entretanto, a reprodução pura e simples do movimento não era nosso objetivo. Para continuar o trabalho, era necessário pesquisar a origem dessa dança, os diferentes tipos, a qualidade de movimento, assistir a vídeos, buscar referências para que pudéssemos , juntos, recriar nossa sequência e entender o trabalho de composição coreográfica. Através deste estudo, teríamos elementos para nos auxiliar nessa construção. Percebemos que as acrobacias estavam presentes em todos os vídeos e tentamos reproduzi-las. Para tanto, conversamos sobre os cuidados necessários com o nosso corpo e com o do colega. Assistimos a tudo em câmera lenta, tentando compreender a biomecânica e as alavancas do corpo para realizar cada suporte acrobático. A seriedade e o comprometimento com que o grupo participou dessa aula, nos fizeram crer que tínhamos acertado em nossa escolha.

Com o resultado das pesquisas e improvisações, iniciamos a nossa célula coreográfica. Conversamos sobre os elementos que poderiam nos auxiliar no processo, tais como: diferentes maneiras de posicionar o corpo no espaço, direções a utilizar, trabalhar a inversão de movimento, planos diferenciados, deslocamentos, repetição, formas diferentes de organização, pequenos e grandes grupos, solos, entre tantas outras possibilidades dentro de um processo criativo.

Recebemos a visita do Grupo de Dança de Rua da Maré. No pátio da escola, eles assistiram ao nosso trabalho, nos mostraram o deles e, no fim, nos deram uma aula. A troca de experiência e o aval do grupo profissional deixaram nossos alunos seguros e contentes com o resultado do nosso processo.

Extremamente competentes e envolvidos com a proposta, as crianças da F5T poderiam ter alcançado um desempenho superior. As freqüentes conversas paralelas e brincadeiras fora de hora atrapalharam um pouco a produção deste grupo tão capaz. Para encerrar o projeto da Dança de Rua, assistimos ao vídeo da Mostra com a finalidade de apreciar e criticar nosso trabalho,apontando nossos acertos e erros.

E da dança urbana fomos direto para a festa de São João. O resultado pôde ser visto em nossa Festa Junina, quando dançamos o Mineiro Pau.

Terminamos o semestre, orgulhosos das conquistas dessa turma e cheios de ideias para o semestre que vem! Boas férias!
Educação Física
Ano de Copa do Mundo na África e as crianças, empolgadas, já queriam saber se teríamos Olimpíada ou Copa na escola. Passado este primeiro momento de ansiedade e com a confirmação de que haveria a Copa da Sá Pereira, todas puderam desfrutar de manhãs e tardes divertidas no Pereirão.

Os jogos de basquete, handebol, queimado, futebol, pique-bandeira, possibilitaram às crianças experimentar e desenvolver as ações motoras de correr, parar, saltar, lançar, quicar, chutar, testar equilíbrio e mudanças de direção, resultando em maior coordenação e noção de tempo, melhor locomoção pelo espaço e diferentes possibilidades de movimento. As competições por equipes contribuíram, ainda, para reforçar o trabalho em grupo.

Estas atividades colocaram à prova as emoções dos meninos e meninas abrindo espaço para reivindicações e exposição de sentimentos de alegria e tristeza com as vitórias e derrotas. Também através delas pudemos exercitar as regras de convivência, o respeito ao outro e às diferenças e a paciência para solucionar problemas.

Nos Pereirões livres, onde as crianças podem escolher que atividade querem fazer, os grupos foram estimulados a por em prática sua capacidade de dividir o espaço, ceder em suas escolhas e chegar a um consenso, aprendizados importantes não só na Educação Física, como na vida fora do universo escolar.

A Copa da Sá Pereira foi um sucesso! As crianças deram um show em campo e fora dele, com animadas torcidas. Como cresceram estes meninos e meninas! E, com eles, suas habilidades motoras e suas diferentes formas de argumentar e reivindicar seus direitos. Muito falantes, para que tenham atenção e concentração necessárias às aulas, ainda precisamos, permanentemente, convidá-los a refletirem sobre a cooperação, voltada ao convívio e às atividades propostas.Temos muito trabalho para o segundo semestre. Encerramos o semestre com o nosso Pereirão Junino, onde realizamos brincadeiras desta festa tradicional, adaptadas em forma de competições por equipes, reforçando a importância do trabalho coletivo. Viva Santo Antônio, São Pedro e São João!
Coral
Com o novo grupo, F4 começando, F5 com a experiência do ano passado, e alguns de F6 que optaram por continuar no coral à tarde, nossa primeira tarefa foi organizar o grupo procurando equilibrar as forças, de modo análogo ao que se faz com os jogadores de um time de futebol. Não tem nada a ver um goleiro no ataque e um atacante agarrando no gol, certo?! Procurando favorecer as características individuais, levamos m consideração os seguintes aspectos para a “escalação do time”: alcance vocal, domínio rítmico, musicalidade, facilidade de afinação, tendência vocal para o agudo ou para o grave e capacidade de concentração ou maturidade observadas no trabalho coletivo. Com os 50 componentes da manhã e os 65 da tarde em suas posições, dividimos o repertório em duas vertentes:

Músicas novas, pesquisadas e arranjadas em função do projeto deste ano, "As Cidades", estimulando o processo de aprendizagem de todo o grupo:

- Suite Carioca: na verdade uma coleção de músicas que agrega "Valsa de uma Cidade", de Antônio Maria, "Primavera", de Braguinha, "Cidade Maravilhosa", de André Filho e um “pot-pourit” de hinos de futebol.

- Colagem Carioca: coleção de temas ligados à cidade do Rio de Janeiro composta, em sua versão integral, de "Rua da Passagem", de Lenine e Arnaldo Antunes e "Santa Teresa", de Gui Guimarães e Marinaldo Guimarães, já lidos nos ensaios, não apresentados na Mostra de Artes, e os temas já apresentados "Do Leme ao Pontal", de Tim Maia, "Aquele Abraço", de Gilberto Gil e "Rio 40 Graus", de Fernanda Abreu, Fausto Fawcett e Laufer.

Músicas trabalhadas anteriormente, quando a F5 tem a oportunidade de ajudar a F4 a aprender o repertório antigo: La Bamba, de Ritchie Valens e Planeta Blue, de Milton Nascimento e Fernando Brant.

Em oposição ao desejo das crianças por variedade, novidade e rapidez de resultados, tentamos mostrar-lhes a perspectiva de que o trabalho pode ser aprofundado, bem cuidado, e que o prazer imediato pode ser adiado, um pouquinho, em função de uma gratificação maior, que só pode ser alcançado com a convergência de todas as forças e intenções. De qualquer modo, como trabalhamos com diversos temas integrados em uma nova forma, pudemos atendê-las em parte, possibilitando a satisfação natural de alcançar os objetivos, mesmo que parciais. Sempre que um tema, trecho ou elemento é dominado, a “dança do dedinho” (gesto com o polegar que alegremente se dirige para o alto, com acompanhamento do piano) provoca uma explosão de alegria.

Montamos um repertório aparentemente pequeno, mas razoavelmente complexo, a várias vozes, incluindo alguma encenação, trabalhando-o da melhor forma possível, sem deixar de respeitar as limitações reais de idade das crianças. A preparação adequada para apresentação em palco, incluindo a organização, movimentação e concentração, foram aspectos também valorizados.

Na auto-avaliação da apresentação da Mostra, baseada no vídeo do evento, ouvimos: “Não imaginava que ficaria tão bom” ... “No dia, me concentrei e deu tudo certo!” ... “A gente estava concentrado porque tinha muita gente lá” ... , confirmando a alegria e a gratificação com o resultado do trabalho.