Projeto
Inauguramos nossas aulas com "As Cidades - Das aldeias às megalópoles", produção do Discovery Channel, Coleção Super Interessante, Abril. A partir do filme, os alunos levantaram temas que despertaram interesse e curiosidade. Perguntas curiosas sobre a origem e as transformações que ocorrem nas cidades, dirigiram as turmas a seus projetos de estudo: a F6MA optou por estudar Cultura e Cidades com Histórias de desaparecimento e/ou reconstrução após catástrofes naturais e a F6MB dividiu seu interesse entre Tecnologia e Cultura.

Como "o que move o mundo não são as respostas, são as perguntas", os alunos definiram perguntas que os levassem à pesquisa e pensaram, também, em uma defesa para suas escolhas, relacionando-as ao Projeto maior da nossa escola. Avaliamos que as perguntas formuladas eram amplas e que ainda não delimitavam recortes para que realizassem uma pesquisa. Para ampliar a compreensão que tinham sobre os conceitos de tecnologia e cultura e promover ajustes no foco, discutimos a partir de algumas imagens e músicas. Com a redefinição de perguntas mais objetivas, na F6MB, um grupo pretende responder à pergunta "De que forma a tecnologia aplicada na diversão interfere na vida das pessoas?". Para isso, estudarão sobre a evolução do computador, da câmera digital e do vídeo-game. O outro grupo quer saber "Como é hoje a vestimenta em Tóquio, Nova Deli, Nova Iorque, Alexandria e Londres?". Na F6MA um grupo quer descobrir "Como se reconstróem cidades atingidas por catástrofes naturais como terremotos, tsunamis, furacões e vulcões?" e vão pesquisar sobre as cidades de Pompéia, Nova Orleans, Da Nang e Porto Príncipe, enquanto o outro grupo quer descobrir "Como é hoje a culinária em Nova Deli, Salvador, Nova Iorque, Tóquio e Paris?".

Todos os temas são atravessados pela cultura e nos permitem uma abordagem que leva em consideração aspectos históricos, geográficos e sociais na formação e na transformação das cidades, o que muito nos interessa e instiga. O resultado do trabalho de pesquisa ainda está distante, mas agosto está logo ali e, a partir de agora, coleta de material, análise de fontes, registro, síntese e produção de relatório ou de um empreendimento final fazem parte dos nossos objetivos.

Os alunos concluiram que armazenar informações não garante aprendizagens. Para avançar em seus estudos começamos a legitimar procedimentos de pesquisa. Com a formação de alguns hábitos, agora vêm aprendendo a consultar em um site de busca, identificar fontes confiáveis e usar ferramentas em meio digital. Outros tipos de fontes serão explorados, levando-os a incorporarem novos recursos. Esperamos que aprendam a pesquisar e sejam capazes de selecionar e confrontar informações em fontes variadas, e que desenvolvam competências de leitura e síntese para redigirem textos mais autorais a partir das pesquisas. Como as bases Wikipedia são muito citadas, as turmas receberam um desafio: produzir um verbete para a Escola Sá Pereira, a ser publicado na Wikipedia. No site da Wiki visitaram o verbete de outro colégio. Assim, conheceram um modelo possível de estrutura. Voltaram ao site da Sá Pereira – agora com olhos mais investigativos - e, abrindo "abas", aprenderam a simultaneamente, ler e escrever informações, mantendo mais acessíveis as páginas selecionadas.

Os alunos conheceram o "site" do Museu da Maré que, além de promover a visita virtual ao museu, compartilha aspectos culturais daquela comunidade. Sua escolha se deu por tratar um único tema com vários recortes, um trabalho interdisciplinar que nos interessa como um potente modelo de pesquisa, como um bom exemplo de que a pesquisa pode resultar do esforço para buscar e sistematizar conhecimento.

Parte das nossas aulas de Projeto é usada em conversas sobre alguns compromissos, sobre as aulas ou à leitura atenta do Informe Semanal. É o tempo cairós, aquele tempo das demandas, das experiências, das vivências repletas de significado, do respeito aos ritmos e da calma. É um certo tempo necessário à organização.

Quando todos os olhares estavam voltados para a África do Sul, numa sexta-feira, assistimos juntos a "Ernesto no País do Futebol". O curta conta a história de um menino argentino que vem morar no Brasil, exatamente em um ano de Copa do Mundo. Os traços culturais que identificam e rivalizam argentinos e brasileiros, a identidade e os símbolos nacionais, a tolerância e o bullying, foram alguns dos assuntos debatidos a partir do filme, contextualizando no telão nossas discussões iniciais.
Português
A leitura foi priorizada nas aulas de Português no primeiro semestre. Os alunos interpretaram textos, identificando as marcas autorais, as estratégias do autor e sua responsabilidade pelo que escreve.

O tema da pré-adolescência foi trazido pelo livro didático, a partir da leitura e análise de gêneros textuais diversos, como a reportagem e os quadrinhos. Escolhemos apresentar mais formalmente o texto descritivo e narrativo que, além de nos parecerem mais naturais e presentes, se integraram tematicamente ao projeto e às mudanças da pré-adolescência.

Os alunos conheceram os tipos de narrador e a crônica, gênero textual que permitiu contato com "as cidades".

Alguns assuntos se fizeram "urgentes" - foi o caso do temporal de abril e da Copa do Mundo, - e renderam bons trabalhos.

A reflexão sobre a Língua esteve presente. Os alunos refletiram sobre a importância de se ter um universo vocabular vasto para evitar repetições no texto, observaram a existência de expressões criativas e expressões figuradas, perceberam o processo de apropriação de palavras que se tornam gírias ou que adquirem nova conotação em um novo contexto ou emprego.

O contato semanal com os livros e a troca de experiências sobre preferências, leituras, autores e ilustradores foram preservados. Em sala, introduzindo a cultura grega, os alunos leram "Diário de Pilar na Grécia" e "Odisseia". Com o "Diário de Pilar na Grécia", exploraram o gênero textual do diário. Para os desdobramentos sobre a "Odisseia" exercitaram a oralidade.

Produziram, entre textos com motivações variadas, algumas crônicas e um texto em forma de diário. O objetivo de manter um ritmo semanal de produção de texto não foi atingido como esperávamos, mas é certo que a escrita ganhará o devido espaço nas aulas de Português do segundo semestre, envolvendo trabalhos de pesquisa e revisão, no intuito de conscientizar os alunos acerca da importância do texto escrito como resultado - ou até processo - de reflexão.

Com relação à sistematização de aspectos gramaticais, os alunos revisaram algumas classes de palavras gerando debates interessantes sobre o conceito de gramática e sobre o caráter arbitrário das regras. Informalmente discutiram a respeito do poder do falante sobre a língua materna, mas planejamos trazer o tema em outros momentos, de forma mais sistematizada e aprofundada, contextualizando o estudo da gramática.
Matemática
Para o projeto "As Cidades", os alunos trouxeram uma foto tirada de um local da cidade e fizeram uma descrição matemática do ambiente, observando tanto aspectos numéricos, como geométricos. No final do ano, os alunos retornarão ao local para tirar uma nova foto e fazer comparações. Espera-se que tanto o local possa ter sofrido alterações, quanto eles tenham adquirido mais conhecimentos matemáticos que permitam fazer uma descrição com mais riqueza de detalhes e maior rigor no uso do vocabulário, considerando mais elementos.

No início do ano, revisitamos objetivos trabalhados nos anos anteriores tais como as quatro operações. Os alunos aproveitaram essa retomada para pensar sobre operações inversas, realizar atividades com cálculo mental e discutir o uso da calculadora. Aprenderam um pouco mais a manuseá-la, resolvendo problemas com seu auxílio. Ao rever a multiplicação, introduzimos o cálculo de possibilidades.

No trabalho com Geometria, além de trabalharem com os conceitos e o reconhecimento de ângulos e retas, conheceram diferentes figuras planas e espaciais: prismas, pirâmides, cilindro, cone, esfera, polígonos, em particular, os principais quadriláteros.bFizemos também, construções geométricas utilizando régua, compasso e esquadro. O resultado estético dessa exploração foi a elaboração de diferentes mosaicos na malha triangular, apresentados na Mostra de Artes.

As possíveis vistas de um objeto geraram trabalhos interessantes, uma vez que propiciaram uma discussão muito além da Matemática, envolvendo a existência dos diferentes pontos de vista, um importante questionamento sobre o que vem a ser a verdade e como nossos sentidos podem falhar na elaboração de teorias e modelagem do mundo.

Construíram o conceito de simetria e definiram eixo de simetria, realizando atividades como elaborar uma faixa decorativa e um recorte usando os conhecimentos recentemente adquiridos. Aproveitamos o embalo para apresentar a noção de números simétricos (assunto que será retomado no 7º ano).

Duas parcerias foram feitas com os conteúdos de Geografia. Primeiramente os alunos fizeram um trabalho sobre escalas usando como referência o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte). O trabalho consistiu em comparar distâncias entre duas cidades no site da DNIT e no Atlas. A parceria continuou na introdução sobre plano cartesiano. Essa aula foi pensada de modo a discutir a necessidade de uma origem pré-estabelecida, da ordenação dos números, entre outras aspectos importantes para o domínio desse conteúdo.

Outro assunto tratado foi sequências numéricas e novamente os alunos se dedicaram aos números naturais. Dessa vez, começaram entendendo números primos. Em seguida, viram decomposição de números em fatores primos. Compreender a decomposição é fundamental para entender a identidade dos números. Prosseguiram fazendo uma breve revisão de múltiplos e divisores para entender MMC (menor múltiplo comum) e MDC (maior divisor comum). Na última semana, falamos sobre estatística e os alunos se prepararam para o projeto do próximo semestre. Nos trabalhos desenvolvidos, analisaram e construíram tabelas e gráficos e realizaram pesquisas em jornais e revistas. Ao final, desenvolveram todas as etapas de uma pesquisa passando pela escolha do tema, coleta e tratamento de dados.
Ciências
Entender o que é Ciências e porque estudá-la foi a primeira coisa que os alunos discutiram e pesquisaram nas aulas. Diferenciaram Ciência e Ciências e pensaram como um cientista deveria se organizar e planejar seus estudos. Realizaram a experiência da caixa preta e, assim, começaram a entender o que é o método científico.

Estudaram como se dá cada etapa do método científico e o que elas significam. Leram o texto "De pergunta em pergunta", do livro de Ana Maria Machado, e observaram como Thomas Huxley, um cientista inglês, fez para resolver um problema em uma cidade no interior da Inglaterra. Estudaram como se constrói um relatório científico, elaborando coletivamente um artigo para ser postado no site da escola.

O passo seguinte foi pedir que cada aluno observasse no trajeto casa-escola-casa um problema de nossa cidade. Partiram de suas impressões iniciais, discutindo, por exemplo, se se tratavam de problemas específicos da nossa cidade ou se seriam comuns às grandes metrópoles.

Para estudar os problemas levantados, cada turma foi dividida em grupos, de acordo com interesses em comum: conservação do espaço público, construção desordenada, lixo, poluição, infraestrutura e engenharia de trânsito. Para organizarem os temas, identificarem os problemas que se relacionavam ao tema central e visualizarem as interrelações, utilizamos a "Roda Mágica" do Google. Dessa forma perceberam que no fundo, os problemas das cidades não são independentes.

Como a "roda mágica" é uma ideia simplificada de um mapa conceitual, utilizamos um programa chamado Cmap - que é uma ferramenta de criação de mapas conceituais - e criamos e compartilhamos com as turmas, um mapa relacionando os temas dos grupos e os conceitos de Ciências que poderiam estudar. Esse registro se encontra no site da escola, na seção "Para turmas".

No passeio ao Planetário e ao Museu Nacional, os alunos aprenderam sobre a Terra, o Universo e o Sistema Solar, assuntos abordados primeiramente nas aulas de História e Geografia a serem retomados nas aulas de Ciências, nos estudos sobre a Astronomia das antigas civilizações.

Os alunos foram orientados na busca de material para estudo, através de roteiros contendo questões e indicações de sites para pesquisa relacionados com cada grupo. Receberam, também, kits com material para estudo. Na reta final desse trabalho, os alunos irão preparar uma apresentação de slides para que as informações importantes, as descobertas realizadas e as respostas às perguntas possam ser compartilhadas por todos. A conclusão do projeto, prevista para agosto, prevê alguns passeios, experimentos e campanhas.
Geografia
Os alunos começaram o ano focando os estudos na compreensão dos conceitos básicos de Geografia: Lugar, Paisagem e Espaço Geográfico. Desenvolveram atividades com mapas mentais, discutiram a relação entre os lugares e a relação entre o local e o global. Aprenderam a reconhecer os elementos construídos e naturais nas paisagens, bem como seu processo de humanização ao longo da história. Compreenderam que o espaço geográfico é resultado da modificação que o ser humano realiza na superfície terrestre. Embora aparentemente abstratos, esses conceitos estão presentes na vida de cada um de nós, que vivemos e nos deslocamos nesta cidade.

Diante da tragédia das chuvas em nossa cidade no início do mês de abril, não pudemos deixar de conversar sobre o tema em sala de aula. Em parceria com a professora de Português, os alunos realizaram atividades de reflexão a partir de uma nota de esclarecimento escrita pelos moradores das favelas de Niterói, trechos do Estatuto da Cidade e uma crônica do escritor Lima Barreto.

Na agitação da vida nas grandes cidades, muitas vezes não nos damos conta, mas muitos fenômenos que ocorrem na superfície terrestre têm sua origem no espaço exterior à Terra. No início de junho, a partir da visita ao Planetário da Cidade, os alunos iniciaram um estudo sobre a origem do Universo e de nosso Sistema Solar. Definiram os conceitos de estrela, planeta, satélite natural e sistema solar e constataram que a distância média do nosso planeta em relação ao Sol é fundamental para a existência da vida. Como forma de complementar os estudos assistiram às primeiras partes do filme Além do Big-Bang, produzido pela History Channel.

Da origem do Universo e de nosso sistema solar, estudaram a história de formação da Terra. Compararam a história do planeta a uma partida de futebol e refletiram sobre a diferença entre o tempo histórico e o tempo geológico. Observando pistas sobre as forças que moldaram a superfície terrestre, assistiram a um pequeno vídeo e leram uma reportagem de jornal sobre o vulcão Eyjafjallajökull, localizado em um pequeno vilarejo na Islândia, que, na ocasião, causou grande caos no mundo ao provocar a interrupção dos voos nos aeroportos. Para ilustrar e complementar nossos estudos os alunos assistiram ao filme "A História da Terra", um documentário produzido pela Discovery Channel.

Terminamos o semestre trabalhando os movimentos de rotação e translação da Terra. Com o auxílio de um globo terrestre, de uma lanterna e de um modelo do sistema solar, os alunos simularam esses movimentos, reafirmando a importância desses fenômenos na demarcação dos dias e das noites (rotação) e das estações do ano (translação). Realizamos, como fechamento desses conteúdos, uma atividade na sala de computadores utilizando a animação do "Capitão Tormenta" disponibilizada pelo Ministério da Educação.

Para promover uma revisão dos conteúdos trabalhados ao longo do semestre, na última semana de aula, os alunos participaram de um "jogo de perguntas" com a turma dividida em equipes.
História
Os alunos Iniciaram o estudo da presença do homem na Terra, as primeiras formas de comunicação (desenhos, pinturas, escritas) e os primeiros agrupamentos. Para chegarrem ao tema do projeto Cidades, precisáavam saber como surgiram as primeiras aldeias. Assim, compreenderam que o advento das cidades foi uma longa construção humana.

Em seguida, estudaram o processo de sedentarização do Homem, em torno da agricultura e da criação de animais.

Debateram e refletiram sobre as ideias criacionistas e evolucionistas. Reunimos as turmas para assistirem a dois filmes: A Guerra do Fogo e A origem do Homem.

Para que compreendessem o que é a História, discutimos a importância dos diferentes pontos de vista e versões para um mesmo fato, percebendo que não existe uma verdade única. Viram que existe uma diversidade de fontes históricas e perceberam as diferenças entre os ofícios do historiador, do arqueólogo e do paleontólogo.

Estudaram a Mesopotâmia e receberam a escritora Martha Sutter, autora do livro Babel. Por sua diversidade de povos e culturas, entendemos a importância histórica da região, cenário de muitas narrativas bíblicas, berço da escrita, onde surgiram a roda e as primeiras cidades.

Entendendo o 6º ano como um período de transição, sugerimos que representassem nas capas dos cadernos, as permanências e as rupturas – dois dos mais importantes aspectos da História.

Seguindo pela Antiguidade, chegaram ao Egito. Para conhecerem a terra dos faraós, múmias, esfinges e pirâmides, adotamos o livro "Como seria sua vida no Antigo Egito" e começaram pelos mitos e lendas egípcias.

A visita ao Museu Nacional foi uma oportunidade de conhecerem o maior acervo egípcio da América Latina (múmias, escrita hieroglifa, sarcófagos, exposições arqueológicas e paleontológicas). Todas foram atividades importantes na produção de um "roteiro de viagem" sobre essa civilização que está em fase de conclusão.
Inglês
Os alunos iniciaram as aulas de Inglês falando sobre seus sentimentos. Como passam por um período de muitas mudanças na escola, compartilharam seus sentimentos no começo dessa nova etapa. Muitos disseram que estavam felizes, outros, ansiosos ou nervosos, e a palavra que prevaleceu foi "saudade". Saudade da turma antiga, do amigo, da mochila leve... Os alunos descobriram que na Língua Inglesa não há uma palavra que corresponda à nossa "saudade", mas podem usar "I miss" se o coração apertar!

Em seguida, conversaram sobre o cotidiano dos alunos na cidade, a partir dos meios de transporte utilizados para irem à escola, dos engarrafamentos que enfrentam, dos problemas com a pontualidade. Leram um texto sobre a rotina de um adolescente que vive em uma grande cidade e identificaram as semelhanças com suas rotinas. Os alunos criaram diálogos com o objetivo de combinarem uma carona. Para isso, aprenderam a dizer onde moram fazendo uso das preposições adequadas para bairro, rua e endereço completo. A partir de perguntas básicas como "Onde você mora?" e "A que horas você vai para casa?", criaram diferentes situações, interpretando personagens e praticando a oralidade de uma forma descontraída. Também desenvolveram, em um trabalho em grupo, uma campanha a favor da carona. Com certo receio da exposição, alguns alunos sentem-se mais estimulados e seguros em atividades em duplas ou pequenos grupos.

O tema "Grafite", trabalhado nas aulas de Artes Visuais, também foi explorado nas aulas de Inglês. Como jornalistas, os alunos criaram perguntas que gostariam que fossem respondidas por um grafiteiro. Leram, em seguida, um depoimento sobre a trajetória de um artista do grafite e as informações contidas no texto serviam de resposta a muitas das perguntas que haviam sido feitas na entrevista. Os alunos entraram em contato com diferentes opiniões sobre essa arte e levantaram questões como o aspecto democrático da arte, o limite entre arte e vandalismo, o uso do espaço público para manifestações artísticas etc. Aproveitando o tema, as capas dos cadernos foram ilustradas com reproduções de grafite, nas quais os alunos utilizaram o recurso como manifestação de ideias que achavam relevantes para a sociedade. A solidariedade com as vítimas dos terremotos no Haiti foi um dos temas mais explorados.

Na mesma época desta atividade, trouxeram como sugestão o clipe da música "We are the World for Haiti". Exploraram também as músicas "Stand by me" e "Waving Flag", tema oficial da Copa do Mundo 2010. Tendo como pano de fundo o refrão de "Waving Flag" , os alunos começaram a estudar "Comparative Forms", estrutura se repete constantemente na música.

Depois de lerem em sala depoimentos de adolescentes britânicos sobre suas preferências, a respeito de música, moda ou comportamento, os alunos tentaram imaginar como seriam esses adolescentes e os desenharam. Criaram, também, suas próprias listas com opiniões sobre diferentes aspectos, sobretudo o comportamento. Discutiram sobre o conceito "cool", tentando observar a diferença entre ser "cool" por seguir uma moda imposta e ser "cool" por suas atitudes, ideias, estilo de vida ou comprometimento com causas sociais, políticas ou ambientais.

No fechamento do semestre, começamos a criar uma revista chamada "Minds and Hearts". Para compor a revista, cada aluno deveria pesquisar e apresentar uma pessoa admirável para fazer parte da lista das pessoas mais "cool".
Artes
Com o tema "as cidades", escolhemos a arte urbana como foco. Através da internet os alunos apreciaram interferências urbanas que se encontram espalhadas por diversas partes do mundo. A ideia era se questionar: Como elas, particularmente, interferem no dia-a-dia das pessoas que circulam pela cidade, como mudam a relação das pessoas com o espaço e como aparecem e somem, sem que nos demos conta. Conversamos também sobre as diferentes técnicas usadas pelos artistas.

Inspirados nessa proposta, iniciamos um processo de pesquisa na escola, procurando locais que incitassem nossa criatividade. A brincadeira era tal qual a de olhar para as nuvens e pensar com que elas se parecem. Olhar as paredes, escadas, pregos ou buraquinhos que fizessem nossa imaginação trabalhar e os tornassem objetos com funções diferentes. A princípio, começamos fotografando os locais e registrando as ideias. Imprimimos as fotos e desenhamos as ideias por cima delas. Depois de prontas, votamos nas propostas mais interessantes e, a partir daí, discutimos quais seriam os materiais mais adequados para executar os projetos. Tinta acrílica e adesivos coloridos foram os materiais mais próximos aos sprays e stickers que vemos por aí.

A execução e fixação dos trabalhos foi minuciosa e muito divertida. Mas nada comparada com ver os trabalhos prontos, tomando conta e dando vida a nossa escola. Finalmente, fotografamos os trabalhos prontos e fizemos um jogo, para que os visitantes da Mostra encontrassem todas as intervenções.

Finda a feira, começamos um trabalho individual livre, com o intuito de relaxar e curtir outros materiais. Nas últimas aulas do semestre usamos os lápis pastel na confecção de uma colcha de retalhos de chitão, para enfeitar o casamento e a Festa Junina.
Música
Iniciamos o ano conversando sobre o tema do projeto institucional "Cidades", e buscando maneiras de relacioná-lo com as aulas de Música. Nesta intenção fizemos experiências musicais com os sons que observamos em nossa cidade, conhecemos o video que apresenta uma composição musical, a partir dos sons do dia-dia da cidade de São Paulo, ouvimos músicas de cidades diferentes e assistimos a vídeos de músicos que atuam nas ruas de suas cidades. A partir da apreciação do vídeo de projeto "Playing for Change", onde músicos de várias partes do mundo interpretam simultaneamente a canção "Stand by me", de Ben E. King, resolvemos integrar ao vídeo nossa participação. Os ensaios do nosso arranjo contaram com teclado, violão, metalofone, flauta e instrumentos de percussão. Foi desafiador para as crianças a experiência de tocar junto com o vídeo, pois os obrigou a ouvir atentamente, de forma que o andamento se mantivesse e a intensidade do som se integrasse harmoniosamente com a fonte sonora de referência. Depois de amadurecida essa fase, filmamos o resultado, e com esse material, fizemos uma edição acrescentando ao vídeo original a nossa contribuição. O resultado foi exibido na Mostra de Artes.

Dando continuidade, fizemos uma prática de conjunto inspirados pelo ritmo "quadrilha", típico das Festas Juninas. Finalizamos o semestre com jogos musicais nos quais os alunos foram desafiados a criar, memorizar e reproduzir uma sequência rítmica.
Teatro
As cidades e os cidadãos foram nossos objetos de estudo no primeiro semestre de 2010. Quais os direitos e deveres dos cidadãos? Quais dos nossos direitos não nos são concedidos? Quais são os nossos deveres que não praticamos? Esses foram temas para muitas improvisações que os alunos realizaram durante nossos primeiros encontros. As crianças tiveram a oportunidade de contar suas experiências e ouvir outras tantas contadas pelos seus colegas de turma. Foi interessante notar que nossos alunos possuem uma compreensão clara sobre quais são os direitos e deveres que eles exercem. "Quais são os personagens que encontramos nas grandes metrópoles como o Rio de Janeiro?" e "Quais são os lugares onde esses personagens transitam?" Após responder as perguntas, os alunos foram estimulados a imaginar quais são as situações de conflito que podem ocorrer com esses personagens nesses lugares. No entanto, precisávamos, antes, definir o que é o conflito. Uma cena teatral só existe quando há um conflito; este, por sua vez, só acontece quando os personagens possuem objetivos. Sendo assim, começamos nosso estudo compreendendo a noção de objetivo. Inicialmente, os alunos realizaram um exercício corporal que pudesse lhes dar a idéia concreta de objetivo e obstáculo. O ator "A" e o ator "B" estão num mesmo ponto no espaço cênico. "A" tem como objetivo sair daquele ponto. "B" tem como objetivo fazer com que "A" permaneça naquele ponto. Já está armada nossa situação de conflito: "B" é obstáculo de "A" e vice-versa. Assim, compreendemos que o conflito de uma cena é aquilo que dificulta, ou até impede que os personagens atinjam seus objetivos. Porém, este obstáculo/conflito pode ser concreto ou abstrato. Utilizamos algumas histórias do livro "NY, a Vida nas Grandes Cidades", do cartunista Will Eisner, para que pudéssemos nos aprofundar em nosso estudo. No capítulo "Pessoas Invisíveis", descobrimos personagens com objetivos claros e tentamos encontrar quais eram os conflitos que apareciam naquelas histórias. Um trem do metrô que quebra, pode ser um obstáculo para o personagem que tem como objetivo chegar ao trabalho; o medo de ser rejeitado serve como obstáculo para o personagem que deseja declarar seu amor à pessoa amada. Assim, os alunos foram criando cenas e fazendo algumas improvisações sobre os temas propostos pelos quadrinhos.

O tempo foi passando, e a Mostra de Artes se aproximando. Decidimos então, apresentar uma peça composta de pequenas cenas do livro de Will Eisner, situações de conflito comuns às grandes cidades. Os alunos se depararam com alguns temas complicados, conflitos profundos, muitas vezes até, distantes da sua realidade. Após a primeira leitura dos textos, conversamos bastante sobre as situações apresentadas nas cenas e as turmas do sexto ano mostraram-se maduras durante as discussões. Sendo assim, começamos o processo de ensaio: decorar texto, compor personagens, criar as marcações espaciais das cenas. Eram cinco histórias diferentes, mais um prólogo e as narrações entre cada cena, ou seja, muito texto e muitos personagens. Foi um trabalho duro, difícil, mas, certamente, uma experiência única. Este trabalho nos trouxe maturidade e foi preciso muita disciplina e dedicação para que atingíssemos um resultado tão satisfatório quanto aquele mostrado pelas F6, na Mostra de Artes 2010.
Expressão Corporal
Em roda, nos apresentamos e relembramos as regras de convivência. Para dialogar com o Projeto da Escola, optamos pela Dança de Rua. Experimentamos, sem contextualização, uma sequência de movimentos pré-concebida e dançamos, exaustivamente, durante os quarenta e cinco minutos de aula; entretanto, a reprodução pura e simples do movimento não era nosso objetivo. Para continuar o trabalho, era necessário pesquisar a origem dessa dança, os diferentes tipos, a qualidade de movimento, assistir a vídeos, buscar referências para que pudéssemos , juntos, recriar nossa sequência e entender o trabalho de composição coreográfica. Através deste estudo, teríamos elementos para nos auxiliar nessa construção. Percebemos que as acrobacias estavam presentes em todos os vídeos e tentamos reproduzi-las. Para tanto, conversamos sobre os cuidados necessários com o nosso corpo e com o do colega. Assistimos a tudo em câmera lenta, tentando compreender a biomecânica e as alavancas do corpo para realizar cada suporte acrobático. A seriedade e o comprometimento com que o grupo participou dessa aula, nos fizeram crer que tínhamos acertado em nossa escolha.

Com o resultado das pesquisas e improvisações, iniciamos a nossa célula coreográfica. Conversamos sobre os elementos que poderiam nos auxiliar no processo, tais como: diferentes maneiras de posicionar o corpo no espaço, direções a utilizar,trabalhar a inversão de movimento, planos diferenciados, deslocamentos, repetição, formas diferentes de organização, pequenos e grandes grupos, solos, entre tantas outras possibilidades dentro de um processo criativo.

Recebemos a visita do Grupo de Dança de Rua da Maré. No pátio da escola, eles assistiram ao nosso trabalho, nos mostraram o deles e, no fim, nos deram uma aula. A troca de experiência e o aval do grupo profissional deixaram nossos alunos seguros e contentes com o resultado do nosso processo.

Extremamente competentes e envolvidos com a proposta, as crianças da F6MA produziram de uma maneira bastante satisfatória. Cheios de idéias, falavam com propriedade sobre suas percepções. Terminaram rapidamente a coreografia e tiveram tempo de sobra, antes da Mostra de Artes, para lapidar sua criação.

Para encerrar o projeto da Dança de Rua, assistimos ao vídeo da Mostra com a finalidade de apreciar e criticar nosso trabalho,apontando nossos acertos e erros.

E da dança urbana fomos direto para a festa de São João. O resultado poderá ser visto em nossa Festa Junina, onde dançaremos uma Quadrilha.

Terminamos o semestre, orgulhosos das conquistas dessa turma e cheios de idéias para o semestre que vem!
Tribo
Na proposta do segundo segmento, dissemos que nos colocaríamos no lugar de quem aprende, com nossos alunos e alunas, buscando um espaço escolar que pudesse romper com alguns limites impostos pela educação tradicional. As Tribos foram usadas como ferramenta para esta busca. A avaliação contínua da escola, das aulas, dos professores, da postura de estudante e das relações que estabelecemos entre todos da escola foi exercitada a cada encontro. A atitude de participação foi sendo construída aos poucos. Demos voz às crianças, procurando valorizar suas sugestões e juízos, mas também levando-as à reflexão e ao exercício constante da ponderação, do olhar a partir de diferentes pontos de vista. Na última reunião do semestre, quando propusemos uma avaliação escrita da escola, ainda ouvimos: "A gente pode mesmo escrever o que pensa?" e a resposta rápida e certeira "Se for de forma respeitosa..."

É mesmo um prazer construir o dia a dia, sentir que somos autores da nossa vida escolar. É isto que queremos que as crianças sintam. Queremos que participem da construção de um espaço bom para estudar, bom para ensinar. Para isso, a convivência harmoniosa precisa ser alicerce. Por isso frisamos, logo de início, que a transgressão de duas regras básicas não seria tolerada. O respeito às pessoas, adultos e crianças, e ao espaço que compartilhamos. Essas duas regrinhas eram suficientes a partir de agora. E temos tentado ser firmes na cobrança, estabelecendo limites e sanções mais severas do que as que estavam acostumados. Afinal, esse povo cresceu!

Muitos assuntos motivaram os debates, alguns mais, outros menos significativos para uma parte ou outra da turma. Como devemos acolher os professores que estão chegando? O que é ser elegante no século XXI? Precisamos de um grêmio? Quem, quando e como organizá-lo? Quanto de preconceito está presente nos conflitos que vivemos? Onde termina o brincar e começa a implicância? Até quando se pode ser tolerante? Existe piada sem preconceito? O que podemos fazer para a turma aproveitar as oportunidades oferecidas na escola, a convivência com os colegas e professores? Essas foram questões que estiveram presentes.

Dedicamos atenção especial ao processo de avaliação das disciplinas, antes e depois de receberem os boletins. Antes, quando refletiram sobre que esforços cada um acreditava ser preciso fazer. Depois, com o resultado, quando todos puderam interpretar as informações que vinham registradas em seus boletins, confrontando-as com as reflexões e metas que haviam traçado previamente.

Na Mostra de Artes, dedicamos atenção às filmagens do ensaio geral, analisando a produção teatral do grupo, para que pudessem sinalizar o que cada um podia melhorar para o sucesso do grupo.

Durante a Copa, lemos alguns textos sobre aquele continente tão diverso que, muitas vezes, é entendido como um único país. Recuperamos estudos anteriores, quando estavam na F4, pesquisamos sobre a África, e vimos o perigo das histórias únicas, não só nessa dimensão continental, mas até nas relações pessoais. Essa discussão, foi motivada pelo vídeo da palestra da escritora nigeriana Chimamanda Adichie, que compartilhamos no site da escola.

Ainda tivemos tempo para elaborar as tristezas da derrota na Copa e refletir sobre o que podemos mudar e aprimorar para um semestre melhor.
Educação Física
Neste semestre a Educação Física das F6 passou por momentos de grande diversidade, e não seria diferente dentro do tão abrangente tema "As Cidades". É impossível esquecer o fato de que morar na "Cidade Maravilhosa" é um convite para as atividades físicas, mas para isso é importante também o conhecimento físico do nosso corpo.

Falamos do desenvolvimento do corpo, da relação do homem com o crescimento das Cidades e o estilo de vida que cada um de nós vem assumindo. Conversamos um pouco sobre sedentarismo e obesidade infantil, monstrando as possíveis consequências de uma má alimentação e da falta de exercícios.

Partindo para a prática, os jogos e as brincadeiras, muitas vezes já conhecidos por eles, como queimado, pique bandeira e bumbumrumdinha, passaram por algumas adaptações sugeridas pelos próprios alunos.

Passaram pelo Basquetebol, Handebol e Futebol. Aprenderam regras básicas de cada esporte, não esquecendo do importante papel do brincar. Por causa das frequentes queixas de cansaço, trouxemos para a quadra a observação dos batimentos cardíacos, da respiração e a importância do alongamento antes e depois da prática de qualquer atividade. Agora estão mais preparados para correr, saltar, lançar e conhecendo melhor suas aptidões.

Com a chegada da Copa do Mundo, através de fundamentos do Futebol, como chute, drible e passe, os alunos trabalharam o aspecto cooperativo do esporte, buscando atividades nas quais pudessem interagir com menor resistência e preconceito entre eles. Para aumentar nosso entrosamento com a "África do Sul, sugerimos, na época, uma visita ao site da "FIFA". Começaram em seguida os preparativos para a "Copa do Pereirão". O resultado proveitoso do evento se deu pela participação das duas turmas. Nossa relação se estreitou mais! Mas ainda não foi dessa vez que ganhamos a "Taça da Cooperação".

Muitas vezes, durante as atividades, a cooperação e a ação coletiva foram difíceis. Essa dificuldade se revela em problemas de entrosamento e aceitação entre meninos e meninas; entre aqueles que têm um talento especial e os que se esforçam para aprender e participar. Estes sim são desafios a serem superados, muito mais que aprender regras, técnicas ou apresentar performances espetaculares.

Terminaram o semestre em pleno "arraiá", vivenciando brincadeiras juninas como dança da laranja, pular corda, corrida do limão ao som de cantigas folclóricas.